09 maio 2011

Tratamento espiritual das doenças físicas



Palestra feita na primeira jornada médico-espírita de Goiás
A cura espiritual na história

A história nos narra que a crença na capacidade do homem em interagir no processo de saúde e doença vem de longe. Os magos da Caldéia e os brâmanes da Índia buscavam curar pela aplicação do olhar, estimulando o sono e a letargia. No templo da deusa Ísis, às margens do Nilo, a imposição das mãos era usada pelos sacerdotes iniciados, para tentar aliviar o sofrimento de milhares de pessoas. Os gregos, que incluíram no seu modo de vida muita coisa do Egito, usavam a fricção das mãos no tratamento dos doentes. O Pai da medicina moderna, Hipócrates também cita a imposição das mãos.
Quando observamos a tradição judaico-cristã, é interessante notar o contraste. No novo testamento algo em torno de 30 referências à curas feitas por Jesus, seja impondo as mãos, seja soprando, usando barro, deixando sair energia (virtude), etc, mas no antigo testamento, estranhamento somente uma referência de cura por imposição das mãos feita por Naamã, que nem judeu era, conforme nos narra o excelente Pastor Caio Fábio.1
Claro está que Kardec, o grande codificador do espiritismo, não inventou nada ao falar de mediunidade, de cura, de energia, de influência espiritual, mas somente organizou, catalogou, usou a razão e extirpou as idiossincrasias existentes nas crenças superficiais. Mas o que é mais importante, a cura pela transferência de energia entre pessoas sempre existiu no mundo.
A questão não é mais acreditar. Esse tempo já passou! A questão é como utilizar esse conhecimento na nossa própria saúde e no auxílio ao próximo. Manter a descrença nesses fatos é uma escolha dolorosa, que limita a forma como buscamos o equilíbrio energético e espiritual.
Estudamos nesse artigo o tratamento espiritual das doenças físicas, mas não restringimos o tratamento ao processo de envolvimento energético comumente feito por médiuns no centro espírita, aqui nos referimos ao conceito amplo, onde qualquer atitude positiva, volitiva de doação de energia positiva, com ou sem a interferência de trabalhadores espirituais ocorra.
É possível curar o corpo físico atuando energeticamente?
Os inúmeros exemplos de todas as crenças religiosas, seja no passado ou atualmente, nos mostram que é possível.
Sobre isso, Kardec discorre com clareza no capítulo XIV da gênese2 :
“18. - O pensamento do encarnado atua sobre os fluidos espirituais, como o dos desencarnados, e se transmite de Espírito a Espírito pelas mesmas vias e, conforme seja bom ou mau, saneia ou vicia os fluidos ambientes.
19. Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos fluidos espirituais, ele os assimila com facilidade, como uma esponja se embebe de um líquido. Esses fluidos exercem sobre o perispírito uma ação tanto mais direta, quanto, por sua expansão e sua irradiação, o perispírito com eles se confunde.”
Com estudo, disciplina e perseverança, é possível treinar nossa capacidade de irradiar energia em prol do outro, momentaneamente mais necessitado.
É aconselhável curar o corpo físico atuando energeticamente?
No livro dos médiuns3, os espíritos esclarecem a Kardec que eles se ocupam de boa vontade com a saúde daqueles que lhe interessam. Ou seja, sempre que houver merecimento, positividade, e um propósito bom na cura, ela ocorrerá.
Chico Xavier, no livro plantão de respostas4, que descreve as respostas dada pelo excelente médiun às perguntas ao vivo, feitas no programa pinga-fogo, nos fala que :
“...muitas vezes uma doença física, ou determinada provação em nossa vida doméstica, nos poupa de acidentes afetivos ou acidentes materiais, ou de fenômenos extremamente desagradáveis em nossa vida...”
O resultado dessa equação só não é mais positiva porque insistimos na cura automática, sem rever valores, conceitos e principalmente atirudes, e exigimos a cura rápida para que voltemos a cometer as mesmas atrocidades de antes.
A origem espiritual das doenças.
De forma geral, podemos dizer que o padrão da nossa energia espiritual determina tendências para saúde ou doença, numa tentativa contínua do espírito verter para a carne as anomalias energéticas que se traduzem em doenças físicas, numa forma direta e rápida de harmonizar aquilo que estragamos em outras vidas. As exceções dizem respeito às doenças que procuramos nessa vida, por exemplo, câncer após anos de cigarro, infarto após crise de estresse, diabetes relacionada ao excesso de peso e hábitos de vida incosequentes.
A forma como essa energia adulterada do corpo espiritual atinge nosso corpo físico, obedece à hierarquia espiritual que se inicia no espírito5, caminha pelo corpo mental6-7, atua no perispírito8, influenciando o duplo etérico9-10 e o corpo físico.
Entre todos esses corpos, o ponto de ligação se faz por centros de forças eletromagnéticas11-12, também chamados de chacras, que no corpo físico se ligam, cada chacra principal a uma glândula endócrina e ao cérebro, alterando assim a homeostase corpórea.
O papel do terapeuta
Entender a nossa pequenez nesse processo de cura aonde ainda não compreendemos nada, e somos somente agentes da misericórdia divina atuando através do amor que cura.
Não julgar nunca. Lembrar que somos contra atitudes negativas e equivocadas, mas nunca contra as pessoas que as praticam.
Assumir o conceito espírita de saúde-doença, deixando de lado os atavismos que nos fazem enxergar um Deus sádico que brinca com as pessoas e passando a entender que tudo está certo, na hora certa e passamos por aquilo que melhor nos convém frente a imensidão de coisas que ainda precisamos melhorar.
Treinar-nos na capacidade de identificar padrões de comportamento que levam a doenças físicas e espirituais. Somente mudando a essência, a raiz do problema é que conseguiremos nos transformar.


Referências
1 – Pastor Caio Fábio - A imposição de mãos: uma rápida história e reflexão.
2 – Allan Kardec – A gênese.
3 – Allan Kardec – O livro dos médiuns.
4 – Francisco Xavier – Plantão de respostas. Pinga-fogo II.
5 – Allan Kardec – O livro dos espíritos.
6 – André Luiz (Chico Xavier) – Evolução em dois mundos.
7 – Ernesto Bozzano – Pensamento e vontade.
8 – Emmanuel (Chico Xavier) – Roteiro.
9 – Marlene Nobre – A alma da matéria.
10 - André Luiz (Chico Xavier) – Nos domínios da mediunidade.
11 - André Luiz (Chico Xavier) – Missionários da luz.
11 - André Luiz (Chico Xavier) – Entre o céu e a terra.

05 maio 2011

Onívoros ou viciados em carne? Dra Giselle Fachetti

O ser humano emergiu do selvagem através de um elaborado sistema evolutivo orquestrado pela espiritualidade superior. Neste complexo e gradual processo desenvolveu diversas habilidades que propiciaram sua sobrevivência em ambiente inóspito.

A capacidade de assimilar alimentos variados foi crucial na sobrevivência da espécie humana. Essa característica é uma das variantes fundamentais para o sucesso de uma espécie, por que reflete sua capacidade de adaptação.
Assim, o homem é onívoro em sua origem e, isso contribuiu para perpetuação de nossa espécie. O processo evolutivo não se encerrou com a passagem do selvagem para a razão, ele continua ainda hoje e, destina o homem a angelitude.
Estamos vivendo um processo contínuo e muito bem planejado. Sabemos que a superioridade da espécie humana sobre os outros seres da criação não é pressuposto de poder ilimitado e absoluto, pelo contrário, é pressuposto de responsabilidade.
Se nos dirigimos à angelitude pelo exercício da vida física teremos que, mesmo nesta dimensão, aperfeiçoarmos todos os processos biológicos para que se tornem mais sutis, delicados e eficientes. A transformação se dá inicialmente no espírito e se transfere ao corpo físico por ressonância vibratória da essência espiritual.
Os coordenadores espirituais do processo evolutivo terrestre há bilhões de anos trabalham as inúmeras variáveis desse complexo desafio em seus laboratórios celestiais para que possamos chegar aos limites máximos da evolução humana em nosso planeta.
A transformação da terra de mundo de provas e expiações para orbe regenerativo está em curso e, tempo há para a concretização de cada uma das etapas de tão grandioso projeto.
A ferramenta de transformação é o amor e, o aprendizado do amor é o programa educativo em andamento. O imediatismo distorce e fragiliza qualquer grande projeto.
Quando pretendemos construir virtudes pela repressão de desejos e hábitos ainda arraigados, em oposição à construção de virtudes pela valorização de conquistas já obtidas, estamos repetindo processos falidos em incontáveis oportunidades pretéritas.
Revisemos a história. Quantas punições inúteis, quantas masmorras, quantas fogueiras, quantos crimes travestidos de defesa da fé e da pureza. Pretensas defesas de virtudes e reais exercícios do orgulho e do autoritarismo.
Estamos em um mundo cujo progresso é evidente, porém, não é homogêneo. Ocupamo-nos em buscar soluções para o surto de obesidade em algumas nações, enquanto em outras, assistimos, ainda hoje, o desencarnar de crianças esquálidas sem acesso sequer a água potável.
Ao nos depararmos com tamanha diversidade deveríamos reconhecer a sua utilidade, as diferenças são instrutivas. Elas propiciam análises sob uma ótica mais abrangente. Essa capacidade de enxergarmos múltiplas facetas de uma só verdade nos torna mais humanos, no sentido mais positivo que o adjetivo humano possa ter.  
Enxergarmos mais do que apenas o nosso ponto de vista é sermos capazes de abstrairmos. Abstração é, obviamente, irmos além do concreto, e nos oferece a possibilidade de nos conectarmos com a grandiosidade do universo e com seus valores maiores, aqueles frutos do amor.
O amor gera a compaixão, a fraternidade, a solidariedade. Esses sentimentos devem unir os humanos entre si e, devem, também, nortear suas relações com os outros seres da criação.
Necessitamos da alimentação carnívora, em graus variados dentro de uma mesma população A premissa de que deveríamos abolir a alimentação carnívora por ser um vício odioso é parcial e restrita.
Analisemos, caso todos os terráqueos deixassem de comer carne bovina de hoje para amanhã, o que aconteceria?
Os rebanhos seriam abandonados pelos criadores, ou não? Sem dúvida seriam, já que os pecuaristas deixariam de obter lucros com “seus animais”. Nesta situação proliferariam livremente? Estaríamos, sem dúvida, diante de um acidente ecológico de dimensões trágicas.
As transformações graduais permitem a adaptação e a sobrevivência, portanto a proposta de redução progressiva do consumo de energia de origem animal pelos seres humanos é plausível e factível.
Sabemos que todos os excessos são perniciosos e, constituem atitudes viciosas. A carne é de difícil digestão, se putrefaz no intestino e gera desconforto gastrointestinal quando consumida de forma abusiva. São reais as “ressacas” de carne após lautos churrascos.
Entretanto, o corpo humano necessita de substâncias que não existem em fontes vegetais. As gestantes vegetarianas têm mais anemia que as onívoras. A cianocobalamina, vitamina B 12, previne alguns tipos de anemias.
A cianocobalamina só existe em fontes animais, ou em sínteses de laboratório, através da manipulação genÃ?mica de bactérias. Os vegetarianos têm a opção de usar uma substância sintética para corrigir sua eventual deficiência.
Caso fossemos vegetarianos degenerados em carnívoros viciosos, não haveria sequer uma única molécula necessária à manutenção da homeostase orgânica que estivesse ausente em um cardápio verde.
Como seres em evolução, estamos nos desligando de necessidades mais grosseiras, mais viscerais. É um longo processo, alguns estão mais avançados neste caminho biológico. Outros ainda não o iniciaram. A superioridade não se encontra em abolirmos a carne de nosso prato. Ela se encontra em aumentarmos o amor em nosso coração.
O amor puro irradiado de nosso coração promoverá mudanças necessárias e urgentes, tanto em nossa alimentação como em nosso relacionamento com as outras criaturas de Deus.
Ao equilibrarmos nossos hábitos alimentares, ao evitarmos excessos, conquistaremos saúde física estável. A carne, os doces, as massas, as gorduras devem ter seu consumo limitado, reduzido. Quando toda a humanidade optar por uma alimentação balanceada reduziremos paulatinamente o número de cabeças nos rebanhos e a população de aves e suínos das granjas.
Hoje deveríamos promover o exercício da compaixão. Ao aceitarmos a realidade de que não aboliremos a alimentação carnívora de um dia para o outro, se nos descortinam frentes importantes de atuação cristã, frentes tais como a luta para que a sociedade humana se adapte a uma alimentação cada vez mais frugal.
Iniciemos por reivindicarmos normas de criação e abate dos animais condizentes com a presunção de sermos efetivamente humanos. A crueldade com os animais que servem ao homem deve ser banida. Sua criação deve respeitar necessidades e hábitos de cada espécie.
Devemos buscar o controle, inclusive, das técnicas de plantio e colheita dos vegetais que consumiremos ou, seremos intoxicados por pesticidas contidos nos coloridos legumes e frutas que supomos isentos de toxinas materiais ou etéreas.
A transformação que esperamos envolve uma atitude sustentável em relação à produção de alimentos com responsabilidade ecológica e social.
Trata-se de uma proposta muito maior do que abolir a proteína animal de nosso cardápio diário. Trata-se de abolirmos o que é negativo de nossa existência, de forma gradual e perseverante.
Se hoje ingiro um bife do tamanho da palma da minha mão e, não mais dois quilos de picanha em uma única refeição, eu estou efetivamente colaborando para o progresso da humanidade.
Lutemos por causas viáveis respeitando a adequada oportunidade de escalarmos cada degrau por sua vez. E mais, respeitemos os que ainda engatinham nessa jornada. Só assim, construiremos uma rede social produtiva e construtiva, que honra verdadeiramente o seu mestre maior, Jesus, O Cristo.

25 abril 2011

Jornada médico-espírita de Goiás - Dra Giselle Fachetti

Palestra que será feita na primeira jornada médico-espírita de Goiás
Bases científicas e morais em favor da vida

Esse é um assunto de grande interesse e pretendo abordá-lo por um ângulo diferente de raciocínio. Estamos em um ambiente Espírita. Todo sabe que o abortamento provocado é incompatível com a caridade cristã e, que o abortamento espontâneo reflete a vontade do Pai em nosso benefício.
Entretanto, existem grupos poderosos se organizando para ampliar as possibilidades de abortamento dentro da legalidade, ou melhor, não sujeito à punição por lei. Tais esforços estão progredindo no legislativo brasileiro e devemos estar preparados para defendermos a vida além de nossas trincheiras.
Por isso, levantaremos argumentos laicos em defesa da vida considerando, ainda, as repercussões orgânicas e psíquicas de tais ações.
Enquanto ocorrem 90 milhões de nascimentos por ano na terra, ocorreriam 50 milhões de abortos no mesmo período, desses, cerca de 30 milhões seriam provocados.
Esses números são repetidos em diversas publicações, o que não os torna, de fato, reais. São estimativas que pretendem nortear decisões, porém, sua autenticidade não pode ser comprovada.
Um olhar laico para essa questão permite uma abordagem que repercuta de forma mais abrangente. Aqueles que valorizam a ética e a cidadania, ainda que desconheçam as realidades extra-físicas, terão uma oportunidade de se defrontarem com os dados que ofereceremos e, após uma reflexão poderão construir suas próprias opiniões, livres da manipulação ideológica parcial que vem sendo orquestrada.
Pretendemos que as opiniões se formem sobre dados reais e convicções íntimas e, não em função de idéias de grupos políticos radicais, que se digladiam buscando o poder e medindo suas forças conforme imponham, ou não, seu pensamento ao povo.
O abortamento é a interrupção da gravidez antes que o feto alcance 500g de peso ou 20 semanas de gestação, ou seja, enquanto a vida do concepto é inviável fora do útero materno.
Inicialmente, a palavra abotto origina-se da união da proposição latina ab, dando geralmente a idéia de afastamento, mais a palavra ortus, também latina, que significa nascimento, resultando a expressão abortus ou não-nascimento. Ainda refere-se a "interrupção da gravidez fora do seu termo natural", com isso, a morte referida traduz a não conclusão do tempo gestativo da mulher e do feto e, a morte deste.
Os abortamentos podem ser classificados como espontâneos ou provocados.
O abortamento espontâneo pode ser de uma forma simplificada e resumida, dividido em precoce, tardio e habitual. O abortamento provocado, por sua vez pode ser punido por lei ou não estar sujeito a punição legal.
O evento espontâneo ocorre em cerca de 10 a 20 % das gravidezes clinicamente diagnosticadas.
A constituição brasileira permite a interrupção da gravidez quando a gestação representa risco de vida para a mãe, ou quando, é resultado de estupro. Sendo desnecessária a comprovação da agressão sexual ou a obtenção de autorização judicial para que a intervenção cirúrgica seja efetuada.
O processo de abortamento espontâneo se dá pelo trabalho de abortamento, muito semelhante ao trabalho de parto. Ocorrido o óbito embrionário os demais tecidos ovulares também degeneram. Isso leva a uma redução no volume da gravidez e uma menor aderência da placenta à parede uterina. Aparecem contrações uterinas regulares que levam a uma dilatação do colo do útero. Assim o conteúdo intra-uterino pode ser expulso. O processo pode ser completo ou incompleto, com maior ou menor grau de sangramento.
O grande risco do abortamento provocado é a dilatação abrupta do colo uterino, por ação de instrumentos sólidos ou medicamentos indutores de contrações não fisiológicas, em uma gravidez que por estar em curso, tem seu volume habitual e a placenta firmemente ligada à decídua endometrial materna.
Hemorragias podem ser conseqüentes a lesões do colo uterino, de órgãos adjacentes ou pela presença de restos placentários ainda aderidos à parede uterina. Infecções ocorrem pela presença de restos de tecido desvitalizado na cavidade uterina, ou mesmo, pela contaminação direta pela utilização de instrumentos inadequados para a dilatação cervical e retirada da gravidez de seu sítio de implantação.
Atualmente a esterilidade, como conseqüência de um abortamento provocado, não é tão freqüente quanto já foi, mas existe. A infecção subseqüente pode, por sua vez, levar a obstrução das trompas de falópio ou aderências intra-uterinas que impedem uma futura gravidez.
O sentido da vida deve ser discutido filosoficamente quando se cogita em admitir que a vida embrionária não tenha o mesmo valor que a dos já nascidos.
Se a vida no planeta Terra é fruto de uma grande seqüência de coincidências, seu valor não seria maior no ventre materno do que fora dele.
A teoria de Darwin foi fruto de uma brilhante e longa observação da natureza e permitiu que novas questões relativas á origem das espécies fossem abordadas. Não temos como negar que se trata de uma explicação lógica para muitos eventos da natureza.
Entretanto, existem questões que a seleção natural e o acaso não esclarecem. A evolução da vida no planeta terra sendo fruto meramente do acaso é um evento estatisticamente impossível.
Senão vejamos: a possibilidade de que apenas a metade das enzimas necessárias ao metabolismo protéico de uma célula sejam obtidas pela combinação aleatória de moléculas é de 1/10 elevado a 1000. Ou seja, quase impossível.
Se analisarmos a produção por combinação aleatória das 100 mil proteínas necessárias para o metabolismo de um mamífero, o tempo necessário para que essas coincidências ocorressem seria maior do que a idade do nosso sistema solar.
A teoria de Darwin explica e comprova parte da verdade relativa à origem da vida no planeta. O próprio Darwin não pretendia, com sua teoria, confrontar a doutrina teísta, tanto que guardou seus manuscritos por longos vinte anos antes de publicá-los.
Ele, brilhantemente, concluiu que cada célula portaria informações de todo o organismo, isso antes do conhecimento dos genes, mas não explicou os saltos genéticos que propiciaram fases de grande proliferação da vida na terra.
Até hoje uma questão aparentemente simples não foi explicada. O que faz que uma célula totipotencial embrionária se diferencie em um ou outro tecido? Como se forma um organismo tridimensional a partir de uma célula? A forma e tamanho dos órgãos nem sempre são características definidas por genes, já que eles se manifestam através da síntese de proteínas específicas.
Além disso, já verificamos que o crescimento de um fígado transplantado se dá conforme o tamanho do receptor e, não do doador, que é o dono do patrimônio genético.
Á essas questões Rupert Sheldrake pretendeu explicar com a tese da existência de campos mórficos. Esses campos existiriam além do indivíduo, preservando e transmitindo modificações de hábitos e aprendizado de grupos de animais.
Além dessa tese, a tese da auto-regulação permite que entendamos a influência do todo na parte e, vice-versa. O universo é uma rede de conexões que permitem que haja influência de cada parte no todo e, do todo em cada parte.
Entretanto, ainda assim faltam dados para o entendimento da vida. A presença de um planejamento inteligente parece ser a única teoria capaz de explicar todos os aspectos da origem da vida no universo.
Isso não torna as outras teorias falsas, o que nos mostra é que a verdade universal ainda não é conhecida e, que várias evidências científicas apontam para o planejamento inteligente. O que entendemos é que essas teorias apenas explicam parte do quebra-cabeças e, quando pretendemos torná-las absolutas elas se fragilizam.
Entretanto o planejamento inteligente permite que interconectemos todas as teses e, entendamos tanto suas limitações quanto sua importância real. A idéia do planejamento inteligente oferece à vida física uma importância especial, pois existe pressupõe um sentido e um objetivo maior para essa experiência.
Os defensores da legalização do abortamento provocado, ou como o eufemismo que agora propõem, da descriminalização da interrupção da gravidez, alegam que a mulher tem direito de decisão sobre seu próprio corpo.
Sem dúvida é uma realidade, entretanto devemos considerar algumas premissas básicas do direito. Primeiro é que em nossa constituição o maior direito entre todos os direitos humanos é o direito à vida.
A democracia nos ensinou que nosso direito termina aonde começa o do próximo. Portanto achamos claro que o exercício do direito de escolha seja feito enquanto não existe outro indivíduo envolvido na questão, ou seja, antes da concepção. E, é para isso que se prestam os mais variados métodos contraceptivos adaptáveis aos mais diversos perfis de saúde dos casais.
Portanto, se a vida é o direito primordial, é necessário que saibamos em que momento ela se inicia. Para os embriologistas não é fato questionável que se inicie no momento da fecundação. Pois o zigoto é efetivamente a célula que formará o novo organismo vivo em sua complexa estrutura.
Outra questão que se impõe é se o embrião sente, se ele teme? Existem inúmeros estudos de psicologia que detectaram que traumas vividos ainda durante a vida intra-uterina, vieram a desencadear fobias no infante, ou no adulto.
Estudos comprovam uma ligação emocional do recém nascido com sua mãe, comprometida em sua qualidade, quando essas mães não aceitaram a gravidez. Situação que é mais grave quando as mães chegaram a tentar o abortamento provocado.
A literatura nos relata casos em que o recém nascido se recusava a aceitar o peito materno, mas mamava normalmente em uma estranha. Ao estudarem a mãe em questão, foi constatado que ela havia tentado o abortamento no início daquela gravidez.
O abortamento não punido por lei vem sendo realizado na rede pública. A lei não exige a comprovação de que aquela gestação foi fruto de estupro. Tal fato torna o processo acessível para os casos de gravidezes indesejadas ou não planejadas. São os primeiros passos do processo de legitimação da interrupção voluntária da gravidez.
A questão da dor e desespero materno são, obviamente, significativas. Entretanto, o embrião, que não participou do ato criminoso será punido com pena capital apesar de inocente. Essa é a única circunstância em que se aceita a pena capital em nossa sociedade. E perguntamos, qual a justiça de uma pena que pune não o verdadeiro criminoso, o estuprador, porém um inocente, o embrião?
Os psicólogos têm grande experiência com mulheres que já fizeram abortos no passado. É um processo vivido com dor, ainda que esta seja negada (Bert Hellinger). A dor emocional que acompanha a mulher que provocou um abortamento é de tal ordem que geralmente faz adoecer.
O que vemos em nosso dia a dia, em clínica ginecológica, é que a maioria absoluta das mulheres que passaram pela experiência de um abortamento provocado vive esse processo com culpa. Elas se mostram arrependidas e, imaginam que não conseguirão superar essa dor.
Sabemos que é possível vencer essa situação com auxílio terapêutico e espiritual. E, que não serão necessárias diversas encarnações para expiação dessa falta. Sabemos que o amor cobre a multidão dos pecados e que nenhum de nós encarnados tem um passado incólume. Portanto todos buscamos a reparação de nossos equívocos e, todos seremos bem sucedidos ao buscarmos os caminhos do amor.
Ainda assim, devemos reconhecer que mesmo que o indivíduo faça uma opção racional e lógica por uma interrupção de uma gravidez, as chances de haverem severas seqüelas emocionais são bastante significativas e, os argumentos legais e feministas não oferecem alívio para esse tipo de dor.
Existem grupos organizados em defesa da descriminalização do abortamento provocado patrocinados por entidades internacionais que se identificam com a causa do planejamento familiar. Existem grupos políticos influentes no congresso cujas bases se remetem aos grupos feministas de esquerda. Essas organizações trabalham de forma discreta e insidiosa. Estão usando os casos extremos como meio de mobilização.
Os termos estão sendo modificados, a utilização da descriminalização do abortamento e da antecipação terapêutica do parto. Este último, eufemismo, para interrupção de gravidezes nas quais os fetos tenham defeitos congênitos severos. Eufemismo, pois, seria terapêutico se tratasse alguma doença, o que, certamente, não ocorre.
A grande questão é que se propõe a realização dos abortamentos provocados pelo serviço público de saúde para que um menor número de mulheres morram por práticas inseguras. Qual é a chance real de que as mulheres com uma gravidez indesejada obtenham essa assistência no serviço público?
Hoje, todos, sabemos das grandes deficiências de nosso sistema público de saúde. Sabemos ainda que exista um prazo para que se realize o abortamento provocado sob assistência médica com alguma segurança, antes da 14ª semana da gestação.
Façamos um paralelo. Pensem vocês, uma mulher com seis filhos, pobre, precisa de uma laqueadura tubária para não mais gestar, pois tem dificuldades com os métodos reversíveis. Será que ela conseguiria essa cirurgia pelo SUS? Quanto tempo ela levaria para conseguir?
Bem, se fosse um abortamento, a criança já teria nascido no momento em que chegasse sua vez.
Voltemos à questão dos números. Os livros textos repetem incansavelmente os mesmos números assustadores sobre os índices de mortalidade materna no abortamento inseguro. Números esses inexatos. Ao verificarmos os registros de óbitos e dados do SUS, esses números não estão lá registrados.
Alega-se que ocorrem entre 1.000.000 e 1.500.000 abortamentos inseguros, por ano, no Brasil. Os números que encontramos são tão dispares que variam entre 300.000 e 3.000.000, por ano, em nosso país.  
Teoricamente a mortalidade do abortamento provocado inseguro deveria ser três vezes superior aos índices de mortalidade materna.
Os índices de mortalidade materna no Brasil são de 75/100.000 nascidos vivos (2007). Esse índice foi corrigido em relação às sub-notificações. Quando não se estuda detalhadamente os prontuários das mulheres mortas em idade reprodutiva existe um sub-registro que colocaria os índices em 54/100.000 nascidos vivos. Podemos inferir, portanto, que pode haver um erro nos registros de cerca de 25%, para menos.
Quando buscamos os números absolutos de mortes maternas temos valores bem inferiores ao que esperaríamos, se tal fosse a real freqüência de abortamentos inseguros. Vejamos, se tivermos 1.500.000 abortamentos inseguros por ano, com mortalidade três vezes maior que a mortalidade materna em gestações que evoluem ao seu termo. Esperaríamos que tivéssemos cerca de 3.375 mulheres mortas por abortamento inseguro a cada ano em nosso país.
Qual o registro que encontramos?
Em 2007 a mortalidade materna no Brasil, foi, em números absolutos do DATA SUS de 2175 mulheres. Dessas 133 morreram por abortamento. Geralmente os livros textos relatam que 13% das mortes maternas ocorrem por abortamento. Os números do DATA SUS mostram valores menores.
Seria esse número inferior ao esperado em função de sub-notificação?
Existem recursos estatísticos, e técnicos, para se detectar as mortes maternas não reportadas, que permitem os ajustes de dados nas taxas que relatamos. Os índices de correção não seriam maiores que 25%.
Assim, os números de 2007 e dos anos seguintes podem conter erros nas casas de centenas, mas, definitivamente, não na casa de milhares.
O Data SUS mostra que morreram 118 mulheres por aborto em 2008 e, 160 em 2009. Ainda que corrijamos esses índices acima dos fatores de correção teremos não mais que 300 mortes por anos por abortamento.
Na realidade não deveríamos ter que contar uma morte sequer já que absolutamente todas as vidas são essenciais, inclusive desses 1.500.000 embriões.
O que pretendemos mostrar é que existe uma deliberada manipulação de números para impressionar a opinião pública com o fim de obter a legalização de um procedimento que é contrário a consciência da maioria de nossa população.
Vejamos os número de mortes de mulheres por outras causas, DATA -SUS /2009.






CAUSAS ÓBITO
MENACME
QQ IDADE
GRAVIDEZ,PARTO E PUERPÉRIO
1.707
 -
ABORTO
   160
 -
AGRESSÃO
3.284
4.163
ACIDENTE TERRESTRE
   950
6.733
NEOPLASIA GENITAL
2.933
11.644
NEOPLASIA MAMÁRIA
3.015
11.925
SUICÍDIO
1.396
1.805

A agressão à mulher causa 20 vezes mais mortes que o abortamento, o câncer de mama da mesma forma. Será, então, verdadeiro o argumento que se fizermos esses abortamentos pelo SUS teremos significativa redução do número de mulheres mortas?
Não seria prioridades reduzirmos os índices de mulheres mortas por câncer de mama, câncer de colo de útero e suicídio? Tais números são bastante expressivos em relação aos de mortes maternas por abortamento.
E quanto aos profissionais envolvidos nesse processo? Os servidores do SUS que realizariam o abortamento provocado são médicos, médicos ginecologistas e obstetras.
Os médicos que já trabalham pelo SUS não são obrigados a realizar qualquer procedimento contrário a sua ética e moral.
A maioria dos médicos tem postura contrária à realização desse procedimento. A estrutura de saúde teria que realizar concursos públicos específicos para obstetras comprometidos com a realização dos abortamentos provocados.
Imaginemos a situação de um profissional que admite publicamente sua posição em conformidade com a realização dos abortamentos provocados diante de uma população que tem 90% de reprovação a essa ação.
Discutamos ainda os custos desses procedimentos. São procedimentos cirúrgicos realizados em ambiente hospitalar sob anestesia. Será que nosso combalido sistema de saúde suportaria mais esse gasto? De onde sairiam os recursos?
Se existem recursos para essas intervenções, ainda ilegais, por que esses recursos não são hoje usados para proporcionar partos sob analgesia para as mulheres assistidas pelo SUS?
Tal benefício é previsto na tabela do SUS, mas raramente suas beneficiárias obtêm esse privilégio. Ainda hoje, no ano 2011 as brasileiras têm seus partos como as mulheres da idade média os tinham, com dor, muita dor...
Assistência a mulher deveria envolver uma sólida orientação sobre métodos contraceptivos, a disponibilização desses métodos, o acompanhamento cuidadoso do planejamento pré-concepcional, do Pré – Natal, do parto e dos primeiros anos de vida dos infantes.
Assim reduziríamos não só a mortalidade materna, mas também a mortalidade Peri-natal.
A educação por si só reduz a taxa de fecundidade e, a redução isolada desta taxa permite dramática redução nos índices de mortalidade materna. Quando reduzimos a taxa de fecundidade de oito filhos por mulher para dois filhos por mulher, na ausência de qualquer risco na gravidez, diminui a chance de uma mulher morrer por causa ligada à maternidade de 1:16 para 1:63. A mesma melhora é vista na redução da mortalidade materna de 800 para 200 por 100.000.
Concluímos que medidas efetivas de educação e assistência à mulher, em termos de sua saúde reprodutiva, terão maior impacto positivo quanto aos riscos da maternidade do que a legalização do abortamento provocado em gravidezes indesejadas ou não planejadas.

20 abril 2011

Chico Xavier fala sobre Mediunidade

MEDIUNIDADE

O que é desenvolver mediunidade no conceito de Emmanuel?

Ele crê que desenvolvimento mediúnico deveria ser a nossa dedicação ao aperfeiçoamento pessoal para servirmos de intérpretes àqueles que habitam a vida espiritual e, ao mesmo tempo, começar muito cedo o trabalho na pauta da obediência e da fé de que todos carecemos perante as Leis de Deus.

Que é mediunidade, no significado real de sua essência?

Mediunidade, na essência, é afinidade, é sintonia, estabelecendo a possibilidade do intercâmbio espiritual entre as criaturas, que se identifiquem na mesma faixa de emoção e de pensamento.

Como alcançar bom aprimoramento de potencial mediúnico?

Reflitamos no assunto do ponto de vista da mediunidade em trabalho edificante. Que se aperfeiçoe o violino, e o artista encontrará nele as mais amplas facilidades de expressão. Sem cooperador habilitado, a tarefa surge deficiente. A mediunidade, em si, depende do médium.

Diga-nos o que deve fazer, dentro de suas capacidades, um médium, para poder ser completo e útil ao Plano Espiritual?

Devotamento ao Bem do próximo, sem a preocupação de vantagens pessoais - eis o primeiro requisito para que o medianeiro se torne sempre mais útil ao Plano Espiritual. Em seguida, quanto mais o médium se aprimore, através do estudo e do dever nobremente cumprido, mais valiosa se torna a execução de tarefas com os Instrutores da Vida Maior.

Que é que pode ser mais prejudicial a um médium?

O egoísmo que se fantasia de vaidade e orgulho, quando o medianeiro procura irrefletidamente antepor-se aos Mentores Espirituais que se valem dele. Ou o mesmo egoísmo, quando se veste de ociosidade ou de escrúpulo negativo, para fugir à prestação de serviço ao próximo.

Qual a razão de algumas pessoas possuírem dons mediúnicos na Terra, desde o berço, e outras, após muito trabalho, é que conseguem conquistar alguns desses valores?

Quando se trate de mediunidade em ação na cultura ou no progresso espiritual, a bagagem de recursos do medianeiro emerge das suas próprias aquisições de Espírito, efetuadas em existências pretéritas, outorgando-lhe a possibilidade de colaborar com mais eficiência ao lado de quantos pugnam, no Além, pelo aperfeiçoamento e a felicidade da comunidade humana.

Como podemos entender o chamado "planejamento espiritual"?

Mentalizemos o planejamento que antecede a formação de um núcleo populacional ou de uma família na Terra, com os recursos possíveis de previsão e teremos exatamente a idéia do que seja o "planejamento espiritual" para qualquer organização que proceda do Plano Espiritual para o Mundo Físico.

Como encarar as diversas demonstrações mediúnicas existentes e praticadas fora da Doutrina Espírita?

Os fenômenos medianímicos existiram em todos os tempos. E, em todos os distritos da atividade humana, continuam a existir. A Doutrina Espírita é o Cristianismo Redivivo, esclarecendo mediunidade e médiuns para que as ocorrências mediúnicas edifiquem elevação e proveito em auxílio da Humanidade.

Os "anjos de guarda", que são?

Os bons Espíritos, benevolentes e sábios, mormente aqueles que se nos fazem familiares, se erigem, no Mais Além, à condição de mensageiro de apoio ou guardiães abnegados daqueles companheiros que ainda se vinculam à vida física.

Quais são os principais sintomas, tanto físicos quanto psicológicos, que a pessoa apresenta para que diagnostique-se mediunidade acentuada?

Os sintomas podem ser variados, de acordo com o tipo de mediunidade. Irritabilidade, sonolência sem motivo, dores sem diagnóstico definido, mau humor e choro inexplicável podem indicar necessidade de esclarecimento e estudo.

O que acontece para uma pessoa que se recusa a desenvolver sua mediunidade, já que esta mediunidade pode ajudar muitas outras? Haverá algum castigo ou cobrança?

Energias que não doamos podem ser fator de desequilíbrio em nossas vidas. Nossa consciência, em geral, nos cobra uma atitude perante as tarefas que nos cabem. Praticando o Bem em qualquer parte, estaremos colocando nossa mediunidade a serviço de todos. André Luiz afirma: "Todo Bem que não se faz é um mal que se pratica".

Como saber distinguir efeitos mediúnicos de doença física? Por exemplo: as dores de cabeça e de estômago.

A segurança em distinguir efeitos da mediunidade de sintomas de doenças físicas, só pode ser alcançada com a educação da própria mediunidade. O ideal é que inicialmente se procure um médico para certificar-se que o mal não é físico e, uma vez confirmada a inexistência de doença, deve-se procurar a orientação espiritual.

Dentro da psicofonia, se um médium dá passividade constantemente para irmãozinhos sofredores, tristes e chorosos, isso significa que o médium não está com a sintonia elevada?

Todo médium deve estar em equilíbrio para trabalhar num grupo mediúnico. Quando dá manifestação a Espíritos sofredores, pode lhes proporcionar alívio e paz. Existem médiuns que têm energias específicas para socorrer Espíritos suicidas, muito sofredores; essa é a missão dos médiuns de desobsessão. Não é, portanto, um desequilíbrio.

Muitos candidatos à mediunidade nos aparecem, confessando, no entanto, sua predileção pelo vício de fumar. Que fazer nestes casos?

Ponderam os Mentores da Vida Maior que o vício da utilização do fumo cotidianamente é considerado dos menores vícios da personalidade humana. Não obstante, qualquer candidato à mediunidade cristã deverá esforçar-se diariamente por superar suas próprias inibições, consciente de que o quadro de serviços redentores a que se candidata exigir-lhe-á renúncias e abnegações incessantes em favor do próximo. Dentro deste particular é que os Amigos Espirituais nos dizem que, principalmente nas tarefas de auxílio desobsessivo e nas tarefas de alívio aos doentes, é totalmente desaconselhável o hábito de fumar. Assim, sendo, os médiuns psicofônicos, os passistas e os de efeitos físicos fazem muito bem quando abandonam o cigarro.

Muitos candidatos à mediunidade nos dizem que sofrem assédio de entidades infelizes e acabam desistindo do serviço mediúnico, justificando-se pelos impedimentos emocionais que carregam. Que dizer de semelhante situação?

Curiosa esta pergunta, porque também passamos por esta experiência. Um ano antes de transferimos nossa residência de Pedro Leopoldo para a cidade de Uberaba, por volta do ano de 1959, uma crise alucinante de labirintite nos atacou. O desconforto que a doença causava, com aquele barulho característico, dentro do próprio crânio, nos alterou o estado emocional. Quase não conseguíamos a necessária concentração para a tarefa psicografia nas reuniões públicas do Centro Espírita Luiz Gonzaga. Estávamos intranqüilos. Quando aquele tormento atingiu seu ápice, procuramos nosso médico oftalmologista, na época o Dr. Hilton Rocha, de Belo Horizonte. Dissemos a ele:
Dr. Hilton Rocha, eu já não agüento mais esta labirintite que me atazana. Este barulho incessante me tonteia e já não posso atender às minhas obrigações de psicografia com a tranqüilidade desejável. De modo que o senhor tem a minha autorização, caso esta labirintite for causada pela minha enfermidade dos olhos, para remover os meus globos oculares. E o senhor pode arrancar os meus olhos, por que eu preciso continuar trabalhando...
O Dr. Hilton Rocha nos tranqüilizou dizendo que, de forma alguma, a labirintite era devida às nossas enfermidades oculares. Recomendou-nos paciência e disse-nos que tudo iria passar. De fato, quando instalamos em definitivo aqui em Uberaba a crise de labirintite passou. Recentemente, no entanto, a questão voltou, mais ou menos há uns dois anos, com grande intensidade. Desta vez não só ouvimos o barulho característico da labirintite, como também registramos a voz nítida dos espíritos inimigos da Causa Espírita-Cristã, perturbando-nos a tranqüilidade interior. Esta presença de espíritos infelizes, desde então, tem sido uma constante. Ouvimos-lhe diariamente os ataques à Mensagem Cristã e à Doutrina Espírita; as sugestões desagradáveis; as induções ao desequilíbrio; os sarcasmos em relação aos episódios por nós vividos no decorrer desta existência; as alusões ferinas às ocorrências menos dignas de nossos círculos doutrinários; as calúnias em relação a fatos conhecidos por nós; e até maledicências dirigidas ao nosso círculo de amizades. Tudo isto de forma tal que nos sentimos tolhidos na liberdade de pensar. Nossos Amigos Espirituais classificam este tipo de atuação como sendo PENSAMENTOS SONORIZADOS dos obsessores em nós mesmos. Dr. Bezerra de Menezes nos recomendou muita calma em relação ao assunto, incentivando-nos, inclusive, a conversar com estes irmãos infelizes pelo pensamento, mostrando-lhes o ângulo de visão que nos é próprio e rogando-lhes paciência e compreensão para as nossas atividades mediúnicas. Mesmo assim, apesar de estarmos tentando dialogar com estes espíritos, somente em 80% dos casos eles desistem do sinistro propósito de nos retardar as tarefas. Assim, ainda 20% deles continuam renitentes em seu desiderato infeliz. Outro dia mesmo recorremos à viligância de nosso mentor Emmanuel, e ele nos pediu mais paciência. Segundo a afirmativa dele, isto ainda duraria por algum tempo e em breve tudo voltaria ao normal.

Em algumas reuniões identificamos discussões estéreis em torno de opiniões particulares e pontos de vista exclusivistas de determinados médiuns, que os conduzem, muitas vezes, ao afastamento do serviço, carregando no coração mágoas e desapontamento com a direção das reuniões e dos Centros Espíritas. Como devemos agir diante dos que se afastam das tarefas?

O quadro de nossas responsabilidades diante da Mensagem Cristã do "Amai-vos uns aos outros" é tão vasto, os serviços ainda incompletos e as tarefas por realizar em nome do amor ao próximo se desdobram com tanta intensidade que, sinceramente, cabe-nos a solução de aproveitar o tempo disponível às nossas limitadas possibilidades, trabalhando e servindo sem cessar em nome do Bem geral. Não podemos nos dar ao luxo de correr atrás daqueles que abandonam o serviço espiritual, a pretexto de lhes oferecer explicações e homenagens. Isto porque nossas obrigações aí estão, exigindo-nos tempo e dedicação, e não podemos perder tempo. Se fulano ou ciclano considerou por bem abandonar as próprias obrigações espirituais, por este ou aquele melindre, que podemos nós fazer? Entreguemos-lhe, pela oração, à Bênção Misericordiosa de Deus, o Pai Amoroso de todos nós, e, por nossa vez, perseveremos no trabalho do Bem até o fim.

Qual o obstáculo mais difícil a vencer na mediunidade?

Os obstáculos mais difíceis ao desenvolvimento da mediunidade estão sempre em nós mesmos. Quando deixamos o trabalho mediúnico para entregar-nos a tipos de atividades inconvenientes, estamos habitualmente cedendo às tentações que ainda trazemos em nós mesmos, constantes das tendências inferiores que ainda remanescem dentro de nós, em nos referindo à herança pessoal que trazemos de existências passadas.

Existirá, na opinião dos Amigos Espirituais, alguma correlação entre disritmia cerebral e mediunidade?

Estamos na certeza de que no futuro dirá, do ponto de vista científico, que sim. A chamada disritmia cerebral, na maioria dos casos, funciona como sendo um implemento de fixação da onda mental do espírito comunicante; muitas vezes, também, essa mesma disritmia é um elemento importante no problema obsessivo. Achamo-nos aqui perante questões que o futuro nos mostrará em sua amplitude, com as chaves necessárias para a solução do problema.

Qual a receita que o Sr. apontaria contra o animismo?

Aprendi com o nosso abnegado Emmanuel que o médium é também um Espírito necessitado de socorro e de orientação. Desse modo, se o chamado animismo aparece em determinado grupo, devemos atender ao companheiro ou à companheira, envolvidos no assunto, com o mesmo carinho e atenção que dispensamos comumente ao Espírito desencarnado, quando no intercâmbio conosco.

O desenvolvimento da mediunidade se processa mais na corrente mediúnica ou nas ações, palavras e pensamentos de todos os minutos do médium?

O desenvolvimento da sublimação mediúnica permanece na corrente dos pensamentos, palavras e atos do medianeiro da vida espiritual, quando ajustado ao ministério de fraternidade e luz que a sua tarefa implica em si mesma.

A tese da mediunidade inconsciente estará sendo estudada e observada com consciência pela totalidade dos médiuns que se apregoam portadores de tal mediunidade? Cabe-nos significar-lhes nossas dúvidas ou aguardar o Tempo?

Na esfera do medíunismo, há realmente incógnitas que só o esforço paciente de nossos trabalhos conjugados no tempo conseguirá solucionar. Incentivemos o estudo e o auxílio, dentro da solidariedade cristã, e, gradativamente, diminuiremos as múltiplas arestas que ainda impedem a nossa sintonia na execução dos serviços a que fomos chamados, porquanto, o problema não deve ser examinado unilateralmente, reconhecendo-se que o serviço é de nossa responsabilidade coletiva nos círculos doutrinais.

Sendo verdade que o "clima" mental do médium atrai Espíritos condizentes, bons ou maus, como agiremos diante dos médiuns que se dizem inconscientes e que dão comunicações alternadas e seguidas?

O médium não deve perder de vista a disciplina de si próprio. A ordem é atestado de elevação.

Dons mediúnicos pronunciados, como por exemplo, o da vidência espiritual, que tantas pessoas anseiam e se esforçam por possuir, sob certas circunstâncias de ordem material, não significariam uma desvantagem ou, pelo menos, um transcendente compromisso para essas pessoas?

Dons mediúnicos não representam desvantagens, mas envolvem os compromissos e as responsabilidades que lhes são conseqüentes. Os candidatos ao trabalho mediúnico, junto das criaturas humanas, precisam refletir com segurança e discernimento antes de abraçá-lo, conscientes de que se encontram diante de um dos mais sérios compromissos espirituais da vida.

Quando um médium pode saber se realmente tem um compromisso mediúnico e que compromisso lhe traz essa mediunidade?

Através de sua predisposição. A mediunidade induz o indivíduo a uma posição consciente perante a vida desde que esta seja pautada em linhas de equilíbrio moral. Então, ele passa a receber intuições vigorosas que o impelem a atitudes positivas em relação ao próximo. Aparece de início, como lampejo de um ideal, como reminiscência de tarefas que ficaram interrompidas ou como uma verdadeira impulsão para realizar determinados compromissos em benefício da criatura humana. À medida que mergulha no mundo interior, desdobram-se as possibilidades e os Espíritos o conduzem a que execute a tarefa que, aos poucos, lhe vai sendo inspirada e conduzida. A mediunidade é uma faculdade para-normal, e todos podemos experimentar fenômenos que não são habituais, não comuns. Quando estes fenômenos especiais transcendem o habitual, refletem características de mediunidade, tais como: percepção de presença, visões e audições psíquicas, que seriam denominadas como alucinações psicológicas por psiquiatras desconhecedores da mediunidade...

Que dizer dos processos empregados atualmente pela maioria dos Centros, no que diz respeito ao desenvolvimento mediúnico? Como desenvolver médiuns?

Examinar as diretrizes das instituições não será trabalho compatível com as nossas responsabilidades singelas. Cada grupo doutrinário é a resultante dos propósitos e atividades dos seus componentes. Resumindo-se, porém, os programas do Espiritismo Evangélico, na sementeira do amor e da educação nos moldes que Jesus nos legou, acreditamos não encontrar outro código mais elevado para os serviços do nosso ideal, além do Evangelho sentido e vivido, nos diversos setores da experiência que nos é comum, código esse que deve presidir também não só o desenvolvimento dos médiuns, mas o processo espiritual de todos os doutrinadores e companheiros em geral.

Fontes:
Questão 1, do livro Kardec Prossegue - Editora UNIÂO.
Questão 2, do livro Novo Mundo - Editora IDEAL.
Questões 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12 e 13, do livro "Plantão de Respostas - Editora CEU.
Questões 14, 15 e 16, do Jornal "O Espírita Mineiro" - n 217.
Questões 17, 19, 20, 21, 22, 23, 24 e 25, do livro "Encontros no Tempo" - Editora IDE.
Questão 18, do livro "Chico Xavier, em Goiânia" - Editora GEEM.
Link da Página: http://www.grupoandreluiz.org.br/chico_ler_perguntas.php?id=5
(Publicado em 09/01/2007)