20 setembro 2009

A arte de não fazer nada.

Domenico de Masi, no seu livro "O ócio criativo" define o título do livro como sendo a junção entre trabalho, estudo e diversão. Segundo ele vivemos em uma sociedade paranóica por fazer. Trabalhar em excesso para conseguir coisas. O livro nos fala de pessoas que permanecem a vida inteira infelizes, em trabalhos que não trazem nenhum prazer, em relacionamentos mortos que só nos afastam cada vez mais dos nossos ideias espiritualistas.
Dalai Lama diz uma frase sensacional - Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido.
A maioria de nós cria filhos competitivos, que desde cedo vivenciam vidas estressantes, cheias de regras, tarefas, fazer, estudar, competir, ser o melhor, num ciclo sem fim. Uma nota menor que a do colega pode gerar uma tempestade, mesmo que essa nota seja excelente. A neurose chega a ponto de alguns filhos absolutamente normais e tranquilos, serem taxados de bobos e estimulados a serem ansiosos, como se a ansiedade fosse a palavra mágica que conduz o mundo e gera vencedores.
A grande pergunta é, vencedor do que? Não podemos confundir a preocupação construtiva com a ansiedade destrutiva!
A medicina sabe de longa data que a reação física ao stress é permeada pelo aumento dos hormônios da glândula suprarrenal, o cortisol e a famosa adrenalina. Essa resposta fisiológica que nos coloca em posição de defesa, como se fossemos fugir causa algumas alterações clássicas como o aumento da frequência cardíaca, aumento da glicose (açucar) sanguínea e aumento o fluxo de sangue nos músculos entre outras. De forma simples e eventual, essa resposta é ótima e constitui um grande avanço na evolução da raça humana, porém se essa resposta se torna frequente e crônica as consequências são desastrosas para o organismo, aumentando as chances de Diabetes, Hipertensão, Infarto do miocárdio e Acidente vascular cerebral (Derrame).
Paulo nos fala na carta aos Hebreus 11:1, que a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem, nos dando o maior de todos os antítodos ao stress e suas funestas consequências. Esperar na fé. Só isso. Na maioria das vezes, é só disso que precisamos. Se conseguimos esperar com tranquilidade as situações desesperadoras podem se transformar em bençãos nas nossas vidas. Mas se nos entregamos ao desequilíbrio, além de não colhermos a lição enviada para o nosso crescimento, adoecemos após a liberação contínua e desregrada de todos os hormônios do stress.
Infelizmente, nos dias atuais, a necessidade de estar fazendo muita coisa fala mais alto. Mulheres se desesperam quando não conseguem trabalhar e acham que cuidar de filhos é pouco, como se a maternidada já não fosse trabalho suficiente, além de a mais importante de todas as obrigações. Homens arrumam 3 turnos de trabalho para dar uma vida melhor aos seus, permanecendo dias sem trocar uma palavra com os filhos.
Em alguns momentos simplesmente não devemos fazer nada e isso pode ser ótimo. Não transforme sua vida em um carrosel maluco que anda em círculos a mil por hora. Pare um pouco, reflita melhor. Tente não fazer absolutamente nada sem se culpar pelo menos uma vez por semana. A vida física só tem sentido se espiritualmente estamos evoluindo.
Paz e luz!

09 setembro 2009

Pedofilia na visão espírita - Dr. Ricardo Di Bernardi

Assunto delicado e grave. Vejamos alguns aspectos iniciais:
-Como o espiritismo vê a questão da pedofilia?
Como um grave desequilíbrio mental e espiritual, necessitando severo tratamento multidisciplinar, isto é envolvendo diversos profissionais além de tratamento espiritual complementar.

- Qual a razão de existirem pedófilos?
A mesma razão de existirem quaisquer outros desequilíbrios psíquicos. São atitudes doentias que se estruturaram ao longo de uma ou mais existências ou seja reencarnações. Ninguém foi criado pedófilo.

- O que se passa nas suas mentes?
Cada um deles tem uma história. Não há como colocar todos em um mesmo rótulo. Mas poder-se-ia dizer que tem um impulso sexual doente e destituído de ética.

- Quais os traumas que eles têm?
Diversos, e variam conforme cada caso. Podem ter sofrido: violência infantil, abandono, desprezo, presenciado quando em tenra idade, sexo entre os pais, enfim outras distorções de educação ou de vivência.

- Como se explica tal comportamento?
A resposta é tão difícil como explicar qualquer outra grave alteração de comportamento. São espíritos que pelo seu atraso, imaturidade, ignorância e sobretudo pelo livre arbítrio desviaram-se da linha normal de conduta.

- E as vitimas, por quê isso?
Em diversas oportunidades, quando fizemos palestra sobre reencarnação, fomos questionados posteriormente sobre a dolorosa e delicada circunstância da PEDOFILIA. Principalmente, ao se propiciar perguntas nos serem dirigidas por escrito viabilizava-se este questionamento.
Embora o tema seja potencialmente polêmico e desagradável, não há como ignorá-lo no contexto de nossa situação planetária. Nossa abordagem será pelo ângulo transcendental e reencarnacionista considerando que são dois (2) espíritos, no mínimo, envolvidos na tragédia
em questão. Cumpre-nos esclarecer que o livre arbítrio é o maior patrimônio que nós, espíritos humanos, temos alcançado ao atingirmos a faixa evolutiva pensante. Livre arbítrio que não legitima atitudes, mas oportuniza às criaturas decidir e se responsabilizar pelas conseqüências de seus atos posteriores.
Outra premissa que deveremos estabelecer é aquela da maior ou menor repercussão dos atos perante a Lei Universal, em função do nível de esclarecimento que possuímos. Importante também salientar que não há atos perversos que tenham sido planejados pela espiritualidade superior. Seria de uma miopia intelectual sem limites, a idéia de que alguém deve reencarnar a
fim de ser violentado ou sofre pedofilia.
A concepção do Deus punitivo e vingativo já não cabe mais no dicionário dos esclarecidos sobre a vida espiritual. Deus é a fonte inesgotável de amor.
É a Lei maior que a tudo preside, uma lei de amor que coordena as leis da natureza. Então, como conceber a violência física? Como enquadrar a onipresença divina em situações e sofrimentos que observamos? Deus estaria ausente nestas circunstâncias? Ou estaria presente? Para muitos indivíduos se estivesse presente já seria motivo para não crer na sua existência ou na
sua infinita bondade e onisciência.
Outra questão importante: Quem é a "vítima"? Analisemos. Cada um de nós ao reencarnar trouxe todo o seu passado impresso indelevelmente em si mesmo, são os núcleos energéticos que trazemos em nosso inconsciente construídos no passado.
Espíritos que somos e pelas inúmeras viagens que percorremos, representadas pelas inúmeras vidas, possuímos no nosso "passaporte" inúmeros "carimbos" das pousadas onde estagiamos em vidas anteriores. Hoje, a somatória dessas experiências se traduzem em manancial energético que irradia constantemente do nosso interior para a superfície desta vida.
Assim, é também a "vítima". A criança, que hoje se apresenta de forma diferente, traz em seu passado profunda marcas de atitudes prejudiciais a irmãos seus. Atitudes de desequilíbrio que são gravadas em si mesma.
Algumas dessas, hoje crianças, participaram intelectualmente de verdadeiras emboscadas visando atingir de maneira dolorosa a intimidade sexual de criaturas; outras foram executoras diretas, pela autoridade que eram investidas, de crimes nesta área. Enfim, são múltiplas as situações geradoras da desarmonia energética que agora pulsa constantemente nos
arquivos vibratórios da criança, nossa personagem neste drama.
Pela Lei Universal da sintonia de vibrações, poderá ocorrer, em um dado momento, uma surpresa desagradável. O espírito, criança agora, poderá atrair e sintonizar com a frequencia do agressor, ou seja, o pedófilo e ser agredida.
Identificados dois dos protagonistas (agressor e criança), temos também que considerar o frequente processo obsessivo que vinha se desenvolvendo. Uma outra entidade pode estar fixa perifericamente ou até profundamente à trama perispiritual de um ou dos dois envolvidos no processo.
Lembramos, novamente, não foi em hipótese alguma programada a violència ou o estupro, nem ele em qualquer circunstância teria justificativa. No entanto, o crime existindo, necessário compreender em uma visão mais ampla o que está acontecendo. A espiritualidade sempre fará o máximo para evitar o "mal" ou não sendo possível, apoiar aos que sofrem.
O espírito submetido à violência da pedofilia sofre intensamente no processo, conforme o seu grau de maturidade espiritual. Não houve a programação, mas a tendencia que trazia era forte e havia o risco em passar por algo do gênero , que, a espiritualidade não conseguiu evitar. Perante a Lei divina sabemos que o espírito reencarnado não deve receber a agressão arbitrária em face da violência cometida por outro. Violência que gera violência, um ciclo triste que necessita ser rompido com uma postura de amor, de orientação e de perdão.
A violência da pedofilia gera, muitas vezes, profundos traumas em todos os envolvidos exacerbando a dolorosa situação cármica da constelação familiar.
Há, também, espíritos afins e benfeitores que, visam amparar os envolvidos nesta dor. Amigos do extrafísico cheios de ternura em seu coração, com projetos de dedicação e amparo, sempre se fazem presentes.

O tempo se encarregará de cicatrizar os ferimentos da alma.

Toda quarta-feira pelas 20h15, no horário de Brasília, o Dr. Ricardo do
Bernardi responde ao Vivo a várias perguntas sobre os mais variados temas
actuais: Para isso basta acessar www.redevisao.net .

17 agosto 2009

OBSESSÃO ESPIRITUAL INFANTIL - DR. VITOR RONALDO

“O Espírito mau espera que o outro, a quem ele quer mal, esteja preso ao seu corpo e, assim, menos livre, para mais facilmente o atormentar, ferir nos seus interesses, ou nas suas mais caras afeições.” (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. X, item VI, 24ª edição de bolso. FEB)

Em decorrência de observações bem conduzidas por investigadores da alma humana, pode-se afirmar que, entre os fatores condicionantes da perseguição espiritual, destacam-se o ódio e o sentimento abastardado de vingança. Enquanto a maldade prevalecer no orbe terreno, enquanto o egoísmo encontrar guarida nos corações, a criatura deixar-se-á envolver com as imperfeições morais responsáveis por atitudes infelizes de agressões ou revides contra os semelhantes. A incompetência afetiva embrutece o sujeito e, quando, por ventura, ele se considera vítima de uma injúria, mostra-se incapaz de apelar para o recurso do perdão. E, no desvario em que se entorpece, termina por cristalizar o próprio pensamento no padrão inconsequente do revide. A morte, infelizmente, nem sempre apaga da lembrança o rancor que perturba, e, assim, o espírito menos esclarecido, impermeável ao chamamento evangélico, prossegue na erraticidade a albergar em seu âmago a mágoa e o ódio incontroláveis. Imerso na penumbra da própria desarmonia psíquica, busca no desforço a forma que imagina correta de se contrapor à ofensa: fazer justiça com as próprias mãos. Ao se aproveitar da invisibilidade do plano astral, o espírito rancoroso escolhe a melhor maneira de acicatar o seu desafeto, analisa os seus pontos frágeis, psíquicos e orgânicos, para influenciá-lo mentalmente ou inundá-lo de fluidos perniciosos com o propósito de desencadear as mais estranhas doenças, nem sempre diagnosticadas pela ciência convencional. E não importa a idade da vítima encarnada.
Quando o infante é acometido de obsessão, torna-se mais difícil elaborar o diagnóstico espiritual do caso, pois, geralmente, os familiares resistem em admitir tal hipótese. Imaginam que, por ser criança, ela esteja livre do assédio invisível. Eis um engano lamentável de sérias repercussões, visto que, quanto mais demorada a perturbação sofrida, maior a possibilidade de sequelas irreversíveis. De mais a mais, no afã da vingança, o obsessor, em verdade, enxerga na pequena vítima o seu desafeto de outrora, o espírito imortal responsável pelo delito cometido, e não a criança momentaneamente frágil e ingênua da atual reencarnação.
Por vezes, identificamos, em campo experimental mediúnico, cruel investida engendrada pela entidade odienta. Digamos que o alvo pretendido seja o genitor. Então, o obsessor desfecha seus fluidos mórbidos contra um dos filhos, pois, comprometendo-lhe a saúde, compraz-se no sofrimento paterno. É um tipo de obsessão indireta, bem mais frequente do que se imagina.
Em virtude da sensibilidade, a criança, alvo da ação obsessiva, logo se ressente e manifesta o mal estar de que é vítima por meio do choro, da inquietude, da irritabilidade, do sono perturbado. Todavia, os sintomas decorrentes do assédio espiritual podem confundir o pediatra que vai buscar no organismo as causas mais frequentes de desconforto geral, a exemplo de erupção dentária, otalgia, verminose, distúrbio comportamental, etc.
Naturalmente os distúrbios infantis requerem urgência nos procedimentos médicos, pois nem sempre sintomas psíquicos ou persistentes derivam exclusivamente de obsessão espiritual. O bom senso adverte: Em primeiro lugar a assistência clínica, depois, o suporte da ciência da espiritualidade nos casos suspeitos.
Não obstante, considera-se tênue a linha divisória entre as duas condições. No nosso modo de ver, quando as tentativas da medicina não surtirem o efeito esperado, justifica-se uma investigação espiritual do caso, pois esta nada custa e acontece no recesso da instituição espírita, com o concurso de médiuns experimentados nesses misteres, além da cobertura indispensável dos mentores.
Por muito tempo ainda, a obsessão espiritual será uma realidade sinistra a infelicitar o gênero humano. Esse quadro adverso só será extinto quando as imperfeições morais cederem lugar aos sentimentos enobrecidos conquistados pela maioria. A maldade humana não distingue idade nem sexo. O ódio e a vingança bloqueiam o senso crítico, e, a exemplo do que acontece na crosta, delitos hediondos são cometidos por espíritos inferiores, avessos ao chamamento do bem. Por isso, a ciência da espiritualidade aplicada à saúde integral nos adverte para a possibilidade da obsessão espiritual, em certas situações, que não respondam satisfatoriamente aos esforços da medicina. Partindo de tal raciocínio, é preciso atenção redobrada especialmente com as crianças.
Os espíritos bondosos que nos orientam por meio de médiuns confiáveis e honestos sugerem a prática do evangelho no lar, insistem na manutenção de um clima de harmonia em família e aconselham a frequência às aulas de moral cristã nas instituições espíritas, com a finalidade de robustecer as defesas espirituais das crianças. Portanto, diante de um quadro sugestivo de perturbação espiritual infantil, quando os passes e a água fluidificada não surtirem os efeitos previstos, por uma questão de bom senso, não descartemos a hipótese de influenciação espiritual grave, a exigir os procedimentos mais elaborados da desobsessão formal. Na atualidade, as casas espíritas bem orientadas cultivam em sua rotina doutrinária as sessões desobsessivas, sem dúvida um passo a frente no vasto campo da medicina da alma.

(Artigo publicado na "Revista Internacional de Espiritismo" de julho de 2009)


Dr. Vitor Ronaldo é autor de “Desobsessão e Apometria – Análise à Luz da Ciência Espírita”, recentemente lançada pela Editora O Clarim. Trata-se de uma proposta com enfoque absolutamente doutrinário, destinada aos espíritas estudiosos, especialmente, aqueles que se dedicam às lides desobsessivas. O assunto é tratado de uma forma simples, objetiva, sem misticismos, crendices nem fantasias inaceitáveis.

27 julho 2009

Morte Prematura - Entender para aceitar.

No dia a dia da prática médica, o tema que mais impressiona a todos provavelmente é o da morte prematura. Conviver diariamente com pacientes acima dos 80 anos de idade que apresentam problemas crônicos de saúde e caminham para o desencarne, soa a todos nós como algo absolutamente fisiológico, por maior seja a dor dos familiares na hora da despedida. Porém quando o assunto é o desencarne de crianças, adolescentes e adultos jovens que se dirigem ao plano espiritual antes dos pais, nem sempre a racionalidade que o espirtismo traz pode ser suficiente para acalentar a alma dos que ficam.
O termo "morte prematura", talvez não seja adequado, pois não podemos pensar em uma espiritualidade superior onde as coisas são feitas de improviso. Evidentemente nos referimos aqui a prematuridade do ponto de vista físico, ou seja, desencarnar jovem e não desencarnar antes do tempo programado.
Jesus foi um exemplo de morte prematura, desencarnando antes de sua mãe. Mas durante todo o seu apostolado, ele deu mostras de sobra, que sabia antecipadamente o que aconteceria.Mateus 26, João 2:19, Alias esse fato foi narrado várias vezes no velho testamento, em especial por Isaias. Saber por antecipação não o impediu de levar a cabo sua missão, pois várias vezes ele afirmou que o que lhe interessava acima de tudo era realizar a vontade do Pai.
Para os pais que enxergam na morte do filho o fim de tudo, o sofrimento parece mesmo não ter fim, porém um outro caminho, de mais amor e paz interior pode existir. Entender o mecanismo pelo qual as doenças ocorrem é fundamental para se libertar da tristeza imensa que invade a vida dos familiares.
Enquanto houver a crença de que Deus levou, que Deus quis, como se houvesse um Senhor de barbas brancas sentado em uma mesa apertando botões coloridos escolhendo quem vai e quem fica, distribuindo benesses e concessões, castigos e punições, não vamos conseguir sair do lugar. A mesmice atávica do benefício para quem é bonzinho e castigo pra quem é do mal, não aplaca mais as nossas dúvidas e incertezas. Até porque, se olharmos com cuidado, quem de nós pode ser classificado como evoluído ou inferior? Todos sem exceção temos qualidades e defeitos. Como escolheria então Deus?
Como explicar que uma criança de dois anos de idade, que nem teve tempo de fazer coisas boas ou ruins tenha um câncer com metástases e desencarne após 6 meses de tratamento? Punição para os pais? Resgate de um carma familiar? Acreditar nessa hipóteses é diminuir Deus a um tirano despótico sem sentimento, que castiga um inocente para punir os pais. Que tipo de amor é esse? Pois João evangelista nos define Deus da única forma que podemos compreender. "Deus é amor!"
A resposta é uma só. Cada um responde por atos praticados em outras vidas, resgatando pelo amor, as dívidas do passado e caminhando com passos cada vez mais sólidos em direção ao Pai. Não há punição, mas oportunidade. Não há fim, mas continuidade da vida, e vida plena, vida espiritual. É muito mais lógico pensar que se em outra vida, eu lesei tanto meu corpo espiritual por atitudes e vícios, nessa vida eu limpo meu corpo espiritual, drenando para a carne, para o corpo físico aquilo que me faz mal.
Se você vicenciou essa situação, a primeira coisa a fazer é parar de se questionar o que você fez de errado. Não há nada de errado. Está tudo certo. Jesus nos dizia que quem quisesse seguí-lo deveria pegar sua cruz e ir. Bom, chegou o momento. É a sua chance de mostrar a ele(Jesus) que você entendeu a lição. Creia que seu filho, seu familair, seu amigo que desencarnou continua mais vivo do que nunca, e com certeza mais feliz, porque drenou para o corpo físico algo que o impedia de crescer. Veja, a lição é clara, Deus não puniu ninguém, foi uma cobrança automática imposta por compromissos do passado. Não houve castigo, houve libertação.
No processo de aceitação e entendimento que ocorre após a morte prematura, o primeiro item é não remar contra a maré. Não lute contra a correnteza. Não se desespere, não aja como se a vida tivesse acabado. Aceite suas limitações, chore, mas sem desespero. Procure ajuda. Abra seu coração com pessoas que estão ao seu redor, consulte um psicólogo, reuniões de terapia de grupo, e deixe a ferida ir cicatrizando aos poucos. E acima de tudo, não faça disso uma desculpa para deixar de viver. Você não precisa se matar aos poucos como se dissesse para a pessoa querida que desencarnou "olhe, gosto tanto de você que eu também vou morrer". A isso chamamos de suicídio e não amor.
Confie e se entregue nas mãos desse Pai amoroso, que nos acolhe e alivia. E lembre-se, o melhor remédio para as nossas dores é aliviar a dor do próximo. Converta esse sentimento de dor em algo sublime como a ajuda aos necessitados. Em prol daquele que desencarnou primeiro e da sua própria evolução espiritual, transmute o sentimento e passe a ser um seareiro do Cristo. Dia virá que você será capaz de olhar pra trás e entender tudo que a vida queria lhe ensinar com esse fato.
Paz e luz!

29 junho 2009

SUBJUGAÇÃO ESPIRITUAL UM SÉRIO DESAFIO ÀS CIÊNCIAS DA ALMA

“A subjugação é uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. Numa palavra: o paciente fica sob um verdadeiro jugo.” (Allan Kardec)¹

Embora o Espiritismo, na condição de doutrina organizada, conte com mais de cento e cinquenta anos de existência, os frutos de suas pesquisas mediúnicas em campo experimental ainda não sensibilizaram os bancos acadêmicos, especialmente, o vasto domínio das ciências da saúde. Enquanto perdurar a postura materialista, por parte daqueles que fazem ciência, expressiva parcela dos lidadores da saúde estará de mãos atadas diante da possibilidade de um distúrbio espiritual, desafio constante e de alta prevalência, conforme se constata nas instituições espíritas que se dedicam ao labor assistencial mediúnico.
O advento do Espiritismo descortinou novos horizontes à medicina integral, ou seja, aquela vertente que leva em consideração a realidade espiritual do ser. A não aceitação do espírito imortal, como parte integrante da complexidade humana, certamente, confunde o raciocínio clínico, pois, no confronto com certas condições mórbidas, não há como o facultativo elaborar um diagnóstico de certeza quando o transtorno revela uma ressonância vibratória com o passado; um caso típico de desajuste reencarnatório, ou mesmo, um processo grave de obsessão espiritual.

Vez por outra, a mídia divulga notícias impactantes de crimes inomináveis que, se analisados pelo prisma espírita, sugerem a possibilidade de uma interferência espiritual negativa, a atuar como causa incentivadora do comportamento delinquente. A bem da verdade os espíritas identificados com a obra de Allan Kardec, sabem que os processos obsessivos se classificam de acordo com o grau de constrangimento fluídico exercido pelos obsessores. Assim sendo, a opressão imposta varia desde a obsessão simples, na qual os sintomas incomodativos são de pouca monta, até a subjugação espiritual, tipo extremo de constrangimento psíquico e orgânico em que o indivíduo perde por completo o próprio senso crítico, a capacidade volitiva e o controle de gestos e atitudes, tornando-se um joguete nas mãos dos espíritos agressores.
Recentemente a imprensa divulgou lamentável ocorrência. Num gesto tresloucado, uma infeliz mulher assassinou o próprio filho e, em seguida, suicidou-se. Eis a notícia veiculada em 11/4/2009 por Redação DN Online (RN).
“Mãe mata o filho e se suicida durante treinamento de tiro. A cena foi flagrada pelas câmaras de um centro de treinamento de tiro em Caselberry, na Flórida, Estados Unidos – e a notícia foi publicada pelo jornal britânico ‘Daily Mail’ na última quarta-feira (8). Segundo a reportagem, Marie Moore, de 44 anos, acreditava que era um ‘anti-Cristo’ e levou seu filho Mitchell, de 20 anos, para o que ele acreditava ser uma tarde de prática de tiro. Mas, no meio da prática, Marie mudou seu alvo e apontou a arma para o filho. Após atirar, ela desviou das câmaras e atirou contra a própria cabeça. Marie morreu pouco tempo depois de ser levada para o hospital e seu filho morreu na hora. Em nota ela escreveu: ‘Me desculpe. Eu tive que mandar meu filho para o céu e ir para o inferno'. De acordo com o ‘Daiyly Mail’, em áudios gravados antes do incidente, Marie afirma que planejava a morte do filho para ‘salvar o mundo da violência'. Ela diz que ouvia Deus falando pra ela: ‘Você tem uma arma. Você pode fazer isso’. ‘Eu tenho que morrer e ir para o inferno, só aí poderá existir milhares de anos de paz no Mundo’, explicava. Investigações da polícia revelaram que Marie tinha um histórico de doenças mentais. Nas fitas gravadas, ela conta sobre os períodos em que passou em hospitais psiquiátricos e sobre a miséria e tormenta mental que sofria.”
Pois bem. A notícia sugere algumas interpretações. Do ponto de vista da ciência, a autora dos delitos era portadora de um severo comprometimento psicopatológico, um distúrbio cerebral do metabolismo neurotransmissor, disfunção capaz de abolir por completo o seu juízo crítico, a ponto de conduzi-la ao cometimento de um assassinato frio seguido de suicídio. Por outro lado, de acordo com a concepção espírita, não se pode deixar de levar em conta o assédio obsessivo em grau extremo. Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, assim se expressa:
“A subjugação pode ser moral ou corporal. No primeiro caso, o subjugado é constrangido a tomar resoluções muitas vezes absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, ele julga sensatas: é uma como fascinação.” (Allan Kardec)².
Tudo leva a crer que a criatura era vítima de assédio espiritual crônico, visto que tentara o suicídio anos antes. Outro detalhe que fortalece a conjectura espírita é o fato de a enferma afirmar que se deixava guiar por uma suposta voz atribuída à divindade. Ora, ninguém, em sã consciência, admitiria a interferência divina no livre arbítrio da pessoa, a sugerir um gesto extremo de crueldade, pois qualquer tipo de violência se contrapõe frontalmente aos ensinamentos evangélicos revelados por Jesus. A estranha “voz” que ecoava no interior de sua cabeça a persuadia a cometer o crime, matar o filho para “erradicar a maldade do mundo”. De forma idêntica, outros delinquentes, autores de delitos impiedosos, também se diziam influenciados por alucinações auditivas: vozes ressonantes que lhes recomendavam, com veemência, a prática de outras tantas absurdidades.
De acordo com o codificador, a obsessão é sempre obra de um mau espírito, daí o porquê das sugestões maléficas, sempre maléficas, visando ao arrastamento da vítima para o mal. Desde que o indivíduo apresente brechas kármicas e se situe numa condição perene de invigilância, torna-se presa fácil dos espíritos vingativos e perturbadores.
O querido Dr. Bezerra de Menezes considerava a obsessão espiritual como a doença do século (ele desencarnou em 1900). Todavia, diante da gravidade do transtorno, nós imaginamos tratar-se da enfermidade de todas as épocas, pois há registros de obsessão grave citados tanto no Velho Testamento (vide, p.ex., o caso de Nabucodonosor), quanto nos dias atuais, visto que as instituições espíritas registram um aumento assustador de casos complexos, decorrentes de técnicas sofisticadas e contundentes arquitetadas por integrantes das falanges sombrias de justiceiros, cientistas falidos e de mercenários cruéis, que, em se aproveitando da invisibilidade, atuam em nome do mal.
O ideal seria que os enfermos classificados como portadores de transtornos mentais recebessem, ao lado dos cuidados prodigalizados pela medicina, aqueles outros sugeridos pelo campo experimental do Espiritismo. As doenças físicas podem ser diagnosticadas por meio dos procedimentos laboratoriais em voga, e dos modernos recursos propedêuticos inseridos no âmbito dos diagnósticos pela imagem, a exemplo da tomografia, ressonância magnética, etc. Contudo, a investigação da problemática espiritual carece de procedimento diferenciado, de metodologia ainda não ensinada nos bancos acadêmicos e que, por enquanto, se efetiva no recesso das instituições espíritas. É por meio do instrumental mediúnico que se pode devassar a intimidade energética do ser, identificar na matriz perispirítica a causa das desarmonias energéticas, assim como diagnosticar as ligações obsessivas, por mais sutis que sejam.
Se a inditosa paciente estivesse sob efeito de um tratamento desobsessivo e submetida às regras da psicopedagogia evangélica, ter-se-ia evitado desfecho tão funesto? Eis a pergunta que honestamente nos fazemos, levando em conta a experiência da doutrina espírita nesses misteres, especialmente aqui no Brasil.
No presente momento, não há como negar a excelência do socorro espiritual conduzido por grupos mediúnicos assistidos por Espíritos de elevada linhagem moral.
Em nosso modo de ver, todo aquele portador de perturbação mental deveria receber, em ambiente médico, os cuidados previstos e os remédios prescritos por especialistas credenciados, pois o atual arsenal terapêutico disponibiliza drogas de altíssimo valor, e que não podem ser desprezadas no tratamento clínico dos transtornos mentais.
Por outro lado, o apoio religioso jamais poderia faltar e, caso os familiares decidissem pelo auxílio espírita, o mesmo deveria ser executado nas dependências da instituição espírita, sem que o esforço de cura ali desenvolvido conflitasse com a orientação médica. Assistiríamos, então, a uma espécie de convergência entre ciência e religião, na qual os facultativos cuidariam do corpo físico e as casas espíritas voltar-se-iam exclusivamente para os aspectos espirituais do caso.
Além disso, não olvidemos a existência de grupos mediúnicos que florescem à luz da doutrina consoladora, constituídos por adeptos afeiçoados aos estudos e compromissados moralmente com os ensinamentos evangélicos, a disponibilizar, gratuitamente, o auxílio imprescindível aos portadores de obsessões complexas.
Lembramos aqui oportuna informação trazida pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, por meio da mediunidade de Divaldo Pereira Franco:
“Conhecemos, também, as técnicas de desobsessão de alta eficiência, que são aplicadas nas Instituições Espíritas e que constituem um passo avançado na terapêutica de socorro aos sofredores de ambos os lados da vida”. ³
Bastante confortadora tal informação. Significa dizer que a ciência espírita também evoluiu em suas técnicas de abordagem espiritual. Só mesmo a desobsessão de alta eficiência, no dizer do sábio instrutor espiritual, para se contrapor aos esquemas sofisticados elaborados por mentalidades maléficas, cujos objetivos se concentram na disseminação da dor e do sofrimento humanos.
Apesar de algumas dificuldades, acreditamos que, logo mais, as subjugações espirituais, tão danosas ao patrimônio mental das criaturas, serão diagnosticadas com mais facilidade e precisão, para que sejam neutralizadas pelos Espíritos terapeutas, em obediência aos méritos e necessidades particulares da cada indivíduo.


Dr. Vitor Ronaldo é autor de “Desobsessão e Apometria – Análise à Luz da Ciência Espírita”, recentemente lançada pela Editora O Clarim. Trata-se de uma proposta com enfoque absolutamente doutrinário, destinada aos espíritas estudiosos, especialmente, aqueles que se dedicam às lides desobsessivas. O assunto é tratado de uma forma simples, objetiva, sem misticismos, crendices nem fantasias inaceitáveis.

Obras citadas:
1- KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns, capítulo XXIII, item 240. 9ª edição de bolso, FEB, 2006, p. 315.
2- Idem. O Livro dos Médiuns, capítulo XXIII, item 240. 9ª edição de bolso, FEB, 2006, p. 316.
3- MIRANDA, Manoel Philomeno & FRANCO, Divaldo Pereira. Loucura e Obsessão, capítulo 9. 3ª edição, FEBp, 1990, p. 117.

(Trabalho publicado no Jornal Espírita da FEESP, nº 406 de junho de 2009)
Vitor Ronaldo Costa
(vitorrc@brturbo.com.br)