27 julho 2009

Morte Prematura - Entender para aceitar.

No dia a dia da prática médica, o tema que mais impressiona a todos provavelmente é o da morte prematura. Conviver diariamente com pacientes acima dos 80 anos de idade que apresentam problemas crônicos de saúde e caminham para o desencarne, soa a todos nós como algo absolutamente fisiológico, por maior seja a dor dos familiares na hora da despedida. Porém quando o assunto é o desencarne de crianças, adolescentes e adultos jovens que se dirigem ao plano espiritual antes dos pais, nem sempre a racionalidade que o espirtismo traz pode ser suficiente para acalentar a alma dos que ficam.
O termo "morte prematura", talvez não seja adequado, pois não podemos pensar em uma espiritualidade superior onde as coisas são feitas de improviso. Evidentemente nos referimos aqui a prematuridade do ponto de vista físico, ou seja, desencarnar jovem e não desencarnar antes do tempo programado.
Jesus foi um exemplo de morte prematura, desencarnando antes de sua mãe. Mas durante todo o seu apostolado, ele deu mostras de sobra, que sabia antecipadamente o que aconteceria.Mateus 26, João 2:19, Alias esse fato foi narrado várias vezes no velho testamento, em especial por Isaias. Saber por antecipação não o impediu de levar a cabo sua missão, pois várias vezes ele afirmou que o que lhe interessava acima de tudo era realizar a vontade do Pai.
Para os pais que enxergam na morte do filho o fim de tudo, o sofrimento parece mesmo não ter fim, porém um outro caminho, de mais amor e paz interior pode existir. Entender o mecanismo pelo qual as doenças ocorrem é fundamental para se libertar da tristeza imensa que invade a vida dos familiares.
Enquanto houver a crença de que Deus levou, que Deus quis, como se houvesse um Senhor de barbas brancas sentado em uma mesa apertando botões coloridos escolhendo quem vai e quem fica, distribuindo benesses e concessões, castigos e punições, não vamos conseguir sair do lugar. A mesmice atávica do benefício para quem é bonzinho e castigo pra quem é do mal, não aplaca mais as nossas dúvidas e incertezas. Até porque, se olharmos com cuidado, quem de nós pode ser classificado como evoluído ou inferior? Todos sem exceção temos qualidades e defeitos. Como escolheria então Deus?
Como explicar que uma criança de dois anos de idade, que nem teve tempo de fazer coisas boas ou ruins tenha um câncer com metástases e desencarne após 6 meses de tratamento? Punição para os pais? Resgate de um carma familiar? Acreditar nessa hipóteses é diminuir Deus a um tirano despótico sem sentimento, que castiga um inocente para punir os pais. Que tipo de amor é esse? Pois João evangelista nos define Deus da única forma que podemos compreender. "Deus é amor!"
A resposta é uma só. Cada um responde por atos praticados em outras vidas, resgatando pelo amor, as dívidas do passado e caminhando com passos cada vez mais sólidos em direção ao Pai. Não há punição, mas oportunidade. Não há fim, mas continuidade da vida, e vida plena, vida espiritual. É muito mais lógico pensar que se em outra vida, eu lesei tanto meu corpo espiritual por atitudes e vícios, nessa vida eu limpo meu corpo espiritual, drenando para a carne, para o corpo físico aquilo que me faz mal.
Se você vicenciou essa situação, a primeira coisa a fazer é parar de se questionar o que você fez de errado. Não há nada de errado. Está tudo certo. Jesus nos dizia que quem quisesse seguí-lo deveria pegar sua cruz e ir. Bom, chegou o momento. É a sua chance de mostrar a ele(Jesus) que você entendeu a lição. Creia que seu filho, seu familair, seu amigo que desencarnou continua mais vivo do que nunca, e com certeza mais feliz, porque drenou para o corpo físico algo que o impedia de crescer. Veja, a lição é clara, Deus não puniu ninguém, foi uma cobrança automática imposta por compromissos do passado. Não houve castigo, houve libertação.
No processo de aceitação e entendimento que ocorre após a morte prematura, o primeiro item é não remar contra a maré. Não lute contra a correnteza. Não se desespere, não aja como se a vida tivesse acabado. Aceite suas limitações, chore, mas sem desespero. Procure ajuda. Abra seu coração com pessoas que estão ao seu redor, consulte um psicólogo, reuniões de terapia de grupo, e deixe a ferida ir cicatrizando aos poucos. E acima de tudo, não faça disso uma desculpa para deixar de viver. Você não precisa se matar aos poucos como se dissesse para a pessoa querida que desencarnou "olhe, gosto tanto de você que eu também vou morrer". A isso chamamos de suicídio e não amor.
Confie e se entregue nas mãos desse Pai amoroso, que nos acolhe e alivia. E lembre-se, o melhor remédio para as nossas dores é aliviar a dor do próximo. Converta esse sentimento de dor em algo sublime como a ajuda aos necessitados. Em prol daquele que desencarnou primeiro e da sua própria evolução espiritual, transmute o sentimento e passe a ser um seareiro do Cristo. Dia virá que você será capaz de olhar pra trás e entender tudo que a vida queria lhe ensinar com esse fato.
Paz e luz!

29 junho 2009

SUBJUGAÇÃO ESPIRITUAL UM SÉRIO DESAFIO ÀS CIÊNCIAS DA ALMA

“A subjugação é uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. Numa palavra: o paciente fica sob um verdadeiro jugo.” (Allan Kardec)¹

Embora o Espiritismo, na condição de doutrina organizada, conte com mais de cento e cinquenta anos de existência, os frutos de suas pesquisas mediúnicas em campo experimental ainda não sensibilizaram os bancos acadêmicos, especialmente, o vasto domínio das ciências da saúde. Enquanto perdurar a postura materialista, por parte daqueles que fazem ciência, expressiva parcela dos lidadores da saúde estará de mãos atadas diante da possibilidade de um distúrbio espiritual, desafio constante e de alta prevalência, conforme se constata nas instituições espíritas que se dedicam ao labor assistencial mediúnico.
O advento do Espiritismo descortinou novos horizontes à medicina integral, ou seja, aquela vertente que leva em consideração a realidade espiritual do ser. A não aceitação do espírito imortal, como parte integrante da complexidade humana, certamente, confunde o raciocínio clínico, pois, no confronto com certas condições mórbidas, não há como o facultativo elaborar um diagnóstico de certeza quando o transtorno revela uma ressonância vibratória com o passado; um caso típico de desajuste reencarnatório, ou mesmo, um processo grave de obsessão espiritual.

Vez por outra, a mídia divulga notícias impactantes de crimes inomináveis que, se analisados pelo prisma espírita, sugerem a possibilidade de uma interferência espiritual negativa, a atuar como causa incentivadora do comportamento delinquente. A bem da verdade os espíritas identificados com a obra de Allan Kardec, sabem que os processos obsessivos se classificam de acordo com o grau de constrangimento fluídico exercido pelos obsessores. Assim sendo, a opressão imposta varia desde a obsessão simples, na qual os sintomas incomodativos são de pouca monta, até a subjugação espiritual, tipo extremo de constrangimento psíquico e orgânico em que o indivíduo perde por completo o próprio senso crítico, a capacidade volitiva e o controle de gestos e atitudes, tornando-se um joguete nas mãos dos espíritos agressores.
Recentemente a imprensa divulgou lamentável ocorrência. Num gesto tresloucado, uma infeliz mulher assassinou o próprio filho e, em seguida, suicidou-se. Eis a notícia veiculada em 11/4/2009 por Redação DN Online (RN).
“Mãe mata o filho e se suicida durante treinamento de tiro. A cena foi flagrada pelas câmaras de um centro de treinamento de tiro em Caselberry, na Flórida, Estados Unidos – e a notícia foi publicada pelo jornal britânico ‘Daily Mail’ na última quarta-feira (8). Segundo a reportagem, Marie Moore, de 44 anos, acreditava que era um ‘anti-Cristo’ e levou seu filho Mitchell, de 20 anos, para o que ele acreditava ser uma tarde de prática de tiro. Mas, no meio da prática, Marie mudou seu alvo e apontou a arma para o filho. Após atirar, ela desviou das câmaras e atirou contra a própria cabeça. Marie morreu pouco tempo depois de ser levada para o hospital e seu filho morreu na hora. Em nota ela escreveu: ‘Me desculpe. Eu tive que mandar meu filho para o céu e ir para o inferno'. De acordo com o ‘Daiyly Mail’, em áudios gravados antes do incidente, Marie afirma que planejava a morte do filho para ‘salvar o mundo da violência'. Ela diz que ouvia Deus falando pra ela: ‘Você tem uma arma. Você pode fazer isso’. ‘Eu tenho que morrer e ir para o inferno, só aí poderá existir milhares de anos de paz no Mundo’, explicava. Investigações da polícia revelaram que Marie tinha um histórico de doenças mentais. Nas fitas gravadas, ela conta sobre os períodos em que passou em hospitais psiquiátricos e sobre a miséria e tormenta mental que sofria.”
Pois bem. A notícia sugere algumas interpretações. Do ponto de vista da ciência, a autora dos delitos era portadora de um severo comprometimento psicopatológico, um distúrbio cerebral do metabolismo neurotransmissor, disfunção capaz de abolir por completo o seu juízo crítico, a ponto de conduzi-la ao cometimento de um assassinato frio seguido de suicídio. Por outro lado, de acordo com a concepção espírita, não se pode deixar de levar em conta o assédio obsessivo em grau extremo. Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, assim se expressa:
“A subjugação pode ser moral ou corporal. No primeiro caso, o subjugado é constrangido a tomar resoluções muitas vezes absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, ele julga sensatas: é uma como fascinação.” (Allan Kardec)².
Tudo leva a crer que a criatura era vítima de assédio espiritual crônico, visto que tentara o suicídio anos antes. Outro detalhe que fortalece a conjectura espírita é o fato de a enferma afirmar que se deixava guiar por uma suposta voz atribuída à divindade. Ora, ninguém, em sã consciência, admitiria a interferência divina no livre arbítrio da pessoa, a sugerir um gesto extremo de crueldade, pois qualquer tipo de violência se contrapõe frontalmente aos ensinamentos evangélicos revelados por Jesus. A estranha “voz” que ecoava no interior de sua cabeça a persuadia a cometer o crime, matar o filho para “erradicar a maldade do mundo”. De forma idêntica, outros delinquentes, autores de delitos impiedosos, também se diziam influenciados por alucinações auditivas: vozes ressonantes que lhes recomendavam, com veemência, a prática de outras tantas absurdidades.
De acordo com o codificador, a obsessão é sempre obra de um mau espírito, daí o porquê das sugestões maléficas, sempre maléficas, visando ao arrastamento da vítima para o mal. Desde que o indivíduo apresente brechas kármicas e se situe numa condição perene de invigilância, torna-se presa fácil dos espíritos vingativos e perturbadores.
O querido Dr. Bezerra de Menezes considerava a obsessão espiritual como a doença do século (ele desencarnou em 1900). Todavia, diante da gravidade do transtorno, nós imaginamos tratar-se da enfermidade de todas as épocas, pois há registros de obsessão grave citados tanto no Velho Testamento (vide, p.ex., o caso de Nabucodonosor), quanto nos dias atuais, visto que as instituições espíritas registram um aumento assustador de casos complexos, decorrentes de técnicas sofisticadas e contundentes arquitetadas por integrantes das falanges sombrias de justiceiros, cientistas falidos e de mercenários cruéis, que, em se aproveitando da invisibilidade, atuam em nome do mal.
O ideal seria que os enfermos classificados como portadores de transtornos mentais recebessem, ao lado dos cuidados prodigalizados pela medicina, aqueles outros sugeridos pelo campo experimental do Espiritismo. As doenças físicas podem ser diagnosticadas por meio dos procedimentos laboratoriais em voga, e dos modernos recursos propedêuticos inseridos no âmbito dos diagnósticos pela imagem, a exemplo da tomografia, ressonância magnética, etc. Contudo, a investigação da problemática espiritual carece de procedimento diferenciado, de metodologia ainda não ensinada nos bancos acadêmicos e que, por enquanto, se efetiva no recesso das instituições espíritas. É por meio do instrumental mediúnico que se pode devassar a intimidade energética do ser, identificar na matriz perispirítica a causa das desarmonias energéticas, assim como diagnosticar as ligações obsessivas, por mais sutis que sejam.
Se a inditosa paciente estivesse sob efeito de um tratamento desobsessivo e submetida às regras da psicopedagogia evangélica, ter-se-ia evitado desfecho tão funesto? Eis a pergunta que honestamente nos fazemos, levando em conta a experiência da doutrina espírita nesses misteres, especialmente aqui no Brasil.
No presente momento, não há como negar a excelência do socorro espiritual conduzido por grupos mediúnicos assistidos por Espíritos de elevada linhagem moral.
Em nosso modo de ver, todo aquele portador de perturbação mental deveria receber, em ambiente médico, os cuidados previstos e os remédios prescritos por especialistas credenciados, pois o atual arsenal terapêutico disponibiliza drogas de altíssimo valor, e que não podem ser desprezadas no tratamento clínico dos transtornos mentais.
Por outro lado, o apoio religioso jamais poderia faltar e, caso os familiares decidissem pelo auxílio espírita, o mesmo deveria ser executado nas dependências da instituição espírita, sem que o esforço de cura ali desenvolvido conflitasse com a orientação médica. Assistiríamos, então, a uma espécie de convergência entre ciência e religião, na qual os facultativos cuidariam do corpo físico e as casas espíritas voltar-se-iam exclusivamente para os aspectos espirituais do caso.
Além disso, não olvidemos a existência de grupos mediúnicos que florescem à luz da doutrina consoladora, constituídos por adeptos afeiçoados aos estudos e compromissados moralmente com os ensinamentos evangélicos, a disponibilizar, gratuitamente, o auxílio imprescindível aos portadores de obsessões complexas.
Lembramos aqui oportuna informação trazida pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, por meio da mediunidade de Divaldo Pereira Franco:
“Conhecemos, também, as técnicas de desobsessão de alta eficiência, que são aplicadas nas Instituições Espíritas e que constituem um passo avançado na terapêutica de socorro aos sofredores de ambos os lados da vida”. ³
Bastante confortadora tal informação. Significa dizer que a ciência espírita também evoluiu em suas técnicas de abordagem espiritual. Só mesmo a desobsessão de alta eficiência, no dizer do sábio instrutor espiritual, para se contrapor aos esquemas sofisticados elaborados por mentalidades maléficas, cujos objetivos se concentram na disseminação da dor e do sofrimento humanos.
Apesar de algumas dificuldades, acreditamos que, logo mais, as subjugações espirituais, tão danosas ao patrimônio mental das criaturas, serão diagnosticadas com mais facilidade e precisão, para que sejam neutralizadas pelos Espíritos terapeutas, em obediência aos méritos e necessidades particulares da cada indivíduo.


Dr. Vitor Ronaldo é autor de “Desobsessão e Apometria – Análise à Luz da Ciência Espírita”, recentemente lançada pela Editora O Clarim. Trata-se de uma proposta com enfoque absolutamente doutrinário, destinada aos espíritas estudiosos, especialmente, aqueles que se dedicam às lides desobsessivas. O assunto é tratado de uma forma simples, objetiva, sem misticismos, crendices nem fantasias inaceitáveis.

Obras citadas:
1- KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns, capítulo XXIII, item 240. 9ª edição de bolso, FEB, 2006, p. 315.
2- Idem. O Livro dos Médiuns, capítulo XXIII, item 240. 9ª edição de bolso, FEB, 2006, p. 316.
3- MIRANDA, Manoel Philomeno & FRANCO, Divaldo Pereira. Loucura e Obsessão, capítulo 9. 3ª edição, FEBp, 1990, p. 117.

(Trabalho publicado no Jornal Espírita da FEESP, nº 406 de junho de 2009)
Vitor Ronaldo Costa
(vitorrc@brturbo.com.br)

19 maio 2009

DOENÇAS CRÔNICAS E O CONHECIMENTO DA CAUSA A LUZ DO ESPIRITISMO - DR. VITOR RONALDO

Expressivo contingente populacional alimenta a idéia de que a existência terrena não passa de um simples fruto do acaso. Tal postura habitualmente sustentada pelos materialistas, chega a ser compartilhada pelos adeptos das religiões dogmáticas nada receptivos às leis cósmicas responsáveis pelo processo de evolução integral dos humanos. De acordo com esse ponto de vista, a questão da saúde e da doença parece não ter nenhuma relação de causa e efeito com os impulsos ordenadores do espírito. No entanto, a energética comandada pela alma repercute, sim, no campo físico, ora estimulando a saúde ora predispondo o organismo ao desenvolvimento de enfermidades expiatórias de acordo com os impositivos traçados pela lei de causa e efeito.
Certa feita, o espírito André Luiz visitou um departamento especializado no planejamento de reencarnações da cidade astral de Nosso Lar e após, acuradas observações no campo das chamadas enfermidades cármicas assim se expressou:

“... E, durante alguns dias, ali permaneci na instituição benemérita, compreendendo que a existência humana não é um ato acidental e que, no plano da ordem divina, a justiça exerce o seu ministério, todos os dias, obedecendo ao alto desígnio que manda ministrar os dons da vida ‘a cada um por suas obras’.” (André Luiz e Fco. C. Xavier. Missionários da Luz 9ª ed, Rio de Janeiro, FEB, 1973, pág. 178).

De fato, o desconhecimento das leis de reencarnação e de causa e efeito impede qualquer tipo de raciocínio mais elaborado sobre os “por quês” da vida, o que se constitui motivo suficiente para que, diante da dor, uns alimentem revolta e outros agridam a divindade, alegando abandono e descriminação.
A reencarnação, além de ser uma luz a disseminar claridade sobre as milenares inquirições filosóficas (quem sou, de onde vim e para onde vou), também serve para ampliar a compreensão e o raciocínio daqueles que integram os quadros de uma nova geração de servidores da saúde, convictos das existências sucessivas e, por conseguinte, capazes de conciliar extensa gama de enfermidades crônicas com os imperativos da lei de ação e reação.
O espírito dotado de certo grau de esclarecimento, quando ainda em labor regenerativo no mundo astral, antes de reencarnar, costuma ser convidado a participar do estudo e confecção de seu futuro mapa de provações. André Luiz, em certa ocasião, foi testemunha de semelhante operação transcendental e nos transmite interessante informação passada pelo seu orientador no decorrer daquelas observações específicas:

“Aqui temos o projeto de futura reencarnação dum amigo meu. Não observa certos pontos escuros, desde o cólon descendente à alça sigmóide? Isso indica que ele sofrerá uma úlcera de importância, nessa região, logo que chegue à maioridade física. Trata-se porém de escolha dele.” (André Luiz e Fco. C. Xavier. Missionários da Luz 9ª ed, Rio de Janeiro, FEB, 1973, pág. 177).

A notícia causou ao ex-médico terreno, verdadeira surpresa, seguida de indisfarçável curiosidade. Nesse ponto o mentor apressou-se em esclarecer o motivo da ocorrência:

“Esse amigo, faz mais de cem anos, cometeu revoltante crime, assassinando um pobre homem a facadas ...” (André Luiz e Fco. C. Xavier. Missionários da Luz 9ª ed, Rio de Janeiro, FEB, 1973, pág. 177).

Pois bem. Ao analisar a questão da doença crônica pelo prisma espirítico, o estudioso da doutrina sente-se autorizado a admitir a hipótese da sujeição do ser aos mecanismos impositivos de uma condicionante educativa ou cármica, única maneira de entender a verdadeira causa da patologia complexa.
Certas enfermidades duradouras, apesar de tratadas com remédios caros e modernos, não regridem totalmente por uma razão simples de ser entendida: a terapêutica de eleição visa o alívio do sentimento de culpa que atormenta a consciência espiritual e não a cura do arcabouço físico. São casos passíveis de resgate apenas pelo pagamento da “moeda” corrente nos planos infinitos tutelados pela divindade: o amor incondicional. Sem dúvida, um detalhe estranho à ciência comum, mas que se tornará conhecido como expressão coerente de indenização dos males infligidos a si ou ao próximo.
Outra discordância religiosa em torno do sofrimento crônico também precisa ser dirimida: a que afirma ser Deus o responsável pela manifestação da miséria humana. Ora, Deus jamais castiga a quem quer que seja, pois Ele simboliza o amor absoluto na mais pura acepção do termo. O Pai Maior exprime sempre a bondade, a compaixão e a misericórdia perenes. O conhecimento de causa espírita repele a interpretação errônea das mazelas humanas e confere ao próprio transgressor das leis criadas por Deus, a responsabilidade pelas tragédias enfermiças que enfrenta.
A enfermidade crônica, portanto, de acordo com o ponto de vista doutrinário decorre de um estado íntimo de desarmonia temporária entre as instâncias profundas do psiquismo e a lei de harmonia universal. Nos planos espirituais, a alma que se admite em débito, após atingir certo estágio de compreensão, quase sempre solicita uma ou outra restrição orgânica com o intuito de valorizar a própria programação “auto-educativa” a ser efetivada no decorrer da próxima existência terrena. Digamos que a doença pertinaz passe a se comportar como um instrumento saneador de resgate, providencial artifício capaz de manter viva na memória a necessidade inadiável de enfrentar o sofrimento, valendo-se da prática indistinta das exortações evangélicas de Jesus.
Toda condição de sofrimento físico demorado aponta para o esforço de recuperação moral a ser levado em conta pelo espírito faltoso; por isso, se ele, o sofrimento, por um motivo qualquer desaparecesse antes do tempo adequado, a criatura se esqueceria de seus bons propósitos e, por insuficiência evolutiva, voltaria a incidir nos erros de outrora. Convenhamos que na ordem divina existe um tempo estipulado para tudo. Além disso, o tipo e a quantidade de sofrimento crônico mantêm uma relação justa com a falta cometida, sem extrapolar jamais os limites das forças humanas, muito pelo contrário. Graças à misericórdia de Deus, inúmeros atenuantes poderão ser levados em conta.

— Segundo observamos, a justiça se cumpre sempre, mas, logo que se disponha o Espírito à precisa transformação no Senhor, atenua-se o rigorismo do processo redentor. O próprio Pedro nos lembrou, há muitos séculos, que o amor cobre a multidão de pecados”. (André Luiz e Fco. C. Xavier. Missionários da Luz 9ª ed, Rio de Janeiro, FEB, 1973, pág. 178).

Eis a sentença de alívio proclamada pelos maiores da espiritualidade.
Conquanto a dívida moral permaneça registrada na memória integral do ser, isto não significa que o indivíduo esteja submetido infalivelmente a um destino fixado, a um carma inamovível, a um predeterminismo inflexível diante da contingência expiatória.
O enfrentamento da dor no plano terreno constitui significativo desafio ao espírito endividado, condição, porém, passível de ser atenuada, quando se persevera no bem. A insistência na maldade é que nos complica a redenção almejada, pois cronifica a dívida moral e dificulta ainda mais o resgate no decorrer das futuras encarnações.
O conhecimento de causa fundamentado no evangelho do Mestre e, nos ensinamentos espíritas, estimula o trabalho reparador e, este, por sua vez, constitui-se precioso atenuante do sofrimento.

“(...)quando o interessado em experiências novas no plano da Crosta é merecedor de serviços “intercessórios”, as forças mais elevadas podem imprimir certas modificações à matéria, desde as atividades embriológicas, determinando alterações favoráveis ao trabalho de redenção.” (André Luiz e Fco. C. Xavier. Missionários da Luz 9ª ed, Rio de Janeiro, FEB, 1973, pág. 178).

O Mundo Maior não se mostra indiferente ao sofrimento dos que resgatam os débitos vergonhosos do passado. O envolvimento fraternal dos bons espíritos serve de valoroso auxílio aos esforços dispensados em prol da recuperação individual. Qualquer ato de dignidade é contabilizado em favor da criatura em luta retificadora. O que se visa é o bem, o progresso e não o sofrimento. As atitudes dignas e conciliadoras por parte do indivíduo em provação, repercutem de forma favorável no seu quadro provacional, minimizando os efeitos e reduzindo as dores impostas pela doença crônica.

“Todo plano traçado na Esfera Superior tem por objetivos fundamentais o bem e a ascensão, e toda alma que reencarna no círculo da Crosta, ainda aquela que se encontre em condições aparentemente desesperadoras, tem recursos para melhorar sempre.” (André Luiz e Fco. C. Xavier. Missionários da Luz 9ª ed, Rio de Janeiro, FEB, 1973, pág. 228).

Em face dos comentários somos levados a crer que ninguém adoece por uma causa injusta, mas porque merece. De nossa parte aceitamos a enfermidade crônica na condição de “fator educativo” indispensável aos anseios renovadores da alma em ascensão. Não olvidar que, em muitas ocasiões, a enfermidade que macera a carne transitória foi escolhida pelo próprio espírito endividado em comum acordo com os “espíritos construtores”, prestimosos tarefeiros do bem integrados aos departamentos preparatórios das reencarnações. Invariavelmente, tais espíritos intercedem pelos seus tutelados, prescrevendo com sabedoria a carga expiatória a ser expurgada pela carne, tudo com vistas ao ressarcimento do passado culposo e o conseqüente avanço na senda do progresso espiritual.
É impositivo acabar de uma vez por toda com a mania de referenciar as experiências pungentes como um karma insuportável, uma cruz difícil de ser transportada, quando em verdade, a misericórdia do Alto, presente no auxílio dispensado pelos bons espíritos, sempre se manifesta em prol dos mais sofridos. Só os recalcitrantes não percebem a conjuração amorável das potências invisíveis em proveito da humanidade imperfeita.


Vitor Ronaldo Costa é médico e autor dos livros - Desobsessão e apometria, enfermidades da alma e a proposta terapeutica espírita, o visitador da saúde entre outros.

24 abril 2009

Epilepsia - Dr. Ricardo Di Bernardi



Perguntas feitas por pacientes :
1 ) Tenho 29 anos sempre levei uma vida normal, porem, hà 4 anos tenho tido crises convulsivas e a epilepsia não foi constatada em nenhum exame (eletroencefalogramas repetidos, mapeamentos cerebrais, tomografias, ressonâncias magnéticas, etc) Já tomei gardenal, trileptal, depakote e agora estou com topiramato 150 mg, as crises continuam acontecendo, não sei mais o que fazer. Pode-me ajudar ? O que fazer ?

2) Dr. Ricardo, quais as causas da epilepsia? Está a epilepsia intimamente ligada com a mediunidade? Diz-se popularmente que um epiléptico é um “grande médium” quase sempre psicofonico (dito popularmente de incorporação) e que necessita desenvolver a mediunidade para ficar melhor? Isto é verdade?

Resposta do Dr. Ricardo Di Bernardi
Em primeiro lugar, deve continuar tentando, com um bom neurologista, outras alternativas medicamentosas. Há, também, casos de convulsões epileptiformes que não são de origem exclusivametne neurológicas, isto é, são provocadas por outras disfunções orgânicas como metabólicas, hormonais, neoplásicas e outras, que podem ser a causa de convulsão do tipo epiléptico, mas sem ser a disritmia cerebral a causa primária. Um excelente clínico , especialista em Medicina Interna, ( não é o mesmo que Clínico Geral ), pode proceder esta investigação. A Epilepsia existe em diversos graus e diversos tipos. Há epilepsias bastante leves como lapsos de consciência denominados crises de "ausência" até as de convulsões violentas. A mais frequentemente comentada é a que se caracteriza por crises ou ataques nos quais há espasmos musculares de contração e de movimentos incontroláveis, com concomitante perda da consciência. Devido sua manifestação espetacular, externa, desde épocas remotas impressionava a todos, sendo atribuída a agentes demoníacos, misteriosos ou a influência lunar, daí a expressão lunáticos.
Um dos pais da medicina, Hipócrates lutou para desvincular a relação desta enfermidade com o "sagrado". Até hoje ainda existe, em alguns locais esta tendência. Frequentemente a pessoa que está prestes a ter uma crise convulsiva epiléptica percebe a chegada da crise com os sintomas. Alguns sentem um calor leve e envolvente, ou uma sensação típica visual, olfativa, auditiva, gustativa, tátil ou dolorosa, comumente no abdome. Pode-se detectar no EEG – eletroencefalograma – uma disfunção ou disritmia cerebral ou seja, uma alteração do ritmo das ondas emitidas pelo cérebro. No entanto, em alguns casos não se detectam estas alterações disrítmicas.
Em todas as nossas patologias ou problemas humanos há uma participação espiritual, em graus variados. Na epilepsia ou nos chamados "ataques" pode ocorrer uma ligação do enfermo com o espírito obsessor, ocorrendo uma verdadeira "incorporação" ou transe mediúnico. Existe sempre uma fragilidade orgânica cerebral, motivada pela alteração do modelo organizador biológico (perispírito) que traz lesões adquiridas em vidas pretéritas. Lesões que tem origens diversas. Nos casos ditos de "pequeno mal" ou crises de ausência não é comum a presença de espíritos obsessores. Nos casos de crises convulsivas graves, há também lesões perispirituais decorrentes do histórico progresso do paciente mas a frequente (nem sempre) associação do obsessor desencarnado. A ação do obsessor dá-se no denominado "locus minoris resistentiae" isto é, no local de menor resistência do obsediado, no caso desta pessoa, o cérebro... Muitas vezes, a ligação do obsessor com a "vítima " efetua-se pelo chakra gástrico, esplênico ou genésico mas a repercussão atinge intensamente o ponto fraco do obsediado que é a região cerebral fragilizada. Em certos casos, O choque do contato com as energias do espírito desencarnado com o obsediado (médium?) pode ser um fator determinante para o processo convulsivo. A própria convulsão ocasiona uma repercussão forte no espírito fazendo-o muitas vezes se afastar.
Há casos em que o indivíduo dito epilético nada apresenta nos exames de EEG mas tem todos estes sintomas. A contínua interferência do obsessor sobre a pessoa sensível nesta área poderá ocasionar lesões como passar dos anos. O que ocorre é que o perispírito ou corpo astral tem seu paracérebro lesionado mas, ainda, não transferiu para o corpo biológico esta lesão. O tratamento médico e espiritual concomitante poderá fazer com que a lesão não se instale no corpo biológico. Em termos técnicos, médicos, chama-se "aura epilética" (há outras denominações) ao conjunto de fenômenos ou sensações que precedem a crise convulsiva. Estas sensações são: a percepção ou alucinação de cores, visões, sombras, sons, ruídos, vozes, odores, sensação de calor na face, gosto ácido na boca e outras. Curiosamente sensações semelhantes que os médiuns tem antes da ligação deles o espírito comunicante na sessão de desobsessão. Até a "dor na boca do estômago" que alguns médiuns sentem pela ligação com o chakra gástrico. Estas sensações da "AURA EPILÉTICA" no caso da crise convulsiva pode decorrer da impregnação das energias (fluidos) do obsessor sobre o doente.
Uma recomendação importante: além do tratamento neurológico a higiene mental ou a manutenção de pensamentos otimistas, fraternos e similares são auxiliares no tratamento. Pensamentos de raiva, ódio, inveja, ressentimentos e outros de baixa frequência, favorecem as crises pela sintonia com o obsessor. Antes de desenvolver a mediunidade o paciente deve espiritualizar-se, depois estudar a doutrina espírita e por último pensar em atuar como médium. O tratamento ( médico + espiritual ) controla as crises e impede a fixação da entidade enferma sobre o cérebro do paciente.

Dr Ricardo - INSTITUTO DE CULTURA ESPÍRITA DE FLORIANÓPOLIS  www.icefaovivo.com.br   visite www.redevisao.net opção Dr.Ricardo

10 abril 2009

Perdas: luto, elaboração e sublimação - Luiz Paiva

Ao contrário do que muita gente pensa, o luto não acontece apenas pela morte de um ente querido. Há outros lutos, talvez maiores, que ocorrem após a perda psicológica de um objeto ou pessoa a que se tinha apego.

Apego, eis aí a razão de nossas infelicidades e a chave para nossa libertação. Talvez o grande ensinamento da vida, que vamos aprendendo a duras penas, é desapegarmos de coisas, circunstâncias e pessoas. Desapegar não é amar menos ou diminuir a importância do objeto, mas é compreender e aceitar o fenômeno essencial do Universo, que é a transitoriedade.

O Universo, a vida, a sociedade, as pessoas (incluindo nós mesmos) estamos em contínua transformação. Como dizem os filósofos, em eterno devir ou em contínuo vir a ser. Portanto, o segredo de se manter no perene fluxo da vida é ir desapegando-se do que passou e sintonizando nossas emoções no presente ao que é essencial dentre todas as coisas. Há valores que são permanentes, leis que são indefectíveis e universais, objetivos de vida que transcendem o tempo e o espaço.

Os valores que permeiam as aparências e as exterioridades, como posse, estatus, beleza e fama são mais fugazes e impermanentes do que a própria vida em si, tão efêmera “que passa como um sonho”, como nos ensina a Bíblia. As leis do amor universal e da perfectibilidade dos seres criados por Deus são tão relevantes que jazem insculpidas na nossa consciência e na essência dos fenômenos universais estudados por nossas ciências, desde a física das partículas à biologia molecular e à biologia evolucionária.

Não há objetivos e verdadeiro sentido para a vida tão permanentes e eternos do que aqueles ensinados pelos grandes avatares da humanidade e, mais do que por qualquer outro, por Jesus Cristo. Trata-se do cumprimento da grande lei de solidariedade universal que une a todos, pessoas e demais criaturas. Através da consecução desta lei que nos coloca no seio da plenitude e da felicidade imarcescível, surgem os objetivos sempre atuais de prática da fraternidade, de amor incondicional, de inclusão dos excluídos, de perdão ilimitado e de tolerância constante.

A doutrina espírita pedagogicamente nos esclarece tudo isso e, como Jesus, há dois mil anos, reafirma-nos a realidade da sobrevivência do espírito após a morte e a continuidade da vida em outras dimensões do Universo. Por isso, consola-nos os corações sofridos no luto pelas grandes perdas, seja pela visita da morte, seja pelo abandono de almas queridas, seja pela perda de ilusórios haveres ou de posição social.

O espírito Emmanuel, através de Chico Xavier, consola-nos e exorta-nos à transcendência face às grandes perdas, tomando por paradigma as causadas pela morte:

Ante as lembranças queridas dos entes amados que te precederam na Grande Transformação, é natural que as tuas orações, em auxílio a eles, surjam orvalhadas de lágrimas. Entretanto não permitas que a saudade se te faça desespero.

Recorda-os, efetuando, por eles, o bem que desejariam fazer. Imagina-lhes as mãos dentro das tuas e oferece algum apoio aos necessitados.

Lembra-lhes a presença amiga e visita um doente, qual se lhe estivesses atendendo à determinada solicitação. Distribui sorrisos e palavras de amor com os irmãos algemados a rudes provas, como se os visses falando por teus lábios, e atravessarás os dias de tristeza ou de angústia com a luz da esperança no coração, caminhando, em rumo certo, para o reencontro feliz com todos eles, nas bênçãos de Jesus, em plena imortalidade.”


Luiz Antônio de Paiva é médico-psiquiatra e presidente da Associação Médico-Espírita de Goiás