A ginecologista e obstetra Maria das Dores Sousa Nunes, 40, especialista em Adolescência pela Universidade Federal da Bahia, trabalha há dez anos na Maternidade Wall Ferraz, no município de Teresina (PI), e há um ano e quatro meses está na sua direção, realizando, junto com alguns colegas, um trabalho mais humano com gestantes e bebês.
Abaixo, a médica, membro da Associação Médico-Espírita do Piauí, fala sobre a importância desse trabalho, apresentado, em 2005, no V Congresso Nacional da Associação Médico-Espírita do Brasil (Mednesp).
Esse trabalho tem uma abordagem muito natural e espontânea, ressaltando a vivência com as gestantes,e, muitas vezes com parceiro.Orienta a percepção do bebê desde o primeiro trimestre. O preparo é feito até antes da concepção, e independente de credo religioso. A equipe percebe claramente a boa receptividade e até mesmo a melhor qualidade deste pré-natal,em se tratando do desenrolar da gravidez.
O mais importante de tudo, é que vários casos de aborto tem sido evitados com esse trabalho.
Folha Espírita – Qual a experiência que você tem vivenciado em Teresina?
Maria das Dores Souza Nunes – A maternidade na qual trabalho e há um ano e quatro meses dirijo, Wall Ferraz, vem, há alguns anos, passando por um processo de humanização do atendimento às gestantes e ao recém-nascido. Dentro dessa ótica, recebeu o título de amiga da criança, e agora será implantado o Maternidade Segura, programa de ações que se desenvolvem e se padronizam em um local com o objetivo de diminuir as taxas de morbimortalidade materna. Tudo com apoio dos governos federal e municipal. Contamos com a presença de uma equipe multiprofissional (médicos, enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais e psicólogo) interessada em um atendimento que vislumbra a paciente como um ser energético e espiritual que transcende a matéria física, unindo forças para um objetivo comum. A idéia do curso gestante–acompanhante (uma oficina onde gestante e acompanhante, parceiro ou outro escolhido por ela, aprendem o que é estar grávida, o que é parir e o que é puerpério) surgiu para aconselhar as usuárias dessa maternidade e, assim, beneficiá-las no processo pré-natal e nascimento.
FE – Como é tratar uma paciente como um ser energético e espiritual que transcende a matéria física em um hospital público?
Maria das Dores – É percebê-la e compreender que seu corpo é energizado e motivado pela força do seu espírito e que a saúde ou a doença são expressão da condição mental.
FE – De quem foi a iniciativa?
Maria das Dores – A iniciativa de humanização é do Ministério da Saúde, mas, como já existia uma equipe já sensibilizada e com uma visão espiritualizada, estendemos a esse patamar.
FE – Como a direção do hospital vê esse trabalho?
Maria das Dores – Como disse, faço parte da direção da maternidade, porém há um reconhecimento geral das atitudes tomadas nessa maternidade.
FE – E como as mães vêem esse diferencial espiritual? Elas o percebem?
Maria das Dores – Elas percebem esse diferencial como qualidade de atendimento e muito se afeiçoam à equipe.
FE – Vocês estão realizando alguma pesquisa? Qual o objetivo da ação?
Maria das Dores – Não, não se trata de uma pesquisa, mas de uma filosofia de trabalho e vida. O objetivo dessa ação dentro dessa instituição é oferecer um atendimento humanizado, em que a gestante se sinta valorizada, acolhida e possa ser despertada para a realidade do ser espiritual que é, buscando equilíbrio e saúde e permitindo a chegada do seu filho num ambiente de harmonia e tranqüilidade.
FE – O que uma ação como essa afeta a vida da gestante? E a do bebê?
Maria das Dores – A gestação é um momento especial de amor, acolhida e aceitação de uma nova vida. Preparar-se para a chegada de um novo ser entendendo as modificações pela qual passa o seu corpo, preparando-o para o momento do parto, é uma forma de realização pessoal. O recém-nascido recebido num ambiente harmônico e conduzido pelos pais com amor e carinho terá as melhores condições e oportunidades de um desenvolvimento físico e espiritual.
08 junho 2006
25 maio 2006
Victor Hugo, o Brasil e o espiritismo.

É causa de orgulho para os espíritas ter entre seus melhores escritores, no plano espiritual, esse grande espírito de vanguarda que em sua última encarnação foi Victor Hugo. Através da psicografia de alguns médiuns ele vem constantemente nos presenteando com seus romances de alto teor doutrinário.
O próprio conteúdo dos livros já nos isenta de maiores questões quanto à veracidade do autor, isso sem falar da credibilidade dos médiuns. Mesmo assim, lendo recentemente o maravilhoso livro “os miseráveis”, publicado em 1862, ficou realmente muito fácil identificar as idéias cristãs, e o pensamento semelhante ao então recém criado espiritismo, conforme veremos abaixo.
Victor Hugo nasceu em 1802, em Besançon na França, e desde cedo mostrava um talento literário nato. Aos 15 anos participou de um concurso na Academia Francesa de Letras, e segundo Saint-Beuve, o autor cometeu uma imprudência ao indicar a própria idade, pois o trabalho denotava um espírito tão maduro que julgaram tratar-se de alguma mistificação. Mesmo assim foi classificado em nono lugar. Ocupou por muitos anos lugar de destaque na dramaturgia e literatura francesa, mas após o exílio imposto por Napoleão III, uma fonte inesgotável de grandes obras brotou da alma desse gênio, parecendo que o isolamento o fazia entrar em contato com idéias superiores.
Há duas questões importantes na relação de Victor Hugo com o espiritismo. Em primeiro lugar, porque haveria esse autor tão célebre de se dedicar à doutrina dos espíritos? A outra questão diz respeito à língua portuguesa. Como esse amante da França e de sua língua se dignaria a escrever romances em português?
Para responder a primeira pergunta vamos recorrer a trechos do livro “Os miseráveis”, que mostram a plena sintonia do escritor com a proposta crística (recomendamos ao leitor que também leia O último dia de um condenado à morte e O corcunda de Notre-Dame).
1) A crença na existência do mundo espiritual e de sua influência no plano carnal:
- “Nesse momento, pareceu-lhe ouvir uma voz que gritava às suas costas. Jean Valjean! Jean Valjean!
Seus cabelos se arrepiaram; transformou-se como alguém que ouve algo terrível.
Isso mesmo! Acabe com tudo de uma vez! Dizia-lhe a voz. Complete o que começou! Destrua esses castiçais! Apague essas recordações! Esqueça-se do Bispo!...
O suor corria-lhe pela fronte. Seus olhos espantados, não se afastavam dos castiçais. Contudo a voz que falava em seu íntimo ainda não se calara. E continuava – Jean Valjean! Ao seu redor sempre haverá vozes. Elas falarão bem alto, abençoando-o, mas uma única, que ninguém mais haverá de ouvir, o amaldiçoará nas trevas...
A voz, a princípio quase imperceptível, elevando-se do mais obscuro de sua consciência, tornara-se paulatinamente estrondosa e formidável, e ele chegava a ouvi-la distintamente. Parecia-lhe que saíra de si mesmo e falava agora como outra pessoa...
Realmente havia mais alguém, mas não podia ser percebido por olhos humanos.”
Ou Victor Hugo define com precisão a influência do mundo espiritual, ou ele realmente é um gênio e se adianta mais de 100 anos em seu tempo, colocando aqui a teoria das sub-personalidades e da psicossíntese, tão bem desenvolvida pelo Dr. Roberto Assagioli, médico psiquiatra cantado em verso e prosa pela venerável Joana de Angelis.
2) O destino obedece a causas passadas e segue os objetivos traçados pela espiritualidade.
“Outras fatalidades ainda deviam surgir. Seria ainda possível que Napoleão ganhasse aquela batalha? Respondemos que não. Porque? Por causa de Wellington? Por causa de Blücher? Não. Por causa de Deus. Que Bonaparte vencesse Waterloo não era coisa cabível nas leis do século XIX. Preparava-se nova série de fatos nos quais Bonaparte não tinha nenhum papel a representar. A má vontade dos acontecimentos já se tinha anunciado havia muito. Já era tempo do colosso tombar. O excessivo peso desse homem sobre os destinos humanos perturbava o equilíbrio... O sangue ainda quente, tantos cemitérios abertos, tantas mães em lágrimas, são motivos terrivelmente suficientes. Quando a Terra sente-se sobrecarregada, ouvem-se misteriosos gemidos saindo das sombras, ouvidos pelos abismos. Napoleão tinha sido denunciado ao infinito, e sua queda já estava decidida. Tornara-se incômodo a Deus”.
3) Confiança na sabedoria da vida, na proteção divina e no poder do livre-arbítrio.
“– Nunca devemos ter medo de ladrões ou assassinos. São perigos externos e os menores que existem. Temamos a nós mesmos. Os preconceitos é que são os ladrões; os vícios é que são os assassinos. Os grandes perigos estão dentro de nós. Que importância tem aquele que ameaça a nossa vida ou a nossa fortuna? Preocupemo-nos com o que põe em perigo a nossa alma. Não deve existir precaução alguma contra o próximo. O que o próximo faz é permitido por Deus. Quando pressentimos que algum mal vai nos acontecer, limitemo-nos a rezar. Rezemos, não por nós, mas para que o nosso irmão não venha a pecar por nossa causa”.
É importante ressaltar que esses são apenas alguns exemplos que nos traz o livro, pois se fossemos colocar todos os momentos da narrativa que possuem esse teor moralista cristão, tão do gosto do autor, com críticas sociais contumazes, essa não aceitação da hipocrisia da sociedade, teríamos que transcrever o livro.
Quanto à segunda questão, observemos alguns pontos:
1) Recorramos ao livro dos médiuns para responder essa pergunta. Capítulo 19 item 15.
OS MÉDIUNS NAS COMUNICAÇÕES ESPÍRITAS
“Kardec - 15ª Os Espíritos só têm a linguagem do pensamento; não dispõem da linguagem articulada, pelo que só há para eles uma língua. Assim sendo, poderia um Espírito exprimir-se, por via mediúnica, numa língua que jamais falou quando vivo? E, nesse caso, de onde tira as palavras de que se serve?
"Resposta dos espíritos - Acabaste tu mesmo de responder à pergunta que formulaste, dizendo que os Espíritos só têm uma língua, que é a do pensamento. Essa língua todos a compreendem, tanto os homens como os Espíritos. O Espírito errante, quando se dirige ao Espírito encarnado do médium, não lhe fala francês, nem inglês, porém, a língua universal que é a do pensamento. Para exprimir suas idéias numa língua articulada, transmissível, toma as palavras ao vocabulário do médium”.
2) Independente disso havia uma ligação entre Victor Hugo encarnado e o Brasil, conforme veremos abaixo. Pouca gente sabe, mas Victor Hugo conhecia o Brasil, manteve correspondência com alguns letrados, e era tido pelos novos pensadores, pelos abolicionistas como verdadeiro ídolo.
O Século 19 foi a época em que a cultura francesa mais influenciou o Brasil. Após o tratado de paz assinado entre os dois países em 1815, Dom João VI, então Imperador do Brasil, teve a idéia de criar a Academia Brasileira de Letras, e convoca uma missão de artistas para viajar a França, estreitando os laços entre essas nações. Poucos anos depois se iniciava o Romantismo, em oposição ao Classicismo, e que tinha em Victor Hugo uma de suas maiores expressões. A crítica social contumaz, idéias diferentes da época, onde os mais pobres deveriam participar mais da vida social e política, iam cada vez mais dourando a aura de Victor Hugo.
Charles Ribeyrolles, escritor francês, publica o Brasil pitoresco. Na verdade vários escritores franceses se interessaram por nossas terras exuberantes. Antes de acabar o terceiro volume de sua obra, Ribeyrolles desencarna e a classe de escritores brasileiros solicita a Victor Hugo que termine a obra, o que ele faz com prontidão, além de enviar calorosa carta ao povo brasileiro, onde dizia que o Brasil era sua segunda pátria. Nessa época, Victor Hugo está proscrito na ilha de Guernesey na Inglaterra.
Sempre acompanhando os movimentos de classe no Brasil, em 1871, Victor Hugo publica num jornal Belga um artigo parabenizando a criação da Lei do ventre livre, que liberava, a partir de então, todos os recém-nascidos de pais negros. O Imperador Dom Pedro II, através do Visconde do Rio Branco havia promulgado essa lei. Em 1884 os estados brasileiros do Ceará e do Amazonas libertaram seus últimos escravos, fato que também mereceu menção positiva do nosso escritor.
Outro fato pitoresco é o conjunto de poemas dirigidos a Rosita Rosa, publicados em 1865 nas Chansons de rues et de bois. A segunda e a sétima estrofes do poema "Gare!" revelam que a musa vem do Brasil e que ela tem pés pequenos, característica típica das mulheres brasileiras.
Num de seus melhores livros, Les Travailleurs de la mer, encontram-se, também, alusões diretas ao Brasil: "Na cidade do Rio [de] Janeiro, ele tinha visto as mulheres brasileiras colocarem, à noite, em meio aos cabelos, pequenas bolas de gaze, contendo cada uma vaga-lumes (sic), bela mosca de fósforo, o que as deixa penteadas de estrelas".
O próprio imperador Dom Pedro II foi um de seus mais ardentes admiradores e mais fiéis leitores. Ele visitou o poeta em 1877, durante uma de suas estadas em Paris, conforme se lê no livro de Gustave Rivet, Victor Hugo chez lui, (2) e conforme o registro contido em "Les carnets de Victor Hugo", (3) publicados pela Revue des Deux Mondes. É sempre interessante lembrar o livro de Emanuel / Chico Xavier – Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho - onde o autor nos mostra que Dom Pedro II seria um grande servidor de Jesus – Longinus – que viveria a sua última encarnação na Terra caso se incumbisse bem de sua tarefa iluminada. Com exceção da guerra do Paraguai, nosso Imperador conseguiu mostrar seu brilho espiritual, adquirido as custas de lutas árduas em outras vidas. Podemos até aventar a hipótese que esses dois personagens, amantes do belo e da verdade, teriam se envolvido profundamente com a causa de Ismael, protetor do Brasil, estando Victor Hugo dando continuidade a esse trabalho.
Com base nesses fatos, fica muito fácil entender a ligação desse ilustre gênio da literatura, que hoje contribui na divulgação do consolador prometido. Salve Victor Hugo! Um brasileiro da Gema.
05 maio 2006
A triste escolha

Chorando em seu leito, Joana dava vazão a tristeza. Parecia que haviam se passado séculos, desde que se decidira por esse ato que agora lhe enojava. Ainda podia sentir as dores lancinantes. Era como se um fogo abrasador queimasse suas entranhas, e de certa forma era isso mesmo que acontecia. Mas agora, o fogo do arrependimento era pior.
Na sua cabeça fervilhavam perguntas sem respostas. Porque fora se envolver daquela forma? Como não tinha se precavido, evitado aquela gravidez indesejada? Porque descera tanto a ponto de tirar a vida de um ser inocente?
A memória, essa companheira cruel em alguns momentos, insistia em reprisar todo o filme em sua cabeça. Conhecera Rogério em uma festa. Rapaz bonito, falante. Rapidamente entraram numa comunhão de idéias e pensamentos. Em poucos dias eram inseparáveis. Ambos já eram experientes em assuntos da sexualidade e se permitiam usufruir momentos de intimidade cúmplice, recheados de carinhos, palavras sussurradas em meio a promessas de validade duvidosa.
Joana usava pílula anticoncepcional há anos, mas relembrando agora os fatos ocorridos, parecia que inconscientemente ela queria mesmo aquele filho, pois esquecia o medicamento e fingia não ver que sempre sobravam mais comprimidos do que dias na agenda. Quando percebeu que podia estar grávida, o que foi confirmado pela coloração azul do teste da farmácia, se sentiu invadida por um misto de alegria e receio. Era evidente que gostava de Rogério, mas qual seria a resposta dele. Do choque inicial, ele passou a promessas de união eterna, que foram pra ela como um bálsamo, mas no outro dia, e em todos os outros ele simplesmente nunca mais voltou.
Odiando aquele ser que tinha tirado de sua vida sua maior paixão, e a atrapalhava a sair, pois os enjôos eram freqüentes, ela decide tomar a pílula abortiva, porém pelo tamanho adiantado do feto, entra em um processo de cólicas intensas, sem conseguir expulsar o filho, acabando na mão um médico inescrupuloso que realiza o assassinato a peso de ouro, não trinta moedas, mas milhares delas. Agora estava em casa, e sangrando, enfraquecida, com vergonha de contar a mãe o ocorrido, entra num torpor, causado pela queda de pressão, acordando dias após na UTI de um hospital da cidade.
O que aconteceu naquele meio tempo, foi tão real, que não pode duvidar. Ela se via saindo do corpo, com uma roupa diferente, caminhando por um corredor imenso, uma espécie de Hospital. De repente sente-se atraída para um quarto, onde repousa o corpo de uma criança adormecida. Ao lado do bebê, a vozinha desencarnada a tantos anos. Espantada por se encontrar com a avó, o primeiro pensamento é que tinha também morrido. A avó se levanta, indo ao seu encontro, abraçando-a com ternura. Ah, sensação maravilhosa! Necessitada de apoio e compreensão, desabafa com a avó, deixando que toda a tristeza represada naqueles dias sejam expelidas como um fel amargo.
Esperando que a neta colocasse pra fora toda aquela energia negativa, mostra a ela a criança, aquela que ela acabara de impedir que nascesse.
- Filha do meu coração, acalma teu espírito! A misericórdia divina é infinita e nos espera sempre.
- Mas vó, então é verdade que o feto já carrega a vida?
- Joana, o espírito eterno que iria reencarnar como seu filho já se encontrava ao seu lado há vários meses, se ambientando energeticamente, se preparando para mais uma prova no abençoado planeta Terra.
- Mas como isso é possível?
- Filha querida, a vida é sempre contínua, não há intervalos. Nascemos e desencarnamos centena de vezes em busca da perfeição. No plano divino não há acasos. Tudo segue uma programação amorosa, então é mais que natural que os futuros filhos procurem, quando possível, conhecer as futuras mães, e conviver com elas algum tempo, se ambientando em seus futuros lares.
- Mas o que será dele agora?
- Esse nosso irmão que viria como seu filho, na verdade não iria viver mais do que alguns dias. Nasceria com um problema genético grave, resgatando assim débitos passados que todos carregamos em nosso psiquismo. Necessita agora de repouso e isolamento, a fim de se preparar para novos embates. Você foi trazida aqui para entender esse processo, pois os seus pensamentos de culpa e desespero não o deixam se desligar da hora fatídica do aborto. Pense um pouco filha, eleve seus pensamentos a Deus e peça forças para uma nova oportunidade no futuro. Tente conversar com esse irmão de forma sincera e amorosa, dizendo a ele o quanto você sente, mas permitindo que ele possa seguir em frente sem ser atingido por seus pensamentos tumultuados.
Animada pela energia amorosa da avó, Joana se ajoelha ao lado da cama, e eleva sinceramente seus pensamentos a Deus. Há quanto tempo não fazia isso? Nem se lembra. Era incrível que após tudo que fizera ainda continuava a atrapalhar a recuperação daquele ser que só pedia uma chance. E ela negou. Envolvida pelo mais sincero desejo de encerrar aquela fase em sua vida, conseguiu se concentrar e com a ajuda da avó, cortar os laços energéticos que prejudicavam o feto, mudando o curso de seus pensamentos.
Encerrada a prece, viu a avó se afastar aos poucos, ir sumindo, era como uma queda. Voltava ao corpo físico. A visita ao plano espiritual permaneceu viva em sua mente por muitos dias, até a sua plena recuperação.
Não poderia voltar atrás no que fizera, mas sua vida nunca mais seria a mesma. De todas as formas evitaria optar novamente por aquela triste escolha.
17 abril 2006
O Que Imaginamos Ser a Reencarnação é, Apenas, Memória Genética?”
Caracteres anatômicos, isto é, elementos que compõem a aparência física do ser humano, bem como caracteres fisiológicos, ou seja, aqueles que se referem ao funcionamento de órgãos, aparelhos e sistemas biológicos são determinados por herança genética.
Em função dos mais elementares princípios da genética, sabe-se ser possível herdar a cor azul dos olhos do nosso bisavô, ou outro ancestral mais distante mesmo que as gerações subseqüentes ao mesmo não tenham manifestado esta característica.
Os genes (genótipo) que ocasionam uma determinada aparência física ( fenótipo), neste caso cor azul dos olhos, embora estivessem presentes em nosso pai e avô, não expressaram a mencionada característica por terem sido encobertos por genes de característica dominante, olhos castanhos .
Isto significa, em nosso exemplo, que pelo fato do gene olhos castanhos estar também presente no genótipo (conjunto de genes) dos descendentes, o fenótipo azul não se expressou nas duas gerações anteriores, em função do gene azul ser recessivo, isto é, dominado pelo gene castanho.
Sem pretendermos qualquer aprofundamento nas explicações do mecanismo da hereditariedade, fica evidente ser possível herdar peculiaridades anatômicas ou fisiológicas de ancestrais longínquos.
Paralelamente aos caracteres morfológicos e funcionais, cuja herança genética decorre da composição dos genes paternos, estariam também sujeitos a mesma herança os caracteres psicológicos? E, da mesma forma, seria possível herdar o psiquismo de antepassados distantes?
Esta é uma tese que nos apresentam para questionar as recordações de vidas anteriores. Conforme a hipótese da “memória genética”, uma criança ao “imaginar recorda-se de sua vida pregressa” estaria apenas expressando informações, embora reais, arquivadas em seus genes, decorrentes de experiências vividas por seus ancestrais e transmitidas hereditariamente.
A princípio, parece não ser destituído de lógica tal raciocínio, mesmo porque, freqüentemente o processo reencarnatório pode ocorrer na mesma família, e não é raro, na terceira ou quarta geração, ocorrer o renascimento de um indivíduo como bisneto ou tataraneto dele mesmo.
Portanto, as recordações de sua existência passada são, nada mais e nada menos, que a história do seu próprio bisavô. Para os céticos, isto parece reforçar ainda mais a hipótese da memória genética.
A teoria da memória genética teve ampla aceitação por parte de fisiologistas, psicólogos e especialmente psicofisiologistas de formação rigorosamente materialista para os quais caracteres psicológicos são derivados da fisiologia cerebral do homem. Consideram que o sistema nervoso não é apenas a sede da alma, mas própria alma.
Portanto, o espírito com todas as suas manifestações, seria apenas o resultado das complexas reações físico-químicas operadas no cérebro, em resposta aos estímulos externos e internos captados pelos sentidos ou outros meios, e levados àquele órgão via rede nervosa de todo o organismo.
Diversas teorias psicológicas baseadas no comportamento animal, especialmente a psicologia animal, trouxeram grande reforço para tais idéias. A hipótese de herança psíquica, ou memória genética, encontra significativos alicerces no estudo do comportamento de mamíferos, répteis, pássaros e até vermes platelmintos. Certos tipos de comportamento, como o de exibição, meneio de cabeça, incitamento, corte do macho para a fêmea, etc., demonstram sua origem hereditária.
Willian C. Dilger efetuou um interessante estudo sobre o comportamento de periquitos. Conforme pode se observar, nos casos de hibridagem, os indivíduos resultantes do cruzamento herdam as duas formas de comportamento dos pais. Assim, o periquito de “Fisher” tem o hábito de transportar no bico uma tira de fibra vegetal de cada vez, visando construir seu ninho. Ao contrário, o periquito “cara-côr-de-pêssego” carrega várias tiras de cada vez, entre as penas.
Quando um híbrido começa a construir seu ninho pela primeira vez, age de forma completamente confusa, levando as tiras ou palhas ora de uma forma ora de outra. Somente após três anos ele fixa o comportamento de carregar a tira no bico, mas uma vez ou outra, ele tenta colocar as tiras entre as penas. (Dilger, W.C. 1962).
Considera-se que tais caracteres de comportamento representam uma forma de memória ancestral que se fixou definitivamente. É provável que a nossa estrutura cerebral deve nos induzir, mas não determinar, a uma tendência de comportamento e, talvez uma maior ou menor facilidade na apreensão da realidade ou maneira de conduzir o pensamento.
Seriam então os arquétipos de Jung oriundos de experiências ancestrais que arquivar-se-iam nas delicadas estruturas nervosas e posteriormente seriam transmitidas aos descendentes através de genes ao longo de gerações. Esta, portanto, é a tese de memória genética.
No entanto, a tese mencionada estaria estribada em alguma experimentação cientificamente consistente? Para todos nós, estudiosos da Reencarnação, é importante conhecer como os filósofos, psicólogos e muitos pensadores tem debatido este problema.
A possibilidade de memória genética ser capaz de transitar ao longo de várias gerações, para eclodir em forma de recordações simulando lembranças reencarnatórias, tem sido utilizada para justificar muitos casos. Analisemos a questão com a maior neutralidade possível.
J B. Best, em 1963, efetuou interessante trabalho com planárias que são vermes platelmintos. Nesse trabalho, o autor demonstra transmissão aos descendentes dos reflexos adquiridos pelo platelminto, em laboratório. Memória genética? Vejamos.
Conforme diversas outras pesquisas, uma molécula gigante e especial chamada RNA (ácido ribonucleico ) parece ser a responsável pela transmissão e ou registro de memória. Vejamos a curiosa experiência desenvolvida por Wiliian C. Corning, na universidade de Rochester:
Como é do conhecimento daqueles que conhecem zoologia, as planárias quando adequadamente cortadas em fragmentos, regeneram as partes secionadas. Além disto, até fragmentos menores e sem cabeça podem regenerar uma planária completa.
Observou-se que planárias previamente treinadas em laboratórios ao terem partes cortadas, estas partes não só se regeneram completamente como mantém todo o aprendizado. Mas o fantástico foi que se observou na sequência da investigação.
As planárias regeneradas a partir de pequenos pedaços mantinham o aprendizado adquirido enquanto que outras, regeneradas dentro de uma solução aquosa contendo uma enzima que destrói o RNA (ribonuclease), perderam a memória. Portanto, sérios indícios havia de que o RNA poderia ser a molécula transportadora da memória de um aprendizado.
Reforçando ainda mais esta tese, McConnell, Jacobson e a Dra. Bárbara Humphries desenvolverem o seguinte trabalho:
Planárias não treinadas foram alimentadas com fragmentos de outras planárias previamente treinadas, O resultado foi incrível: os vermes não previamente ensinados passaram a adquirir, em grande parte, o condicionamento dos que lhes serviram de alimento. Literalmente, comeram do conhecimento...
Supõe-se que as planárias canibais ao ingerirem as outras que foram treinadas, absorveram o RNA e, como este atua na síntese de proteínas, estocaram o reflexo condicionado adquirido pelos vermes anteriores.
Ratos também foram utilizados em experiências semelhantes por Ungar. Como é notório, estes roedores têm nítida preferência por locais escuros, onde parecem se sentir mais protegidos por predadores. Invertendo esta peculiaridade natural destes animais, Ungar, usando descargas elétricas provocou choques nos mesmos, ensinando-os a temerem o escuro.
Posteriormente, preparou um extrato feito com cérebro desses roedores e aplicou-o, por injeção, ao abdômen de ratos não ensinados. O que sucedeu foi que esses últimos passaram a fugir da escuridão, de maneira semelhante aos primeiros. À medida que se aumentava a dose do extrato injetado, maior o temor a escuridão que apresentavam.
Como vemos, a hipótese da memória genética merece ser analisada com cuidado. Inicialmente, é importante lembrar que o código genético já possui seu mecanismo básico esclarecido. Não é o RNA, a molécula responsável pela transmissão dos caracteres hereditários aos descendentes.
Considera-se suficientemente alicerçada em fatos e amplamente aceita a hipótese de que a informação genética está armazenada em outra molécula gigante: o DNA (ácido desoxiribonucleico). O DNA é a molécula mestra de todas as atividades celulares e a única capaz de se autoduplicar. Um gene corresponde a uma fração de DNA. Através do DNA, e não do RNA, o espermatozóide e o óvulo levam as informações e o código genético de todas as características de um novo ser.
O DNA está localizado no núcleo das células e envia seu comando, ou informações, por uma molécula a ele subordinada que é o RNA. Este último é o mensageiro que conduz ou transporta as determinações do DNA. Razão por isto, enquanto o RNA não se destrói ou não se perde, funciona apenas como um depósito privisório de informação. Além disso, o DNA é quem comanda a síntese ou formação do RNA. Este último é o efeito e não a causa.
Como somente o DNA detém o código genético, as informações adquiridas em função de absorção, ou introdução, de RNA carregadas de informação, não se tornam hereditárias.
Como explicar, no caso das planárias a transmissão do reflexo condicionado às suas descendentes? Isto não é difícil.
Não podemos esquecer que a referida transmissão ocorreu quando a regeneração destes platelmintos se efetuou por seccionamento. Partes que irão gerar outros indivíduos possuem ainda certa quantidade de RNA-mensageiro, portador da informação. Lembrar que as planárias regeneradas em soluções
contendo ribonuclease (enzima destruidora de RNA) não geraram indivíduos portadores dos reflexos. Isto significa que os genes ou DNA do núcleo das células, não sofreu alterações. Em síntese, não houve transmissão genética de memória adquirida, significando, portanto, não ter havido memória genética.
Quanto aos ratinhos que receberam o extrato feito de cérebro de outros ratinhos treinados, não consta, da referida experiência, que seus descendentes nascessem com aversão ou temor a escuridão, ou seja, não houve memória genética.
Hydén e seu colega Joseph T. Commins, apresentaram no Congresso Internacional de Bioquímica, em Moscou, importante trabalho onde, entre outros temas, aborda o problema do papel do RNA no mecanismo da memória. Considera, o cientista, que o desempenho do RNA é muito mais especulativo e é oferecido somente para incentivar uma posterior discussão. Hydén afirma que “A maioria dos neurofisiologistas admitirá que está faltando uma satisfatória explicação para a memória”.
Sem dúvida, caracteres de comportamento herdados geneticamente não são o mesmo que recordações de eventos ou de imagens. Se o mecanismo da memória no que tange ao seu armazenamento pode estar sendo elucidado, parcialmente; sob o ponto de vista psicológico deve ser considerado que, processos de recordação de cenas de vidas passadas ainda não podem ser explicados por memória genética.
Parece, também, duvidoso que a questão da memória pode se limitar pura e simplesmente a questão da estocagem, ao estilo dos computadores, através dos códigos químicos contidos nas moléculas de RNA e DNA de nosso cérebro. Na oportunidade, lembramos que na Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos da América, existem arquivos referentes aos 2000 casos de memória extracerebral estudados por Ian Stevensen.
Necessário é que sejam valorizadas as experiências com planárias e ratos acerca das transferências de aprendizado dos mesmos. Destas experiências, derivar-se-ão outras, importantes para a confecção de modelos teóricos para começarmos a, entender, um pouco mais, o mecanismo da memória. No entanto
cremos que os novos modelos da ciência irão gradativamente, incluindo os fatos bem documentados da memória extracerebral.
Recomendamos para um estudo profundo do tema, a obra do Dr. Hernani Guimarães Andrade, “Reencarnação no Brasil”. Valorosa, também, a citação de Marilyn Ferguson, no editorial do Boletim Brain Mind:
“Nossos cérebros constroem matematicamente a realidade concreta, interpretando freqüências vindas de outra dimensão, um domínio da realidade primária, ordenada e significante que transcende o tempo e o espaço. (...)”
As lembranças de vidas passadas, tão comuns em infantes, não podem ser atribuídas, cientificamente, a genes recebidos de antepassados. Tratam-se de registros energéticos existentes na estrutura extrafísica (espiritual) da própria criança. Registros estes, decorrentes de fatos efetivamente vivenciados em outras encarnações.
A possibilidade de experiências vividas por ancestrais longínquos transitar, sem manifestação, por muitas gerações para aparecer subitamente em uma criança (memória genética) simulando lembranças reencarnatórias, não apresenta nenhuma solidez científica, é apenas uma mera hipótese.
07 abril 2006
INSÔNIA

É cada vez mais comum ouvirmos no consultório a seguinte frase : - Doutor, me receita um remédio pra dormir! Alguns ainda exigem a prescrição de determinados remédios, pois já experimentaram todos e sabem que no caso deles, alguns funcionam melhor.
Vivemos a época das pílulas milagrosas. Compramos milagres em cápsulas, diariamente e nosso limite é o Céu. Lutero teria de encarnar novamente para lançar uma contra reforma!
Deixemos que a ciência oficial trate da insônia, mas seria interessante abordar alguns aspectos do sono do ponto de vista espiritualista.
A llan Kardec, nos diz no Livro dos Espíritos, no capítulo que versa sobre a emancipação da alma, que o espírito nunca está inativo, e aproveita as horas de sono para manter relação direta com o plano espiritual, entrando em contato com espíritos encarnados e desencarnados, e visitando lugares bons ou ruins de acordo com sua evolução, de acordo com o que permite a sua própria energia. Isso explica o motivo pelo qual podemos acordar completamente descansados e inspirados e outros dias acordamos mais cansados do que nos deitamos.
Não é incomum, durante os tratamentos no centro espírita, observarmos que algumas pessoas simplesmente não conseguem dormir porque trazem a casa repleta de espíritos desencarnados que por algum motivo querem prejudicar aquela família, pois é da lei que colhamos hoje o que semeamos ontem. Vemos também que uma das causas frequentes de insônia é o despertar da mediunidade. Durante o entorpecimento natural do sono, quando o espírito começa a se despreender do corpo físico como faz toda noite, esses médiuns novatos começam a ver o ambiente espiritual da casa. Então com medo e receio do desconhecido, recusam-se a dormir, causando problemas enormes para a economia física, e no entanto, seria muito mais fácil estudar e entender o processo mediúnico, se libertando de receios infundados, baseados em crendices.
Se imaginarmos nossa noite de sono como uma viagem a ser empreendida, facilmente compreenderemos que alguns simplemente sabotam seu próprio sono. Qualquer viagem, por menor que seja, exige um preparo mínimo. Verificamos o melhor caminho, a roupa que levamos, o dinheiro, o local onde ficaremos etc..., mas a maioria de nós não consegue nem fazer uma prece antes de dormir. Para alguns não há antídoto melhor para insônia do que iniciar uma prece ou uma leitura edificante. É fatal ! É começar e cair no sono.
Deitamos na cama, nos preparando pra dormir, repletos de problemas, trazendo uma enormidade de situações mal resolvidas, e queremos que nossa noite seja tranquila. Jesus nos diz que onde estiver nosso tesouro, aí se encontrará nosso coração. Como esperar noites tranquilas, acompanhadas pelo nosso anjo da guarda, nosso mentor espiritual, se passamos o dia de forma agitada, ansiosa, intranquila? Com certeza nosso espírito estará junto daqueles e das coisas as quais voltamos nosso sentimento.
Deixemos de ser cristãos de templos, nos preocupando com Jesus somente quando estamos na nossa casa religiosa, e com certeza teremos noites tranquilas, de sono reparador. Refletindo nisso, chegamos a conclusão que dormimos com nosso maior inimigo, nós mesmos.
Os livros de Divaldo Pereira Franco nos relatam inúmeros casos de trabalhadores do bem, encarnados, que aproveitam suas noites de sono na continuação dos trabalhos de ajuda espiritual iniciados durante o dia. Quantos benefícios não colhem esses trabalhadores, aproveitando cada minuto para sua evolução. Cada um encontra o que busca. O que passa o dia acumulando raiva, desentendimentos e stress, com certeza terá uma noite bem diferente daquele que tenta viver em paz consigo mesmo, exercendo sua religiosidade de forma segura.
Pensemos nisso. Paz e luz a todos!
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