20 abril 2011

Chico Xavier fala sobre Mediunidade

MEDIUNIDADE

O que é desenvolver mediunidade no conceito de Emmanuel?

Ele crê que desenvolvimento mediúnico deveria ser a nossa dedicação ao aperfeiçoamento pessoal para servirmos de intérpretes àqueles que habitam a vida espiritual e, ao mesmo tempo, começar muito cedo o trabalho na pauta da obediência e da fé de que todos carecemos perante as Leis de Deus.

Que é mediunidade, no significado real de sua essência?

Mediunidade, na essência, é afinidade, é sintonia, estabelecendo a possibilidade do intercâmbio espiritual entre as criaturas, que se identifiquem na mesma faixa de emoção e de pensamento.

Como alcançar bom aprimoramento de potencial mediúnico?

Reflitamos no assunto do ponto de vista da mediunidade em trabalho edificante. Que se aperfeiçoe o violino, e o artista encontrará nele as mais amplas facilidades de expressão. Sem cooperador habilitado, a tarefa surge deficiente. A mediunidade, em si, depende do médium.

Diga-nos o que deve fazer, dentro de suas capacidades, um médium, para poder ser completo e útil ao Plano Espiritual?

Devotamento ao Bem do próximo, sem a preocupação de vantagens pessoais - eis o primeiro requisito para que o medianeiro se torne sempre mais útil ao Plano Espiritual. Em seguida, quanto mais o médium se aprimore, através do estudo e do dever nobremente cumprido, mais valiosa se torna a execução de tarefas com os Instrutores da Vida Maior.

Que é que pode ser mais prejudicial a um médium?

O egoísmo que se fantasia de vaidade e orgulho, quando o medianeiro procura irrefletidamente antepor-se aos Mentores Espirituais que se valem dele. Ou o mesmo egoísmo, quando se veste de ociosidade ou de escrúpulo negativo, para fugir à prestação de serviço ao próximo.

Qual a razão de algumas pessoas possuírem dons mediúnicos na Terra, desde o berço, e outras, após muito trabalho, é que conseguem conquistar alguns desses valores?

Quando se trate de mediunidade em ação na cultura ou no progresso espiritual, a bagagem de recursos do medianeiro emerge das suas próprias aquisições de Espírito, efetuadas em existências pretéritas, outorgando-lhe a possibilidade de colaborar com mais eficiência ao lado de quantos pugnam, no Além, pelo aperfeiçoamento e a felicidade da comunidade humana.

Como podemos entender o chamado "planejamento espiritual"?

Mentalizemos o planejamento que antecede a formação de um núcleo populacional ou de uma família na Terra, com os recursos possíveis de previsão e teremos exatamente a idéia do que seja o "planejamento espiritual" para qualquer organização que proceda do Plano Espiritual para o Mundo Físico.

Como encarar as diversas demonstrações mediúnicas existentes e praticadas fora da Doutrina Espírita?

Os fenômenos medianímicos existiram em todos os tempos. E, em todos os distritos da atividade humana, continuam a existir. A Doutrina Espírita é o Cristianismo Redivivo, esclarecendo mediunidade e médiuns para que as ocorrências mediúnicas edifiquem elevação e proveito em auxílio da Humanidade.

Os "anjos de guarda", que são?

Os bons Espíritos, benevolentes e sábios, mormente aqueles que se nos fazem familiares, se erigem, no Mais Além, à condição de mensageiro de apoio ou guardiães abnegados daqueles companheiros que ainda se vinculam à vida física.

Quais são os principais sintomas, tanto físicos quanto psicológicos, que a pessoa apresenta para que diagnostique-se mediunidade acentuada?

Os sintomas podem ser variados, de acordo com o tipo de mediunidade. Irritabilidade, sonolência sem motivo, dores sem diagnóstico definido, mau humor e choro inexplicável podem indicar necessidade de esclarecimento e estudo.

O que acontece para uma pessoa que se recusa a desenvolver sua mediunidade, já que esta mediunidade pode ajudar muitas outras? Haverá algum castigo ou cobrança?

Energias que não doamos podem ser fator de desequilíbrio em nossas vidas. Nossa consciência, em geral, nos cobra uma atitude perante as tarefas que nos cabem. Praticando o Bem em qualquer parte, estaremos colocando nossa mediunidade a serviço de todos. André Luiz afirma: "Todo Bem que não se faz é um mal que se pratica".

Como saber distinguir efeitos mediúnicos de doença física? Por exemplo: as dores de cabeça e de estômago.

A segurança em distinguir efeitos da mediunidade de sintomas de doenças físicas, só pode ser alcançada com a educação da própria mediunidade. O ideal é que inicialmente se procure um médico para certificar-se que o mal não é físico e, uma vez confirmada a inexistência de doença, deve-se procurar a orientação espiritual.

Dentro da psicofonia, se um médium dá passividade constantemente para irmãozinhos sofredores, tristes e chorosos, isso significa que o médium não está com a sintonia elevada?

Todo médium deve estar em equilíbrio para trabalhar num grupo mediúnico. Quando dá manifestação a Espíritos sofredores, pode lhes proporcionar alívio e paz. Existem médiuns que têm energias específicas para socorrer Espíritos suicidas, muito sofredores; essa é a missão dos médiuns de desobsessão. Não é, portanto, um desequilíbrio.

Muitos candidatos à mediunidade nos aparecem, confessando, no entanto, sua predileção pelo vício de fumar. Que fazer nestes casos?

Ponderam os Mentores da Vida Maior que o vício da utilização do fumo cotidianamente é considerado dos menores vícios da personalidade humana. Não obstante, qualquer candidato à mediunidade cristã deverá esforçar-se diariamente por superar suas próprias inibições, consciente de que o quadro de serviços redentores a que se candidata exigir-lhe-á renúncias e abnegações incessantes em favor do próximo. Dentro deste particular é que os Amigos Espirituais nos dizem que, principalmente nas tarefas de auxílio desobsessivo e nas tarefas de alívio aos doentes, é totalmente desaconselhável o hábito de fumar. Assim, sendo, os médiuns psicofônicos, os passistas e os de efeitos físicos fazem muito bem quando abandonam o cigarro.

Muitos candidatos à mediunidade nos dizem que sofrem assédio de entidades infelizes e acabam desistindo do serviço mediúnico, justificando-se pelos impedimentos emocionais que carregam. Que dizer de semelhante situação?

Curiosa esta pergunta, porque também passamos por esta experiência. Um ano antes de transferimos nossa residência de Pedro Leopoldo para a cidade de Uberaba, por volta do ano de 1959, uma crise alucinante de labirintite nos atacou. O desconforto que a doença causava, com aquele barulho característico, dentro do próprio crânio, nos alterou o estado emocional. Quase não conseguíamos a necessária concentração para a tarefa psicografia nas reuniões públicas do Centro Espírita Luiz Gonzaga. Estávamos intranqüilos. Quando aquele tormento atingiu seu ápice, procuramos nosso médico oftalmologista, na época o Dr. Hilton Rocha, de Belo Horizonte. Dissemos a ele:
Dr. Hilton Rocha, eu já não agüento mais esta labirintite que me atazana. Este barulho incessante me tonteia e já não posso atender às minhas obrigações de psicografia com a tranqüilidade desejável. De modo que o senhor tem a minha autorização, caso esta labirintite for causada pela minha enfermidade dos olhos, para remover os meus globos oculares. E o senhor pode arrancar os meus olhos, por que eu preciso continuar trabalhando...
O Dr. Hilton Rocha nos tranqüilizou dizendo que, de forma alguma, a labirintite era devida às nossas enfermidades oculares. Recomendou-nos paciência e disse-nos que tudo iria passar. De fato, quando instalamos em definitivo aqui em Uberaba a crise de labirintite passou. Recentemente, no entanto, a questão voltou, mais ou menos há uns dois anos, com grande intensidade. Desta vez não só ouvimos o barulho característico da labirintite, como também registramos a voz nítida dos espíritos inimigos da Causa Espírita-Cristã, perturbando-nos a tranqüilidade interior. Esta presença de espíritos infelizes, desde então, tem sido uma constante. Ouvimos-lhe diariamente os ataques à Mensagem Cristã e à Doutrina Espírita; as sugestões desagradáveis; as induções ao desequilíbrio; os sarcasmos em relação aos episódios por nós vividos no decorrer desta existência; as alusões ferinas às ocorrências menos dignas de nossos círculos doutrinários; as calúnias em relação a fatos conhecidos por nós; e até maledicências dirigidas ao nosso círculo de amizades. Tudo isto de forma tal que nos sentimos tolhidos na liberdade de pensar. Nossos Amigos Espirituais classificam este tipo de atuação como sendo PENSAMENTOS SONORIZADOS dos obsessores em nós mesmos. Dr. Bezerra de Menezes nos recomendou muita calma em relação ao assunto, incentivando-nos, inclusive, a conversar com estes irmãos infelizes pelo pensamento, mostrando-lhes o ângulo de visão que nos é próprio e rogando-lhes paciência e compreensão para as nossas atividades mediúnicas. Mesmo assim, apesar de estarmos tentando dialogar com estes espíritos, somente em 80% dos casos eles desistem do sinistro propósito de nos retardar as tarefas. Assim, ainda 20% deles continuam renitentes em seu desiderato infeliz. Outro dia mesmo recorremos à viligância de nosso mentor Emmanuel, e ele nos pediu mais paciência. Segundo a afirmativa dele, isto ainda duraria por algum tempo e em breve tudo voltaria ao normal.

Em algumas reuniões identificamos discussões estéreis em torno de opiniões particulares e pontos de vista exclusivistas de determinados médiuns, que os conduzem, muitas vezes, ao afastamento do serviço, carregando no coração mágoas e desapontamento com a direção das reuniões e dos Centros Espíritas. Como devemos agir diante dos que se afastam das tarefas?

O quadro de nossas responsabilidades diante da Mensagem Cristã do "Amai-vos uns aos outros" é tão vasto, os serviços ainda incompletos e as tarefas por realizar em nome do amor ao próximo se desdobram com tanta intensidade que, sinceramente, cabe-nos a solução de aproveitar o tempo disponível às nossas limitadas possibilidades, trabalhando e servindo sem cessar em nome do Bem geral. Não podemos nos dar ao luxo de correr atrás daqueles que abandonam o serviço espiritual, a pretexto de lhes oferecer explicações e homenagens. Isto porque nossas obrigações aí estão, exigindo-nos tempo e dedicação, e não podemos perder tempo. Se fulano ou ciclano considerou por bem abandonar as próprias obrigações espirituais, por este ou aquele melindre, que podemos nós fazer? Entreguemos-lhe, pela oração, à Bênção Misericordiosa de Deus, o Pai Amoroso de todos nós, e, por nossa vez, perseveremos no trabalho do Bem até o fim.

Qual o obstáculo mais difícil a vencer na mediunidade?

Os obstáculos mais difíceis ao desenvolvimento da mediunidade estão sempre em nós mesmos. Quando deixamos o trabalho mediúnico para entregar-nos a tipos de atividades inconvenientes, estamos habitualmente cedendo às tentações que ainda trazemos em nós mesmos, constantes das tendências inferiores que ainda remanescem dentro de nós, em nos referindo à herança pessoal que trazemos de existências passadas.

Existirá, na opinião dos Amigos Espirituais, alguma correlação entre disritmia cerebral e mediunidade?

Estamos na certeza de que no futuro dirá, do ponto de vista científico, que sim. A chamada disritmia cerebral, na maioria dos casos, funciona como sendo um implemento de fixação da onda mental do espírito comunicante; muitas vezes, também, essa mesma disritmia é um elemento importante no problema obsessivo. Achamo-nos aqui perante questões que o futuro nos mostrará em sua amplitude, com as chaves necessárias para a solução do problema.

Qual a receita que o Sr. apontaria contra o animismo?

Aprendi com o nosso abnegado Emmanuel que o médium é também um Espírito necessitado de socorro e de orientação. Desse modo, se o chamado animismo aparece em determinado grupo, devemos atender ao companheiro ou à companheira, envolvidos no assunto, com o mesmo carinho e atenção que dispensamos comumente ao Espírito desencarnado, quando no intercâmbio conosco.

O desenvolvimento da mediunidade se processa mais na corrente mediúnica ou nas ações, palavras e pensamentos de todos os minutos do médium?

O desenvolvimento da sublimação mediúnica permanece na corrente dos pensamentos, palavras e atos do medianeiro da vida espiritual, quando ajustado ao ministério de fraternidade e luz que a sua tarefa implica em si mesma.

A tese da mediunidade inconsciente estará sendo estudada e observada com consciência pela totalidade dos médiuns que se apregoam portadores de tal mediunidade? Cabe-nos significar-lhes nossas dúvidas ou aguardar o Tempo?

Na esfera do medíunismo, há realmente incógnitas que só o esforço paciente de nossos trabalhos conjugados no tempo conseguirá solucionar. Incentivemos o estudo e o auxílio, dentro da solidariedade cristã, e, gradativamente, diminuiremos as múltiplas arestas que ainda impedem a nossa sintonia na execução dos serviços a que fomos chamados, porquanto, o problema não deve ser examinado unilateralmente, reconhecendo-se que o serviço é de nossa responsabilidade coletiva nos círculos doutrinais.

Sendo verdade que o "clima" mental do médium atrai Espíritos condizentes, bons ou maus, como agiremos diante dos médiuns que se dizem inconscientes e que dão comunicações alternadas e seguidas?

O médium não deve perder de vista a disciplina de si próprio. A ordem é atestado de elevação.

Dons mediúnicos pronunciados, como por exemplo, o da vidência espiritual, que tantas pessoas anseiam e se esforçam por possuir, sob certas circunstâncias de ordem material, não significariam uma desvantagem ou, pelo menos, um transcendente compromisso para essas pessoas?

Dons mediúnicos não representam desvantagens, mas envolvem os compromissos e as responsabilidades que lhes são conseqüentes. Os candidatos ao trabalho mediúnico, junto das criaturas humanas, precisam refletir com segurança e discernimento antes de abraçá-lo, conscientes de que se encontram diante de um dos mais sérios compromissos espirituais da vida.

Quando um médium pode saber se realmente tem um compromisso mediúnico e que compromisso lhe traz essa mediunidade?

Através de sua predisposição. A mediunidade induz o indivíduo a uma posição consciente perante a vida desde que esta seja pautada em linhas de equilíbrio moral. Então, ele passa a receber intuições vigorosas que o impelem a atitudes positivas em relação ao próximo. Aparece de início, como lampejo de um ideal, como reminiscência de tarefas que ficaram interrompidas ou como uma verdadeira impulsão para realizar determinados compromissos em benefício da criatura humana. À medida que mergulha no mundo interior, desdobram-se as possibilidades e os Espíritos o conduzem a que execute a tarefa que, aos poucos, lhe vai sendo inspirada e conduzida. A mediunidade é uma faculdade para-normal, e todos podemos experimentar fenômenos que não são habituais, não comuns. Quando estes fenômenos especiais transcendem o habitual, refletem características de mediunidade, tais como: percepção de presença, visões e audições psíquicas, que seriam denominadas como alucinações psicológicas por psiquiatras desconhecedores da mediunidade...

Que dizer dos processos empregados atualmente pela maioria dos Centros, no que diz respeito ao desenvolvimento mediúnico? Como desenvolver médiuns?

Examinar as diretrizes das instituições não será trabalho compatível com as nossas responsabilidades singelas. Cada grupo doutrinário é a resultante dos propósitos e atividades dos seus componentes. Resumindo-se, porém, os programas do Espiritismo Evangélico, na sementeira do amor e da educação nos moldes que Jesus nos legou, acreditamos não encontrar outro código mais elevado para os serviços do nosso ideal, além do Evangelho sentido e vivido, nos diversos setores da experiência que nos é comum, código esse que deve presidir também não só o desenvolvimento dos médiuns, mas o processo espiritual de todos os doutrinadores e companheiros em geral.

Fontes:
Questão 1, do livro Kardec Prossegue - Editora UNIÂO.
Questão 2, do livro Novo Mundo - Editora IDEAL.
Questões 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12 e 13, do livro "Plantão de Respostas - Editora CEU.
Questões 14, 15 e 16, do Jornal "O Espírita Mineiro" - n 217.
Questões 17, 19, 20, 21, 22, 23, 24 e 25, do livro "Encontros no Tempo" - Editora IDE.
Questão 18, do livro "Chico Xavier, em Goiânia" - Editora GEEM.
Link da Página: http://www.grupoandreluiz.org.br/chico_ler_perguntas.php?id=5
(Publicado em 09/01/2007)

1o Símpósio Goiano de Medicina e Espiritualidade

simposio

Programa

Dia 29 de abril:
  • 18:30 - 19:30 - Recepção e distribuição de Crachás
  • 19:30h - Recepção e Momento Artístico
  • 20:00h - Cerimônia de Abertura
  • 20:10h - Conferência Magna: O Passe Como Cura Magnética - Dra. Marlene Nobre, médica ginecologista - São Paulo (SP).
  • 21:10h - Lançamento do livro: O Passe Como Cura Magnética - Dra. Marlene Nobre (SP). Editora FE.
Dia 30 de abril:
  • 8:00h - Recepção e Momento Artístico
  • 8:15h-9:00h    Trajetória Evolutiva do Princípio Espiritual - Dr. Joaquim Tomé de Souza - médico, professor Neurofisiologia, UFG (GO)
  • 9:05h-950h - Visão Espiritual do TDAH - Dr. Paulo Verlaine Borges - médico psiquiatra (GO)
  • 9:55h-10:40h  - Espiritualidade no Cuidar de Pessoas com Agravos à Saúde - Prof. Dra. Ângela Alessandri, Enfermeira, UFG (GO)
  • 10:40h-10:55h - Coffee Break
  • 11:00h-11:45h - Física Quântica, Medicina e Espiritualidade - Prof. Dra. Célia Dantas, Física, UFG (GO).
  • 11:50h-12:20h - Breve debate com o público
  • 12:30h-14:00h - Almoço
  • 14:00h-14:45h - A Alma do Coração - Dra. Antônia Marilene, médica cardiologista, Brasília (DF).
  • 14:50h-15:35h - Espiritismo e Neurociências - Dr. Jorge Cecílio Daher Jr, médico endocrinologista (GO)
  • 15:40h-16:25h - Tratamento Espiritual das Doenças Físicas - Dr. Sérgio Vêncio, médico endocrinologista (GO).
  • 16:30h-16:45h - Coffee Break/p>
  • 16:50h-17:35h - Bases Científicas e Morais em Favor da Vida - Dra. Giselle Fachetti Machado, médica ginecologista (GO).
  • 17:40h-18:25h - O Poder Incomparável do Amor - Dra. Marlene Nobre, médica ginecologista - São Paulo (SP).
  • 18:30h-19h - Breve debate com o público. Encerramento.

02 abril 2011

Existe matéria no mundo espiritual? Dr. Ricardo Di Bernardi

Os espíritos, ou nós mesmos quando livres do invólucro material, habitávamos planos espirituais, que na realidade são planos materiais de outra dimensão.

Quando se diz que o Universo é Infinito, todos nós tendemos a imaginar uma linha horizontal ou vertical que jamais termina... No entanto, a infinitude do Universo vai além disso. Vivemos em um mundo físico tridimensional (comprimento largura e altura) e sabemos, pelas instruções psicográficas e psicofônicas, da existência de outras dimensões infinitas.


Os chamados planos espirituais são os locais ou dimensões onde as entidades espirituais vivem. Como “espírito” realmente é o princípio inteligente, na realidade o termo mais adequado seria “planos materiais de outras dimensões”. Assim, as escolas e locais de recuperação e tratamento onde os espíritos são preparados para o retorno ao novo mergulho em nossa dimensão são constituídos de matéria oriunda do mesmo fluido cósmico universal do qual se derivam todas as outras dimensões de matéria do Universo.

Os espíritos se agrupam, associam-se, conforme o seu grau de evolução espiritual e afinidade. A lei de sintonia, sempre presente, determina que as vibrações semelhantes se atraiam, ou melhor, se sintonizem por similitude de frequência vibratória.

Assim como um receptor de televisão ou rádio passa a captar a frequência que escolhemos ao girarmos o botão, recebendo a imagem e o som transmitidos pela emissora que opera na frequência sintonizada, os espíritos são atraídos para a comunidade onde o nível vibratório lhes é afim.

Apesar da relatividade das dimensões, os planos espirituais mais evoluídos normalmente se situam mais distantes do astro habitado (consideramos a Terra em nosso caso); já os planos espirituais constituídos por entidades mais simples e ignorantes, portanto com o perispírito mais denso ou “pesado”, ficam sujeitos inclusive à lei de gravidade, permanecendo mais próximos a Terra. 


Da mesma forma, como a atmosfera que circunda a Terra permanece presa a ela pela força gravitacional, os espíritos mais limitados em aquisições evolutivas agrupam-se em Colônias Espirituais mais próximas à superfície do planeta. A Lei Universal da Gravidade, que é lei de Deus, determina que a massa física do globo exerça atração sobre a matéria perispiritual que constitui o corpo dos espíritos.

Lembramos que, sem dúvida, esses conceitos aqui emitidos são relativos à questão das diferentes dimensões, mas quanto mais atrasado for o espírito, mais sujeito ele se acha às leis físicas universais.
Recomendamos, para maiores esclarecimentos, a leitura de A vida além do Véu, de Vale Owen e A Gênese de Allan Kardec.


Dr. Ricardo Di Bernardi é médico pediatra e homeopata, palestrante espírita internacional, presidente do ICEF - http://www.icefaovivo.com.br/

19 março 2011

Suicídio – Um problema sistêmico. Como quem fica deve agir?

Segundo a Wikipédia, Suicídio, do latim sui (próprio) e caedere (matar), é o ato intencional de matar a si mesmo. Sua causa mais comum é um transtorno mental que pode incluir depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, alcoolismo e abuso de drogas. Dificuldades financeiras e/ou emocionais também desempenham um fator significativo.
Mais de um milhão de pessoas cometem suicídio a cada ano, tornando-se esta a décima causa de morte no mundo. Trata-se de uma das principais causas de morte entre adolescentes e adultos com menos de 35 anos de idade. Entretanto, há uma estimativa de 10 a 20 milhões de tentativas de suicídios não-fatais a cada ano em todo o mundo.
Do ponto de vista espiritual, há alguns consensos. O suicídio faz sempre parte de um processo obsessivo complexo e doloroso. Os que cometeram suicídio em vidas passadas, necessariamente passarão pela provação do suicídio nessa encarnação, sendo levado a situações extremas onde poderão provar que aprenderam a lição e podem seguir livres dessa energia deletéria. A situação espiritual do suicida consciente é extremamente dolorosa, mas em nenhum momento o amparo espiritual deixa de alcança-lo.
André Luiz, no livro Nosso Lar de Chico Xavier, foi considerado um suicida inconsciente, pois abreviou em muito sua vida, abusando de alcóolicos, sexo e emoções de raiva e mau humor. Aqui nesse breve artigo, queremos nos ater ao suicídio consciente e principalmente, como poderia a família e amigos, olhar para esse momento doloroso de uma forma diferente.
A reação dos que ficam varia muito. Alguns exemplos:
- Isso foi covardia! Como o fulano pode me deixar justamente assim nessa situação?
- E se eu tivesse olhado melhor, será que eu teria impedido?
- Como não percebi que ele poderia chegar a esse ponto?
Alguns não se permitem nunca mais ser feliz após um ente querido suicidar-se, e em muitos casos isso afeta muito crianças que iniciam um perigoso processo de transferência da dor, assumindo e carregando fardos enormes e impossíveis de serem resolvidos de forma racional.
Devemos sempre pensar que cada pessoa tem o direito de realizar com sua própria vida o que quiser, mesmo colhendo frutos amargos, esse direito é inalienável. Temos um limite bem claro no até onde podemos interferir na vida alheia. Muita gente gostaria que ter a vida de outros absolutamente sob controle.
Não há amor maior que de Deus, ninguém ama mais aquele que suicidou do que Ele. Porque então Deus não o impediu? Porque na sua sabedoria, ele nos dá a liberdade que ensina, mas nos obriga a colher os frutos de nossos atos, dos melhores aos mais estúpidos e impensados, e através disso vamos aprendendo, cada um no seu ritmo e compasso.
Nosso olhar para o suicida não deve ser de dó, de pena, e muito menos de ódio e raiva. Devemos nos esforçar para olhar para a situação com compreensão, com respeito e com amorosidade. É como uma criança que desiste da escola e resolve enfrentar a vida nas ruas. Haverá choro e ranger de dentes, sofrimento, desamor, traição... mas é uma escolha.
Bert Hellinger, o criador das constelações familiares, nos mostra claramente que é muito frequente que em situações de suicídio, alguém da família queira assumir a dor, e de alguma forma se tornar um representante daquele que se foi e se excluiu da sistêmica familiar. Nesses casos, ocorre depressão, doenças inexplicáveis, morte prematura, uma série de desarmonias que poderiam ser evitadas se o assunto suicídio não fosse colocado como um segredo inviolável e um tabu inquebrável.
A família deve vivenciar o luto, a perda, a dor, mas acima de tudo, deve e pode contar com o apoio de explicações claras e objetivas que a doutrina espírita traz, aliviando-se mutuamente. Além disso, deve conversar sobre o fato, retirando de cada um a culpa que fica por não ter feito tudo que poderia, fardo pesado que acompanha 100% dos familiares e que deve ser deixado de lado.
Em outro momento, menos doloroso, deve começar a olhar para o suicida com respeito, dizendo mentalmente a ele, “que o que ele fez foi doloroso, difícil, absurdo, mas que respeita sua atitude e o envolve em muito amor e compaixão. Não carrego mais esse peso que não é meu, carrego a minha dor e a saudade, mas substituo o fardo pela esperança de um reencontro futuro e pela fé na sua plena recuperação espiritual.”
Não há saída fácil para o suicídio. O próprio suicida se defrontará com  uma dura recuperação no plano espiritual, que varia de anos a décadas, a depender de uma imensidade de fatores, como fé religiosa, evolução espiritual, apoio familiar... A família enfrentará um percurso sinuoso, que pode ser mais ou menos doloroso a depender da forma como as atitudes forem tomadas.
Olhar de frente para o problema, envolver toda a família nesse problema que é por natureza sistêmico, quebrar o paradigma do sofrimento eterno que acompanha o núcleo familiar como se fosse uma praga divina (parodoxo da intolerância religiosa). Essas e outras atitudes podem amenizar essa dor, tornar esse fardo mais leve.
Compartilhe essa dor com que pode carregar. Exercite sua fé religiosa. Não se torne um descrente, e nem amargure sua vida. Se alguém que ama escolheu a fuga ilusória do suicídio, encontrando a vida após a morte em toda a sua plenitude, escolha a vida, escolha o amor, escolha o olhar amoroso do perdão e da misericórdia e siga em frente, entendendo que tudo está certo, na hora certa, do jeito certo, mesmo que não consigamos entender o porque das coisas.
Muita paz e luz!

17 janeiro 2011

Ter ou não ter filhos e Reencarnação - Dr. Ricardo Di Bernardi




O controle da natalidade vem sendo praticado desde os primórdios dos tempos. A civilização humana sempre encontrou raízes ou ervas com as quais feiticeiros ou médicos procuraram interferir no processo da concepção ou mesmo da gestação em curso.

Mesmo aqueles casais avessos aos processos artificiais frequentemente optam por “métodos naturais”, evitando relacionamento sexual nos dias férteis e objetivando o mesmo resultado: a limitação da natalidade.

Teoricamente, em todos os casais haveria uma possibilidade de número maior de filhos, caso não houvesse alguma forma de controle ou planejamento familiar. Esta constatação nos leva a crer que há, na quase totalidade dos casais, alguma interferência, por livre iniciativa, sobre a natalidade de seus filhos.

Em face do exposto, o bom senso nos leva a posicionar realisticamente, sem no entanto perdermos a visão idealística. Nós, seres humanos já conquistamos o direito da liberdade de decidir, evidentemente com a responsabilidade assumida pelo livre arbítrio. O Homo Sapiens já possui a possibilidade de escolher a rota de seu progresso, acelerando ou reduzindo a velocidade de seu desenvolvimento espiritual. Somos os artífices da escultura de nosso próprio destino.

Nas informações que são colhidas, psicográfica ou psicofonicamente, os espíritos nos expõem a respeito da planificação básica de nossa vida aqui na Terra, projeto desenvolvido antes de reencarnarmos. Se é verdade que os detalhes serão aqui por nós construídos, certamente o plano geral foi anteriormente elaborado no mundo espiritual, frequentemente com nossa aquiescência. Dessa planificação básica, consta o número de filhos.

Se um determinado casal deveria receber 4 filhos na sua romagem reencarnatória e não o fez, pelo uso das pílulas anticoncepcionais ou outro método bloqueador da concepção, ficará com a carga de responsabilidade a ser cumprida. Não se permitiu a complementação da tarefa a que se propôs antes de renascer.

A grande questão que surge é com relação às consequências advindas da decisão de limitar a natalidade dos filhos. Sabemos que há, frequentemente, uma transferência do compromisso estabelecido para outra encarnação.

Sucede muitas vezes que essa decisão de postergar compromissos determina a necessidade de um replanejamento espiritual com relação àqueles designados à reencarnação em um determinado lar. Podem os mesmos obter “novos passaportes” surgindo como netos, filhos adotivos ou outras vias de acesso elaboradas pela espiritualidade maior. Ocorrerá, nestes casos, a necessidade de um preenchimento da lacuna de trabalho que se criou ao se impedir a chegada de mais um filho.

O trabalho construtivo, consciente ou inconscientemente desenvolvido para a substituição do compromisso previamente assumido, poderá compensar pelo menos parcialmente a dívida adiada. Qualquer débito cármico poderá ser sanado ou apagado por potenciais positivos, às vezes bem diversos dos setores daqueles que originaram as reações. No entanto, o labor amoroso na área mais específica da maternidade e da infância carentes são naturalmente mais indicados para a harmonização das energias tornadas deficientes nessa área.

Se o ideal é que cumpramos o plano de vida preestabelecido, é também quase geral o fato de que neste planeta a maioria não logra êxito na execução total de suas tarefas. Resta-nos a necessidade de consultar honestamente a consciência, pois pela intuição ou sintonia com nosso eu interno encontraremos as respostas e dúvidas (ou dívidas) particulares nesse mister.

É constatação evidente o fato de, normalmente, não nos recordarmos dos planos previamente traçados, mas é verdadeiro também que frequentemente fazemos “ouvido de mercador” aos avisos que nosso inconsciente nos transmite. Não esperemos respostas prontas ou transferência de decisão para quem quer que seja, afinal estamos ou não lutando para fugir das mensagens dogmáticas, do “isto é permitido” e “isto não é”?. Cada casal deverá valorizar o mergulho em seu inconsciente, sentir, meditar, e das águas profundas de seu espírito, trazer à superfície a sua resposta...






Ricardo Di Barnardi é médico pediatra-homeopata, reside em Florianópolis, é palestrante espírita internacional, escritor com vários livros publicados na área.