02 abril 2011

Existe matéria no mundo espiritual? Dr. Ricardo Di Bernardi

Os espíritos, ou nós mesmos quando livres do invólucro material, habitávamos planos espirituais, que na realidade são planos materiais de outra dimensão.

Quando se diz que o Universo é Infinito, todos nós tendemos a imaginar uma linha horizontal ou vertical que jamais termina... No entanto, a infinitude do Universo vai além disso. Vivemos em um mundo físico tridimensional (comprimento largura e altura) e sabemos, pelas instruções psicográficas e psicofônicas, da existência de outras dimensões infinitas.


Os chamados planos espirituais são os locais ou dimensões onde as entidades espirituais vivem. Como “espírito” realmente é o princípio inteligente, na realidade o termo mais adequado seria “planos materiais de outras dimensões”. Assim, as escolas e locais de recuperação e tratamento onde os espíritos são preparados para o retorno ao novo mergulho em nossa dimensão são constituídos de matéria oriunda do mesmo fluido cósmico universal do qual se derivam todas as outras dimensões de matéria do Universo.

Os espíritos se agrupam, associam-se, conforme o seu grau de evolução espiritual e afinidade. A lei de sintonia, sempre presente, determina que as vibrações semelhantes se atraiam, ou melhor, se sintonizem por similitude de frequência vibratória.

Assim como um receptor de televisão ou rádio passa a captar a frequência que escolhemos ao girarmos o botão, recebendo a imagem e o som transmitidos pela emissora que opera na frequência sintonizada, os espíritos são atraídos para a comunidade onde o nível vibratório lhes é afim.

Apesar da relatividade das dimensões, os planos espirituais mais evoluídos normalmente se situam mais distantes do astro habitado (consideramos a Terra em nosso caso); já os planos espirituais constituídos por entidades mais simples e ignorantes, portanto com o perispírito mais denso ou “pesado”, ficam sujeitos inclusive à lei de gravidade, permanecendo mais próximos a Terra. 


Da mesma forma, como a atmosfera que circunda a Terra permanece presa a ela pela força gravitacional, os espíritos mais limitados em aquisições evolutivas agrupam-se em Colônias Espirituais mais próximas à superfície do planeta. A Lei Universal da Gravidade, que é lei de Deus, determina que a massa física do globo exerça atração sobre a matéria perispiritual que constitui o corpo dos espíritos.

Lembramos que, sem dúvida, esses conceitos aqui emitidos são relativos à questão das diferentes dimensões, mas quanto mais atrasado for o espírito, mais sujeito ele se acha às leis físicas universais.
Recomendamos, para maiores esclarecimentos, a leitura de A vida além do Véu, de Vale Owen e A Gênese de Allan Kardec.


Dr. Ricardo Di Bernardi é médico pediatra e homeopata, palestrante espírita internacional, presidente do ICEF - http://www.icefaovivo.com.br/

19 março 2011

Suicídio – Um problema sistêmico. Como quem fica deve agir?

Segundo a Wikipédia, Suicídio, do latim sui (próprio) e caedere (matar), é o ato intencional de matar a si mesmo. Sua causa mais comum é um transtorno mental que pode incluir depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, alcoolismo e abuso de drogas. Dificuldades financeiras e/ou emocionais também desempenham um fator significativo.
Mais de um milhão de pessoas cometem suicídio a cada ano, tornando-se esta a décima causa de morte no mundo. Trata-se de uma das principais causas de morte entre adolescentes e adultos com menos de 35 anos de idade. Entretanto, há uma estimativa de 10 a 20 milhões de tentativas de suicídios não-fatais a cada ano em todo o mundo.
Do ponto de vista espiritual, há alguns consensos. O suicídio faz sempre parte de um processo obsessivo complexo e doloroso. Os que cometeram suicídio em vidas passadas, necessariamente passarão pela provação do suicídio nessa encarnação, sendo levado a situações extremas onde poderão provar que aprenderam a lição e podem seguir livres dessa energia deletéria. A situação espiritual do suicida consciente é extremamente dolorosa, mas em nenhum momento o amparo espiritual deixa de alcança-lo.
André Luiz, no livro Nosso Lar de Chico Xavier, foi considerado um suicida inconsciente, pois abreviou em muito sua vida, abusando de alcóolicos, sexo e emoções de raiva e mau humor. Aqui nesse breve artigo, queremos nos ater ao suicídio consciente e principalmente, como poderia a família e amigos, olhar para esse momento doloroso de uma forma diferente.
A reação dos que ficam varia muito. Alguns exemplos:
- Isso foi covardia! Como o fulano pode me deixar justamente assim nessa situação?
- E se eu tivesse olhado melhor, será que eu teria impedido?
- Como não percebi que ele poderia chegar a esse ponto?
Alguns não se permitem nunca mais ser feliz após um ente querido suicidar-se, e em muitos casos isso afeta muito crianças que iniciam um perigoso processo de transferência da dor, assumindo e carregando fardos enormes e impossíveis de serem resolvidos de forma racional.
Devemos sempre pensar que cada pessoa tem o direito de realizar com sua própria vida o que quiser, mesmo colhendo frutos amargos, esse direito é inalienável. Temos um limite bem claro no até onde podemos interferir na vida alheia. Muita gente gostaria que ter a vida de outros absolutamente sob controle.
Não há amor maior que de Deus, ninguém ama mais aquele que suicidou do que Ele. Porque então Deus não o impediu? Porque na sua sabedoria, ele nos dá a liberdade que ensina, mas nos obriga a colher os frutos de nossos atos, dos melhores aos mais estúpidos e impensados, e através disso vamos aprendendo, cada um no seu ritmo e compasso.
Nosso olhar para o suicida não deve ser de dó, de pena, e muito menos de ódio e raiva. Devemos nos esforçar para olhar para a situação com compreensão, com respeito e com amorosidade. É como uma criança que desiste da escola e resolve enfrentar a vida nas ruas. Haverá choro e ranger de dentes, sofrimento, desamor, traição... mas é uma escolha.
Bert Hellinger, o criador das constelações familiares, nos mostra claramente que é muito frequente que em situações de suicídio, alguém da família queira assumir a dor, e de alguma forma se tornar um representante daquele que se foi e se excluiu da sistêmica familiar. Nesses casos, ocorre depressão, doenças inexplicáveis, morte prematura, uma série de desarmonias que poderiam ser evitadas se o assunto suicídio não fosse colocado como um segredo inviolável e um tabu inquebrável.
A família deve vivenciar o luto, a perda, a dor, mas acima de tudo, deve e pode contar com o apoio de explicações claras e objetivas que a doutrina espírita traz, aliviando-se mutuamente. Além disso, deve conversar sobre o fato, retirando de cada um a culpa que fica por não ter feito tudo que poderia, fardo pesado que acompanha 100% dos familiares e que deve ser deixado de lado.
Em outro momento, menos doloroso, deve começar a olhar para o suicida com respeito, dizendo mentalmente a ele, “que o que ele fez foi doloroso, difícil, absurdo, mas que respeita sua atitude e o envolve em muito amor e compaixão. Não carrego mais esse peso que não é meu, carrego a minha dor e a saudade, mas substituo o fardo pela esperança de um reencontro futuro e pela fé na sua plena recuperação espiritual.”
Não há saída fácil para o suicídio. O próprio suicida se defrontará com  uma dura recuperação no plano espiritual, que varia de anos a décadas, a depender de uma imensidade de fatores, como fé religiosa, evolução espiritual, apoio familiar... A família enfrentará um percurso sinuoso, que pode ser mais ou menos doloroso a depender da forma como as atitudes forem tomadas.
Olhar de frente para o problema, envolver toda a família nesse problema que é por natureza sistêmico, quebrar o paradigma do sofrimento eterno que acompanha o núcleo familiar como se fosse uma praga divina (parodoxo da intolerância religiosa). Essas e outras atitudes podem amenizar essa dor, tornar esse fardo mais leve.
Compartilhe essa dor com que pode carregar. Exercite sua fé religiosa. Não se torne um descrente, e nem amargure sua vida. Se alguém que ama escolheu a fuga ilusória do suicídio, encontrando a vida após a morte em toda a sua plenitude, escolha a vida, escolha o amor, escolha o olhar amoroso do perdão e da misericórdia e siga em frente, entendendo que tudo está certo, na hora certa, do jeito certo, mesmo que não consigamos entender o porque das coisas.
Muita paz e luz!

17 janeiro 2011

Ter ou não ter filhos e Reencarnação - Dr. Ricardo Di Bernardi




O controle da natalidade vem sendo praticado desde os primórdios dos tempos. A civilização humana sempre encontrou raízes ou ervas com as quais feiticeiros ou médicos procuraram interferir no processo da concepção ou mesmo da gestação em curso.

Mesmo aqueles casais avessos aos processos artificiais frequentemente optam por “métodos naturais”, evitando relacionamento sexual nos dias férteis e objetivando o mesmo resultado: a limitação da natalidade.

Teoricamente, em todos os casais haveria uma possibilidade de número maior de filhos, caso não houvesse alguma forma de controle ou planejamento familiar. Esta constatação nos leva a crer que há, na quase totalidade dos casais, alguma interferência, por livre iniciativa, sobre a natalidade de seus filhos.

Em face do exposto, o bom senso nos leva a posicionar realisticamente, sem no entanto perdermos a visão idealística. Nós, seres humanos já conquistamos o direito da liberdade de decidir, evidentemente com a responsabilidade assumida pelo livre arbítrio. O Homo Sapiens já possui a possibilidade de escolher a rota de seu progresso, acelerando ou reduzindo a velocidade de seu desenvolvimento espiritual. Somos os artífices da escultura de nosso próprio destino.

Nas informações que são colhidas, psicográfica ou psicofonicamente, os espíritos nos expõem a respeito da planificação básica de nossa vida aqui na Terra, projeto desenvolvido antes de reencarnarmos. Se é verdade que os detalhes serão aqui por nós construídos, certamente o plano geral foi anteriormente elaborado no mundo espiritual, frequentemente com nossa aquiescência. Dessa planificação básica, consta o número de filhos.

Se um determinado casal deveria receber 4 filhos na sua romagem reencarnatória e não o fez, pelo uso das pílulas anticoncepcionais ou outro método bloqueador da concepção, ficará com a carga de responsabilidade a ser cumprida. Não se permitiu a complementação da tarefa a que se propôs antes de renascer.

A grande questão que surge é com relação às consequências advindas da decisão de limitar a natalidade dos filhos. Sabemos que há, frequentemente, uma transferência do compromisso estabelecido para outra encarnação.

Sucede muitas vezes que essa decisão de postergar compromissos determina a necessidade de um replanejamento espiritual com relação àqueles designados à reencarnação em um determinado lar. Podem os mesmos obter “novos passaportes” surgindo como netos, filhos adotivos ou outras vias de acesso elaboradas pela espiritualidade maior. Ocorrerá, nestes casos, a necessidade de um preenchimento da lacuna de trabalho que se criou ao se impedir a chegada de mais um filho.

O trabalho construtivo, consciente ou inconscientemente desenvolvido para a substituição do compromisso previamente assumido, poderá compensar pelo menos parcialmente a dívida adiada. Qualquer débito cármico poderá ser sanado ou apagado por potenciais positivos, às vezes bem diversos dos setores daqueles que originaram as reações. No entanto, o labor amoroso na área mais específica da maternidade e da infância carentes são naturalmente mais indicados para a harmonização das energias tornadas deficientes nessa área.

Se o ideal é que cumpramos o plano de vida preestabelecido, é também quase geral o fato de que neste planeta a maioria não logra êxito na execução total de suas tarefas. Resta-nos a necessidade de consultar honestamente a consciência, pois pela intuição ou sintonia com nosso eu interno encontraremos as respostas e dúvidas (ou dívidas) particulares nesse mister.

É constatação evidente o fato de, normalmente, não nos recordarmos dos planos previamente traçados, mas é verdadeiro também que frequentemente fazemos “ouvido de mercador” aos avisos que nosso inconsciente nos transmite. Não esperemos respostas prontas ou transferência de decisão para quem quer que seja, afinal estamos ou não lutando para fugir das mensagens dogmáticas, do “isto é permitido” e “isto não é”?. Cada casal deverá valorizar o mergulho em seu inconsciente, sentir, meditar, e das águas profundas de seu espírito, trazer à superfície a sua resposta...






Ricardo Di Barnardi é médico pediatra-homeopata, reside em Florianópolis, é palestrante espírita internacional, escritor com vários livros publicados na área.

30 novembro 2010

A proximidade do fim de ano trazendo esperanças renovadas

Paz e luz!
Data bem aventurada essa, da proximidade do Natal, do nascimento de Cristo, que nos faz mais amenos e reflexivos, empreendendo esforços para modificarmos de alguma forma nossas vidas e roteiros.
Realmente a invenção do calendário foi uma ideia excelente, que nos permite, a cada ciclo de um ano, reacendermos a esperança em nossos corações, projetando ideias novas, planos diferentes, mudanças de rumo.
E é extremamente salutar que isso aconteça. Não devemos de forma alguma fechar nossa mente e coração para esse clima de mudança que está no ar, de renovação. É descrito em vários livros espiritistas, que há toda uma preparação para a nossa encarnação (Vide missionários da luz de Chico Xavier / André Luiz). Esse preparo envolve nossos pais, nossa vida, profissão, companheiro(a) de viagem, filhos, mas porém na maioria das vezes, acabamos por repetir padrões de comportamento apresentados em outras vidas e passamos a nos desviar da rota.
Não constitui alegoria infantil imaginar que uma espécie de acordo, de contrato, foi firmado antes de reencarnarmos. Isso representa a mais pura verdade.
Uma boa analogia é comparar a nossa reencarnação a uma solicitação de emprego em uma grande fábrica. Existem muitos candidatos e poucas vagas. Mostramos o nosso currículo e somos convidados a uma análise de nossos pontos fortes e fraquezas. Assumimos o compromisso de trabalharmos de forma séria, de nos dedicarmos, porque precisamos do emprego e do dinheiro. Porém no desenrolar dos anos, quantos trabalhadores levam a sério mesmo seu trabalho e não se deixam levar pelo comodismo, pela estagnação, pelas más companhias, etc... ?
Assim é na nossa vida. Promessas, todos fazemos e aos montes. Quantos de nós porém tem cumprido com honradez e seriedade a parte que nos cabe?
Vamos aproveitar o fim de ano para melhorarmos nossa produtividade espiritual, planejarmos de forma estratégica o que realmente queremos nas nossas vidas e acima de tudo, colocar em prática um plano de ação eficaz para nos transformarmos definitivamente em seareiros do Cristo.
Que as bençãos e vibrações amorosas do fim de ano toquem nossas mentes e coração e nos tornem pessoas melhores.
Feliz 2011 para todos. Paz e luz!

03 setembro 2010

A dor da perda.

Alguns fatos importantes :
1 - Vivendo em um País de maioria cristã acreditamos na continuação da vida após a morte.
2 - Como pessoas inteligentes e observadoras, sabemos que cada dia que passamos nos deixa mais próximo do plano espiritual.
3 - Sem dúvida, caminhamos nesse mundo rumo ao desencarne.
Porém, essa certeza e todos os conhecimentos já adiquiridos pelo homem nem sempre são suficientes para acalentar o coração frente a dor da perda de um ente querido.
Uma pergunta óbvia. Porque a morte do corpo físico é vista de forma tão dolorosa pela maioria das pessoas ?A resposta é complexa, mas alguns pontos podem ser destacados.
Há um atavismo religioso importante, onde a morte é encarada como perda, como derrota, como fraqueza e não da forma verdadeira, ou seja, o retorno para a vida real, daonde saimos antes de reencarnar.
Engraçado pensar que a cada ciclo de nascimento e morte ocorrem situações diversas nos dois planos da vida. Senão vejamos: antes de renascer na Terra, vivemos em espírito no mundo espiritual, fazemos compromissos, planos, cultivamos amizades, amores, etc... No momento do nosso nascimento sentimos medo, insegurança, e todos os nossos amigos do plano espiritual se emocionam com a nossa vinda, antecipando a saudade da separação temporária. Na Terra é o inverso. Há festa, alegria, regozijo.
Quando desencarnamos o contrário acontece. Os daqui choram e os de lá celebram.
Muito do sentimento de dor e perda vem do desconhecimento da vida espiritual. Porém essa situação poderia ser rapidamente revertida se houvesse interesse real das pessoas em aprofundar em temas sobre os quais a doutrina espírita vem falando há décadas. Exemplo maior disso é o livro Nosso Lar, psicografado por Chico Xavier em 1940 e que agora vai estreiar nos cinemas brasileiros com a promessa de se tornar um blockbuster.
Quando o desencarne nos afasta temporariamente de alguém querido, somos guiados pela dor e pelo medo da incerteza e isso nos mostra um futuro sem sentido e obscuro. A grande verdade porém é que podemos e devemos fazer diferente. Esse caminho porém não pode e não deve ser trilhado sozinho. É necessário a verdadeira humildade para encararmos de frente nossa dificuldade e pedir ajuda. Ajuda a Deus, aos amigos, aos que amamos, expor de forma verdadeira e sincera as nossas angústias e aceitar ser ajudado.
Na prática clínica do dia a dia vemos pactos inconscientes de infelicidade entre os que ficaram e os que foram para o outro plano. É como se dissesem, porque você "morreu" não posso mais ser feliz. Outro fato digno de nota é que muitos sofrem calados, achando que os que estão ao seu lado, sofrem mais que ele e não suportariam mais esse sofrimento. Ledo engano. Nada é mais maldoso do que julgar as pessoas que estão ao nosso lado como incapazes de suportar conosco os problemas.
Muitas pessoas se culpam por enfraquecerem frente a esse tipo de sofrimento, como se isso fosse coisa de gente sem fé e sem conhecimento religioso. A verdade é que nessa luta diária pela nossa evolução espiritual, cada um luta com as armas (qualidades) que tem e manifesta as dificuldades de forma diferente.
"Conhecereis a verdade e ela vos libertará!" Não tenha medo de enfrentar essa dificuldade, avance no crescimento espiritual, procure pessoas que possam te auxiliar, leia sobre o assunto, abra sua mente para um conhecimento que pode ser libertador. Não faça pactos com a tristeza. Lembre-se que acima de todos nós, Deus nos governa baseado nas leis do amor. AMOR! Tudo está certo, na hora certo, do jeito certo. Se ainda não entendemos, isso só nos mostra o quanto somos ignorantes e pequenos. Mas o amor de Deus continua ao nosso alcance.
Paz e luz!