A quantos afeta

No Brasil, a estimativa muito otimista era que
cerca de 10% da população sofria de depressão. Otimista por basear-se em dados
de pessoas já diagnosticadas. Deve-se observar que a maioria dos deprimidos não
foi diagnostica ou sequer sabe que sofre ou sofreu por depressão. A
consequência para elas é, geralmente, a falta de tratamento ou terapia pouco
adaptada.
Esse índice, no entanto, sobe para
18% da população brasileira, segundo um estudo do Instituto de Psiquiatria da
Universidade de São Paulo que avaliou a prevalência de distúrbios psiquiátricos
na região metropolitana da cidade, baseado em 5.037 entrevistas, com perguntas
capazes de revelar se o entrevistado passa ou já passou por essa condição.
O fato é que “a
depressão grave revela-se um problema de saúde pública em todas as regiões do
mundo”, conforme concluiu o último relatório sobre esse transtorno feito pela
Organização Mundial de Saúde (OMS) em 18
países, de alta e de baixa renda,
incluindo o Brasil, ao final de 2011.
Segundo o relatório, aproximadamente 14,6% da população
dos países com alta renda já teve depressão em algum momento da vida. Já entre o grupo de renda baixa e média, 11,1% das pessoas apresentou o distúrbio
em algum momento.
Se projetarmos para
o Brasil os dados da pesquisa Megacity, portanto, temos mais de 36 milhões de pessoas afetadas em
diferentes graus, em algum momento da vida. Muitas delas ficaram
incapacitadas para a vida produtiva e com sérias dificuldades nas relações
familiares. A Organização Mundial da Saúde (OMS) projetava que em
2030 a depressão a primeira maior causa de incapacitação no mundo. Mas reviu
suas conclusões, e em 2030 poderá ser a primeira.
Além disso, os pesquisadores
observaram que, nos países mais ricos, a idade média de início dos episódios de
depressão é 25,7 anos, contra os 24 anos dos menos desenvolvidos, onde o
Brasil se inclui. Nos países com alta renda os jovens são o grupo mais
vulnerável. Já nos outros lugares os idosos mostraram maior probabilidade de
ficar deprimidos.
Nos dois grupos – jovens e idosos - a separação de um parceiro foi o fator mais
importante. A ocorrência foi duas vezes
maior em mulheres e a incapacitação funcional mostrou-se associada a
manifestações recentes de depressão.
Como saber se alguém ou nós mesmo estamos deprimidos?
Podemos saber se alguém está efetivamente deprimido e necessitando de
tratamento para superar essa patologia, quando observamos, por mais de duas semanas,
que a pessoa:
·
Sente-se triste
a maior parte do dia, quase todos os dias;
·
Culpa-se em
demasia pela própria doença e até mesmo pelos problemas dos outros e
por problemas do passado;
·
Sente-se sem
vontade (ânimo) para fazer as tarefas habituais, seja trabalhar fora ou
cuidar dos filhos e realizar tarefas essenciais - coisas que normalmente faria
sem dificuldades e até com prazer;
·
Apresenta o desejo de fuga da vida, querendo ficar sozinha o máximo possível. Evita o
convívio social;
·
Quando acorda não
têm vontade de sair da cama;
·
Tem insônia ou
hipersonia (vontade excessiva de dormir);
·
Sente-se
fracassada, sem valor, inútil, e despreza seu valor como pessoa;
·
Há perda do
desejo sexual;
·
Não tem
esperança de que a situação
melhore.
A pessoa com depressão também pode ter
crises de choro injustificadas, desejo de morte, irritabilidade, dificuldade de
tomar decisões, de começar e/ou de terminar tarefas iniciadas.
Aqueles que estão deprimidos sentem-se muito tristes e
envoltos por pensamentos negativos sobre si mesmo e a vida de forma geral. Podem
ainda sentir palpitação (desconforto cardíaco), constipação, dores de cabeça e
dificuldades digestivas. Sentem-se sem energia para fazer o que precisam, têm
dificuldade de concentração, alterações no apetite, sentem-se lentas para a
realização de atividades físicas e mentais. Pode ser que a pessoa não tenha todos esses
sintomas e, se tiver a maioria deles, eles podem não ocorrer simultaneamente.
Normalmente, as pessoas deprimidas acham que trata-se de uma dificuldade passageira e custam a
admitir que estão doentes e procurar ajuda especializada de um psiquiatra
ou de um psicólogo.
Períodos de melhora e de piora são frequentes e, muitas
vezes, servem para adiar a procura por tratamento. A decisão só vem quando os
sintomas ficam graves e as questões de convívio se tornam quase insuportáveis.
Causas da Depressão
Para facilitar o entendimento das
causas da depressão, podemos classifica-la em três grupos, de acordo com as
suas causas:
No primeiro grupo (depressão de causa exógena), estariam
aquelas desencadeadas por fatores externos: separação de casais, perda de entes
queridos, perda do emprego e dificuldade de reempregar-se, viver situações de
extremo estresse por um período relativamente longo (cuidar de pessoas enfermas
e dependentes, relações conjugais violentas), frustrações em objetivos que
elegeu como fundamentais para a própria realização. Podemos incluir aqui um
tipo de depressão que se associa à menopausa na mulher e outro que afeta principalmente
os homens quando se aposentam. Ocorre especialmente quando ambos olham à frente
e não vêm uma perspectiva existencial satisfatória, seja por razões materiais,
efetivas ou por se sentirem inúteis, e sentem insegurança/medo em relação ao
futuro
No segundo grupo, visualizamos as depressões desencadeadas
por doenças que incapacitam o indivíduo parcial ou totalmente, como AVC, câncer,
doenças autoimunes, perda de membros, de visão ou audição, dependência química,
hipotireoidismo.
Num terceiro grupo, que coloco aqui como uma visão pessoal,
incluirei as depressões de natureza espiritual que podem estar relacionadas a
esta vida ou a vidas passadas. São eles:
1) Ex-suicidas
de outras vidas que, quando chegam próximo da idade em que deram fim à
existência anterior, emerge em suas consciências o quadro de sofrimento do
passado, causando forte depressão que pode leva-las a repetir o ato.
2) Espíritos
que sentem no fundo da alma que traíram os objetivos para o qual vieram nesta
existência, optando por caminhos mais ligados ao sucesso material, algumas
vezes por meios pouco éticos ou ilícitos mesmo. A maioria deles vive
angustiada, alimentam forte sentimento de culpa e remorsos por atitudes em
relação às criaturas cuja confiança traíram ou abandonaram ao longo da
existência.
3)
Espíritos que consideram a existência terrestre um
palco de sofrimento apresentam muita dificuldade de adaptar-se à vida, de escolher
uma carreira profissional e de lutar pelo sucesso profissional de manter
relação afetiva por tempo razoável. São extremamente pessimistas sobre a vida e
suas próprias possibilidades e isso o afasta de amigos e de afetos, levando-os
a uma extrema solidão. Muitos dos jovens deprimidos se enquadram nesta
condição.
4)
Espíritos que trazem, no inconsciente, sentimento de
culpa e remorsos por ato cometidos em vidas pretéritas, que são explorados por
suas vítimas do passado, hoje cruéis verdugos sedentos de vingança. Esses
obsessores Impõe às suas vítimas “a sua vontade férrea, ressuscitando no campo
do inconsciente profundo lembranças amortecidas pelo cérebro, descortinando
tristes acontecimentos que os fazem delirar, debatendo-se ante o assalto de
recordações antigas e as ocorrências atuais.
Esse quadro que pode resultar em esquizofrenias gravíssimas nos é
relatado pelo espírito de Vitor Hugo através da mediunidade fidedigna de
Divaldo Franco, no livro Árdua Ascenção.
Em todos os grupos, a medicina detecta deficiência de alguns
neurotransmissores cerebrais, como a serotonina, a dopamina e outros. Pessoalmente, não vejo essa deficiência
de neurotransmissores como causa da depressão, mas como consequência.
Como obter ajuda para enfrentar a depressão
Os males da mente são os mais prejudiciais e limitantes entre
todos os grupos de doenças. No grupo das doenças mentais a depressão é hoje a
mais incapacitante das doenças, segundo os últimos dados a OMS apresentados
pelo diretor do Instituo de Psicologia Clínica e Psicoterapia da Technische
Universitaet de Dresden, na Alemanha, Dr. Hans Ulrich Wittchen.
Portanto, nos casos de depressão grave, conhecida como
'depressão maior', é indispensável o tratamento medicamentoso com o psiquiatra.
Em todos os casos, é recomendável o atendimento psicológico. As técnicas complementares como a boa alimentação, higiene do
sono, terapia ocupacional e atividade física aumentam a eficácia do tratamento.
Depressão pode: levar à incapacidade funcional, comprometer
relações familiares de forma irremediável e até levar ao suicídio. Quanto mais
rápido reconhecermos e tratarmos a doença, menos sofreremos e mais rapidamente
poderemos sair dela.
Iniciado o tratamento, seja consciente e perseverante. À
medida que você recuperar-se, o profissional que o trata – sendo ético e
competente - certamente vai preparar uma estratégia para você ficar livre dos
remédios, diminuindo gradativamente suas doses até a retirada completa, se
possível. Não interrompa o tratamento com remédios psiquiátricos por conta
própria. Há uma chance muito grande você passar por uma crise, que exigirá
dosagens iguais ou maiores do que aquelas que estava tomando anteriormente.
Tomar remédios pelo tempo que for preciso para suprir as quantidades
de neuro-hormônios que nos faltam pode não ser um caminho muito agradável, mas
é extremamente necessário e pode nos levar a sofrer muito menos.
Uma visão espírita da questão
Se sabemos que pensamentos e sentimentos constroem nosso ânimo e beneficiam ou prejudicam nossa
saúde, certamente podemos nos ajudar. Manter pensamentos e sentimentos
construtivos e saudáveis é uma luta cotidiana de todos que querem se manter
bem. Se precisarmos da ajuda de uma leitura, de uma música, de uma atividade
física, de um amigo, um passe espiritual, ou de uma desobsessão, sejamos práticos.
André Luiz
nos ensina que os estados mentais – medo, culpa, remorso, frustração, raiva, só
para citar os mais envolvidos na depressão – são projetados no organismo humano
através dos bióforos, que são unidades de força psicossomáticas localizadas nas
mitocôndrias – organelas que existem em alguns tipos de células que funcionam
como “caixa de força”, pois produzem energia para todos as atividades
celulares. O termo bióforos foi criado por Augusto Weismann (1834-1914)
para referir-se aos elementos constitutivos
básicos das estruturas vivas.
Emmanuel referenda este ensinamento acrescentando que a
depressão interfere na mitose celular, podendo contribuir para o aparecimento
de câncer e outras doenças imunológicas, sobretudo a deficiência imunitária. A
medicina também confirma esta última assertiva integralmente. Pessoas
deprimidas ficam com seu sistema imunológico fragilizado e muito mais sujeitas
a infecções e outras doenças que dependem do seu bom funcionamento.
Acredito que esses condicionamentos energéticos emanados do
espírito alcançam os sistemas endócrino, nervoso, imunológico e mesmo de
multiplicação célula (mitose), comprometendo seu desempenho. Essa é a raiz não
só das deficiências de neurotransmissores, mas de todo o conjunto de mal estar
físico associado à depressão, como veremos a seguir.
Na depressão há uma perda de energia
vital, que deixa o organismo debilitado.
Nosso corpo, como sabemos, é
comandado pelo nosso espírito. Veja a visão carinhosa e esclarecedora de um
espírito amigo:
Depressão
– diz ele – é o desamor da alma por si mesma, pela vida, e suas perspectivas de
realização e de felicidade. Sem amor e sem esperança, a criatura deixa de
assimilar energia vital do cosmos. A sua vontade e motivação de viver
enfraquecem.
Mas como reverter essa situação?
Convivendo coma depressão
A
depressão chega sem aviso e atinge homens e mulheres em qualquer idade, de
crianças a pessoas com mais de 70 anos, passando por jovens muito saudáveis.
Quando chega, exige que o espírito se resolva e se depure, a partir do
confronto com os fatores que lhe enfraquecem emocional e fisicamente. Além do
tratamento médico e espiritual, muitas atitudes, contudo, podem mudar
favoravelmente a forma como a depressão será vivida e superada.
Comece repensando a questão do amor próprio. Gostar de si
mesmo e valorizar a própria vida – é condição necessária para que um indivíduo
tenha vontade de viver e de realizar-se, empregando suas potencialidades com
esse objetivo. Deus não criou ninguém incapaz para a vida.
A felicidade, por sua vez, não é uma porta aberta esperando
entrarmos, mas uma perspectiva a ser construída e sustentada ao longo da vida
por atitudes que tenham valor para nós e para nosso próximo e que irão compor a
nossa história.
Precisamos sonhar e construir as condições para realizar
nossos sonhos. Para isso, temos de acreditar em nós mesmos, em nossa capacidade
e na vida, como um caminho de realização que somos capazes de trilhar.
Um pouco de fé também é ajuda valiosíssima: precisamos
acreditar no Criador da Vida como um ser sábio, misericordioso e justo, para
que possamos aceitar a vida, como uma perspectiva positiva, amorosa e justa
para nossa evolução. Senão, qual o sentido da vida: trabalhar para pagar as
contas, ir ao Shopping Center e fazer umas farras de vez em quando?
Precisamos conviver com os outros
para sermos felizes, mas não devemos transformar a convivência em dependência
doentia, pois isso nos torna um peso para o outro, estimulando-o a nos
abandonar. Viver ao lado de alguém deprimido é algo que muitos não suportam.
O centro de gravidade que ancora a
nossa felicidade deve estar em nosso interior. Podemos deixar o outro compartilhar
desse centro e nós compartilharemos do centro dele. É assim que nos
enriquecemos afetivamente.
Cada um, no entanto, precisa
manter-se íntegro e independente, para garantir sua saúde emocional e poder construir
uma nova relação, se eventualmente a afinidade e a cumplicidade que sustentam a
convivência desaparecerem em algum momento, levando à separação. Em suma, para
estar feliz na relação com o outro, preciso ser feliz comigo mesmo, para ter
algo bom para compartilhar.
Xô
depressão com atitudes simples
Não se
deixe abater por problemas pequenos e passageiros. De a eles
a importância que devem ter: pouca ou nenhuma. Só isso vai diminuir substancialmente
seu desgaste na vida, tornando-o uma pessoa mais leve e agradável até para si
mesmo.
Não precisa ser palhaço nem simular
risadas, mas mantenha o bom humor. Ele é
prancha salvadora no mar das pessoas amargas, das que reclamam demais, dos pessimistas
e dos coitadinhos. Sem bom humor, você afunda no mar deles.
As conquistas que almejou e não
conseguiu poderiam tê-lo feito feliz ou infeliz. Não alimente frustração pelo que não conseguiu, senão o fracasso
por uma meta não atingida comprometerá as demais. Valorize as conquistas.
Se alguém o traiu, magoou,
infelicitou ou inferiorizou, sinta-se feliz por não ter sido você quem fez isso
com seu próximo. O erro foi dela, mas é você
quem decide quanto isso vai influenciar sua vida. Só você pode pôr fim ao
seu sofrimento. Perdoá-la, compreendendo suas limitações, dissolve por completo
o seu sofrimento.
Se errou e prejudicou muito a vida
de alguém, não fique curtindo culpa ou
remorso. Veja o que pode fazer para tornar o outro feliz. Se não puder
fazer nada por aquela pessoa que prejudicou ou infelicitou, faça por outra, mas
faça. Prove para você mesmo que se transformou num ser melhor e que já não
repete velhos erros, seja com aqueles que ama ou mesmo com aqueles que odeia.
Especialmente porque você já sabe dos prejuízos que esse sentimento lhe traz.
Menos conexão nas redes sociais, menos mensagens e mails e
games, menos viciação nos celulares, Ipads e computadores, e mais conexão
consigo mesmo, com seus sentimentos, com sua energia vital, com seu corpo físico,
com quem ama, buscando entender e harmonizar-se consigo mesmo e com o seu
próximo, pode ser uma ajuda valiosa para o autoconhecimento e o equilíbrio
emocional.
Quando
estiver triste e de cabeça quente, ao invés de ficar preso em seus sentimentos
num quarto, caminhe, exercite-se, respire fundo e tome sol pela manhã ou no
final da tarde, se possível num parque em meio à natureza. Fique apenas com
você, com as árvores, com as flores e com os pássaros. Assim você estará mais
perto de Deus e conectado coma parte harmoniosa da vida. Depois disso, o mal
que lhe atormenta certamente começará a sair pelas vias urinárias.
Meia hora de sol por dia lhe
garante a quantidade necessária de vitamina D – na verdade um poderoso hormônio
esteroide responsável por 229 funções do sistema imunológico e capaz de
ajudá-lo a superar a depressão. Querendo se aprofundar neste tema, pesquise
sobre o excelente trabalho que vem sendo desenvolvido pelo médico e cientista Cícero
Galli Coimbra.
A
combinação de mais oxigênio (respiração), mais circulação e nutrição das
células (movimento) e mais vitamina D (poder imunitário) vai leva-lo a ter
energia para evitar ou enfrentar a depressão.
Não alimente a depressão com seus
pensamentos e sentimentos. Se sentir presenças espirituais menos agradáveis,
leve-as a um centro espírita para tratamento. O bem estar delas vai ajudar sua
caminhada.
Ser feliz não é uma obrigação, mas
um prazer ao seu alcance, quase todos os dias, nunca 24 horas, senão você perderia a motivação da
conquista.
Persista. Você pode mandar a
depressão às favas!
*Adilson Gimenez Lorente é formado em Jornalismo e Medicina Tradicional
Chinesa.
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