Muita gente não sabe, mas a mediunidade não foi inventada pelo espiritismo e muito menos por Allan Kardec. Ela existe desde que o mundo é mundo. E já existia antes que nosso próprio mundo fosse criado. A bíblia está repleta de momentos mediúnicos, ou seja, de narrativas aonde alguém serviu de ponte, de elo de ligação entre o mundo espiritual e o mundo físico.
O grande codificador nos diz claramente que todos somos médiuns, e mais, que na relação com o mundo invisível somos mais comandados do que imaginamos. Um dos motivos para isso é justamente a falta de interesse da maioria das pessoas em aprofundar no assunto, entender o que significa e a forma como desenvolver, se proteger, ajudar, etc...
A relação com o espiritual tem sido confundida com misticismo, feitiçaria, macumba, ou o nome que queiram dar, mas a verdade é que a todo momento quando elevamos o nosso pensamento a Deus, estabelecemos essa ligação e iniciamos uma relação direta com o plano astral. Da mesma forma, a todo momento que emitimos pensamentos negativos, iniciamos uma relação com os espíritos que se afinizam com nossa energia. Isso é mediunidade.
A grande questão é que todos pensamos em mediunidade somente quando lembramos de um Chico Xavier, um Divaldo Franco, mas na nossa vida prática diária, pensar assim nos impede de aproveitar mais e melhor essa relação com o espiritual, nos impede de perceber que a cada momento somos e agimos como médiuns. Podemos não perceber, visualizar, escutar como os grandes médiuns mais famosos pela relação com além, porém isso não muda o fato de que estamos a todo momento emitindo e recebendo energias e pensamentos que podem nos auxiliar ou prejudicar.
Mesmo trabalhadores espíritas experimentados costumam utilizar uma tecla de LIGA-DESLIGA, ligando no centro espírita e desligando quando saem.
O ideal seria que tentássemos manter uma relação saudavel, de fé e consciência com a espiritualidade superior, com Deus e seus trabalhadores. Isso traria grande impacto na nossa saúde física e espiritual. Trabalhos científicos interessantes tem mostrado o poder da fé e da oração na manutenção ou restabelecimento da saúde, com aspectos importantes no tratamento do câncer.
Fingir que essa relação com o espiritual não existe e se negar a entender o processo, é deixar que qualquer energia deletéria possa nos influenciar e prejudicar nossa saúde. Por outro lado, se entendermos que existe uma relação contínua com o plano espiritual, isso poderia nos trazer conforto e proteção, nos mantendo constantemente em contato com energias sutis. E não precisamos esperar o trabalho mediúnico semanal para exercermos nossa mediunidade, o ideal é entendermos que tudo é mediunidade, a todo momento podemos ser e somos instrumentos da espiritualidade para confortar ou desequilibrar, a depender da nossa vontade e disciplina.
Paz e luz!
23 outubro 2011
04 outubro 2011
"Ponto Deus" no cérebro

"Ponto Deus" no cérebro,
por Leonardo Boff *
Uma frente avançada das ciências, hoje, é constituída pelo estudo do cérebro e de suas múltiplas inteligências. Alcançaram-se resultados relevantes, também para a religião e a espiritualidade. Enfatizam-se três tipos de inteligência. A primeira é a inteligência intelectual, o famoso QI (Quociente de Inteligência), ao qual se deu tanta importância em todo o século XX. É a inteligência analítica pela qual elaboramos conceitos e fazemos ciência. Com ela organizamos o mundo e solucionamos problemas objetivos.
A segunda é a inteligência emocional, popularizada especialmente pelo psicólogo e neurocientista de Harvard David Goleman, com seu conhecido livro A Inteligência emocional (QE = Quociente Emocional). Empiricamente mostrou o que era convicção de toda uma tradição de pensadores, desde Platão, passando por Santo Agostinho e culminando em Freud: a estrutura de base do ser humano não é razão (logos) mas é emoção (pathos). Somos, primariamente, seres de paixão, empatia e compaixão, e só em seguida, de razão. Quando combinamos QI com QE conseguimos nos mobilizar a nós e a outros.
A terceira é a inteligência espiritual. A prova empírica de sua existência deriva de pesquisas muito recentes, dos últimos 10 anos, feitas por neurólogos, neuropsicólogos, neurolingüistas e técnicos em magnetoencefalografia (que estudam os campos magnéticos e elétricos do cérebro). Segundo esses cientistas, existe em nós, cientificamente verificável, um outro tipo de inteligência, pela qual não só captamos fatos, idéias e emoções, mas percebemos os contextos maiores de nossa vida, totalidades significativas, e nos faz sentir inseridos no Todo. Ela nos torna sensíveis a valores, a questões ligadas a Deus e à transcendência. É chamada de inteligência espiritual (QEs = Quociente espiritual), porque é próprio da espiritualidade captar totalidades e se orientar por visões transcendentais.
Sua base empírica reside na biologia dos neurônios. Verificou-se cientificamente que a experiência unificadora se origina de oscilações neurais a 40 herz, especialmente localizada nos lobos temporais. Desencadeia-se, então, uma experiência de exaltação e de intensa alegria como se estivéssemos diante de uma Presença viva.
Ou inversamente, sempre que se abordam temas religiosos, Deus ou valores que concernem o sentido profundo das coisas, não superficialmente mas num envolvimento sincero, produz-se igual excitação de 40 herz.
Por essa razão, neurobiólogos como Persinger, Ramachandran e a física quântica Danah Zohar batizaram essa região dos lobos temporais de 'o ponto Deus'.
Se assim é, podemos dizer em termos do processo evolucionário: o universo evoluiu, em bilhões de anos, até produzir no cérebro o instrumento que capacita o ser humano perceber a Presença de Deus, que sempre estava lá embora não percebível conscientemente. A existência desse 'ponto Deus' representa uma vantagem evolutiva de nossa espécie homo. Ela constitui uma referência de sentido para nossa vida. A espiritualidade pertence ao humano e não é monopólio das religiões. Antes, as religiões são uma das expressões desse 'ponto Deus'.
*Leonardo Boff:
Leonardo Boff nasceu em Concórdia, Santa Catarina, 14/12/1938. É neto de imigrantes italianos da região do Veneto, vindos para o Rio Grande do Sul no final do século XIX. Cursou Filosofia em Curitiba-PR e Teologia em Petrópolis-RJ. Doutorou-se em Teologia e Filosofia na Universidade de Munique-Alemanha, em 1970. Ingressou na Ordem dos Frades Menores, franciscanos, em 1959.
Durante 22 anos, foi professor de Teologia Sistemática e Ecumênica em Petrópolis, no Instituto Teológico Franciscano. Professor de Teologia e Espiritualidade em vários centros de estudo e universidades no Brasil e no exterior, além de professor-visitante nas universidades de Lisboa (Portugal), Salamanca (Espanha), Harvard (EUA), Basel (Suíça) e Heidelberg (Alemanha). É doutor honoris causa em Política pela universidade de Turim (Itália) e em Teologia pela universidade de Lund (Suécia), tendo ainda sido agraciado com vários prêmios no Brasil e no exterior, por causa de sua luta em favor dos fracos, dos oprimidos e marginalizados e dos Direitos Humanos. De 1970 a 1985, fez parte da coordenação da publicação da coleção "Teologia e Libertação" e da edição das obras completas de C. G. Jung. Foi redator da Revista Eclesiástica Brasileira (1970-1984), da Revista de Cultura Vozes (1984-1992) e da Revista Internacional Concilium (1970-1995). É autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística.
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